Inciativa “A Teia dos Tempos” levou os alunos da Escola Básica 2/3 de Alvarelhos através de uma viagem pela História de Portugal e do Mundo.

Eos, deusa do amanhecer, e Tique, deusa da fortuna e da sorte, saltaram dos livros de História sobre mitologia grega para “A Teia dos Tempos”. Juliana Sá e Ana Maia são as alunas que deram vida às divindades durante a atividade promovida pelo Departamento de Expressões da Escola Básica da 2/3 de Alvarelhos. “Senti-me deusa por um dia”, brincou Juliana, que não escondia a satisfação por tudo ter corrido “dentro as expectativas”. Já a colega de turma, Ana, garantia que, com esta iniciativa todos “aprenderam muito”, já que pesquisaram sobre cada personagem que encarnaram.

Os gregos, os romanos, os árabes, os cruzados, os descobridores, as tribos africanas, os indianos, os chineses, as bailarinas de cabaret e até um grupo de pessoas futuristas formaram uma verdadeira “teia dos tempos”, na noite de quinta-feira, 9 de junho.

Ao longo de “dois períodos”, toda a comunidade se deixou envolver pela teia: “Nós escolhemos os deuses que queríamos representar e a nossa caracterização”, explicou Juliana, ainda envergando a túnica dourada de Eos.

Para desenvolver esta atividade os alunos fizeram pesquisas sobre as suas personagens, como Tânia Quintas e Rui Oliveira que, juntamente com os colegas, interpretaram os “loucos anos 20”. “Foi um bocadinho complicado, porque não tínhamos ainda uma noção clara das coisas, mas acho que depois foi fácil e conseguimos realizar um bom trabalho”, garantiu Tânia, com as franjas do vestido encarnado e preto a baloiçar com os movimentos do corpo. Ao seu lado, Rui Oliveira confidenciava que o mais complicado tinha sido “perder a vergonha para dançar”.

 

 

Para os alunos, esta foi uma forma diferente de estudar História, sobretudo a portuguesa, marcada pela época das descobertas marítimas. Luís Mota deu vida a um dos marinheiros das naus portuguesas que cortaram o mar até à Índia. Para isso contou com a ajuda dos professores: “Tivemos muitas aulas de educação física com o nosso professor, que nos ajudou bastante, e também trabalhámos o tema nas aulas de educação tecnológica, onde fizemos os fatos”. “Foi engraçado. Adorei ver como as pessoas gostaram do nosso espetáculo”, acrescentou. Apesar de ter interpretado com os colegas “uma parte das mais importantes da História Portuguesa”, Luís não foi capaz de escolher o período histórico que mais o fascina, porque “cada um tem o seu toque especial”.

Este aluno do 8º ano espera que esta atividade continue a ser realizada na escola: “É bastante interessante, os pais podem ver-nos e dá-nos trabalho para fazermos ao longo dos anos”.

A coordenadora do Departamento de Expressões, Argentina Nunes, ficou surpreendida com o envolvimento dos alunos: “Eles vivem isto com uma intensidade enorme”. Esta atividade teve de ser adiada devido ao mau tempo e a reação dos alunos deixou a coordenadora “surpresa”, já que “significou que isto para eles lhes diz muito”.

De facto, esta mostra do trabalho dos alunos assumiu proporções que a própria escola não estava à espera: “Estamos a colocar a fasquia muito alta e acho que temos de refletir um pouco e fazer a atividade de outra forma”, justificou Renato Carneiro, diretor da EB 2/3 de Alvarelhos.

O responsável evidenciou que “A Teia dos Tempos” representa a “verdadeira transdisciplinaridade”, com o envolvimento de todos. Renato Carneiro afirmou, ainda, que esta é uma forma de os alunos “mostrarem aos pais o trabalho que estão a desenvolver”.

Esta atividade “envolve muito dinheiro” e, desta vez, a escola decidiu “pedir a colaboração voluntária dos pais”. “As pessoas nem fazem ideia do trabalho que aqui está e, no futuro, é necessário pensar os moldes de realização desta atividade”. 

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