No Natal e no Ano Novo não houve recolha de lixo e nas ruas amontoaram-se as caixas de bonecas, os papéis dos presentes e tudo o que restou das festas. Para compensar os dias em que os camiões de recolha de resíduos não circularam pelas ruas, os funcionários da Empresa Municipal Trofáguas fizeram a recolha selectiva dos resíduos dos ecopontos nos dias 26 e 27 de Dezembro e nos dias 2 e 3 de Janeiro.

É na quadra festiva do Natal e do Ano Novo que se torna “evidente” que há uma “larga margem” da população portuguesa que ainda não faz reciclagem. Este foi o alerta deixado pela associação ambientalista Quercus.

Em todas as cidades do país, nos dias 24, 25 e 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, e ainda nos dias seguintes ao do Natal e do Ano Novo, a recolha dos resíduos não foi efectuada e junto aos ecopontos as caixas de cartão e os papéis de embrulhos amontoaram-se.

Na Trofa o cenário não foi diferente, mesmo depois da Trofáguas, empresa municipal que faz a gestão dos resíduos, ter pedido a colaboração dos munícipes para não colocarem o lixo nas ruas nos dias 24 e 25 de Dezembro e 31 de Dezembro e 1 de Janeiro, já que a recolha de lixo não seria efectuada nesses dias.

No entanto, para compensar a falta de recolha de lixo e tentar minimizar os efeitos da acumulação nas ruas, os funcionários da Trofáguas trabalharam durante o fim-de-semana, fazendo a a recolha selectiva dos resíduos dos ecopontos nos dias 26 e 27 de Dezembro e nos dias 2 e 3 de Janeiro.

No entender da Quercus – Associação de Conservação da Natureza, o lixo que nesta altura do ano se acumula junto dos ecopontos ou junto dos caixotes do lixo comuns mostra que “há ainda muito a fazer”.

“Eu sei que muitas vezes nos são apresentadas razões que têm fundamento, de não terem equipamentos próximos e de não poderem facilmente proceder a essa separação selectiva, mas em muitos outros casos que nós conhecemos dá bem para perceber que há ainda muitas pessoas que não colaboram mesmo quando os equipamentos estão disponíveis”, alertou a dirigente da Quercus, Susana Fonseca, em declarações à Lusa.

Por isso, “há ainda muito a fazer”, segundo Susana Fonseca para que “as pessoas percebam que têm de desempenhar esse papel e que é também o seu dever enquanto cidadãos porque também estão a tratar do seu próprio futuro e do futuro dos seus filhos”, defendeu.

Num breve passeio pela Trofa e pelas diferentes cidades do país, facilmente se encontram ecopontos rodeados de sacos com lixo orgânico, o que prova que o lixo não foi devidamente separado em casa.

Para no futuro se evitar situações semelhantes, a Quercus deixa alguns conselhos: “no pós-Natal, aquilo que podemos aconselhar, para as pessoas que ainda não colocaram os resíduos fora de casa, nos contentores, sejam eles para reciclar, sejam eles para irem para os aterros, o ideal é informarem-se sobre quais são os horários em que podem colocar estes resíduos fora”, adiantou Susana Fonseca.

“Depende muito de município para município e, normalmente, nesta época a recolha não é tão frequente quanto fora da época de Natal, e é importante as pessoas terem noção do horário para poderem colaborar e só colocarem os resíduos, principalmente os resíduos orgânicos, que podem criar cheiros, só colocarem dentro daquele horário”, acrescenta.

Por outro lado, no que diz respeito aos embrulhos de Natal, Susana Fonseca deixa um conselho ecológico.”Cada vez é mais frequente aparecerem sacos interessantes que nós podemos guardar e se nós tivermos cuidado a desembrulhar, neste momento temos a possibilidade de guardar para o próximo ano e já não termos de estar a gastar dinheiro ou a gastar recursos naturais, mesmo que esse papel e essas fitas nos sejam cedidas gratuitamente”, lembra.