O calendário da expansão da rede do Metro do Porto dividiu em 2008 os autarcas na Junta Metropolitana, exigindo os social-democratas o cumprimento do acordo assinado com o governo, enquanto os socialistas asseguram que isso não está em causa. Novidade é o facto da expansão da rede ver a sua conclusão mais cedo do que o previsto, sendo que o projecto, nas suas três fases, deverá ficar operacional em 2018 e não apenas em 2022.

O metro para muitos é considerado uma miragem, mas há ainda quem afirme que vai chegar à Trofa e em via dupla.

No entanto, nenhum dos prazos previstos no Memorando de Entendimento, assinado a 21 de Maio de 2007 com o governo, foi cumprido pela Metro do Porto.

Este memorando calendário definia que o lançamento do concurso de construção da linha de Gondomar (Dragão/Venda Nova) a construir até Setembro de 2007 e o da extensão da linha Amarela (S. João de Deus/Santo Ovideo/Cedro) até Janeiro de 2008.

Estes prazos não foram cumpridos, tendo a construção da linha de Gondomar sido consignada em meados de Dezembro deste ano, enquanto ainda decorre o concurso para a extensão da linha Amarela até Santo Ovideo.

Por outro lado, o memorando estabelece que o lançamento do concurso público internacional para atribuição, em regime de subconcessão, da construção da segunda fase do Metro do Porto e da exploração e manutenção da totalidade da rede deveria ocorrer até Janeiro de 2008.

Caso este prazo não fosse cumprido, como aconteceu, o memorando determina que sejam lançados “desde que estejam reunidas todas as condições necessárias”, os concursos para a construção das linhas da Trofa e da Zona Ocidental do Porto, “no caso de manter o traçado do actual projecto da linha da Boavista”.

Mas no final de 2008, o concurso global ainda não foi lançado, assim como nenhum dos concursos referentes a linhas específicas, o que faz com que a JMP considerasse que este memorando não está a ser cumprido.

Opinião diferente tem o governo, a Metro do Porto e os autarcas socialistas, para quem o calendário apresentado no início de Outubro vem permitir concretizar o memorando de entendimento.

 

Alteração do calendário do metro vai acelerar a concretização dos projectos, concursos e obras

 

O plano de expansão colocava na segunda fase da rede uma extensão da linha de Gondomar até Valbom e uma nova ligação entre Matosinhos e Porto através do Campo Alegre, mas atirava para a terceira fase a segunda linha de Gaia e a ligação entre Matosinhos e Porto, pela Avenida da Boavista.

Agora, alteração do calendário assenta numa mudança no modo como iria desenvolver-se cada uma das fases. Assim, em vez da criação de frentes de obra separadas e sequenciais, opta-se agora pelo lançamento de um concurso global destinado a assegurar a possibilidade de arrancar com várias frentes em simultâneo.

Desta forma, a ligação de Laborim a Vila d’Este, em Gaia, avança já na segunda fase e não na terceira. A primeira obra da segunda fase, lançada em Dezembro, garantirá a ligação do Estádio do Dragão a Rio Tinto, Gondomar. Segue-se a adjudicação da ligação a Stº Ovídio (Gaia), até o final de Janeiro. Este mês será ainda lançado o concurso para a extensão à Trofa da Linha Verde (Ismai). A obra, com conclusão prevista para 2012, deverá ficar pronta um ano antes. No próximo Verão entram em funcionamento as novas composições “tramtrain” da linha da Póvoa. Por outro lado, a concessão da operação à Transdev é prolongada por mais 12 meses.

A ligação S. Mamede de Infesta/Hospital S. João também integra a segunda fase da expansão e a terceira fase inclui a ligação entre o Hospital S. João e a Maia.

O ponto de maior tensão neste momento, à volta do Metro, relaciona-se com uma das principais obras a lançar na segunda fase: a nova ligação de Matosinhos ao centro da cidade, para a qual existem duas propostas em confronto. Uma, defendida por Rui Rio, presidente da Câmara do Porto, arquitectos como Eduardo Souto Moura, ou Paulo Pinho, da Faculdade de Engenharia do Porto e coordenador de uma das propostas de expansão do metro, privilegia o aproveitamento do corredor existente na Avenida da Boavista.

A outra, defendida pelo Governo, por sectores da EMP e por uma equipa da faculdade de Engenharia, opta por um percurso pelo Parque da Cidade, Campo Alegre, Pólo Universitário e Praça da Galiza. A hipótese Campo Alegre, em tese a que servirá mais pessoas por apanhar no seu percurso vários bairros sociais, escolas e o pólo universitário, enfrenta também alguns problemas de monta. Um deles, porventura o principal, será o atravessamento do vale da Ribeira da Granja. É um vale a exigir um túnel escavado a grande profundidade ou um viaduto, o que suscita várias reservas a Rui Rio.

A construção da linha circular, considerada essencial para a consolidação do projecto do metro é outro dos motivos que está a gerar conflito. De acordo com estudos já efectuados foi concluído que a simples existência desta linha aumentaria de forma exponencial o tráfego de passageiros.