O Souto da Lagoa foi o ponto de partida para a visita que assinalou o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios no concelho da Trofa, no domingo à tarde.

A entrada da Casa da Cultura acolheu os participantes do passeio, que fizeram questão de assinalar o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Considerado por muitos como um dos locais mais bonitos da cidade da Trofa, o Souto da Lagoa engloba, para além da Casa da Cultura, um património religioso importante para a identidade cultural da Trofa: a Igreja Matriz, mandada construir no século XVIII, o cruzeiro de Santiago de Bougado, que data de 1857, e a Mesa de Audiência da Confraria do Subsino. O espaço está totalmente preservado e, actualmente, a Igreja Matriz, arquitectada por Nicolau Nasoni, é considerada Monumento Nacional.

Assis Serra Neves, vereador da Cultura e do Turismo, explicou ao NT que ao assinalar este dia, a Câmara Municipal pretendeu “mostrar às pessoas o património cultural e paisagístico” que existe na Trofa, “daí o município ter aderido a este dia”, que este ano teve como tema Património Rural e Paisagens Culturais.

No início da visita, a guia explicou que a Casa da Cultura é um edifício de traço tipicamente citadino, divergindo de todas as outras casas agrícolas do Souto da Lagoa. Com construção semelhante às casas do Porto ou Gaia, a actual Casa da Cultura era constituída por três pisos. No rés-do-chão encontrava-se a loja ou o escritório do senhor da casa; o primeiro andar era o espaço das senhoras, com a sala de estar e os quartos e, finalmente, o último andar era destinado à cozinha e lavandaria. Esta disposição das divisões não era feita ao acaso. Em caso de incêndio, e se este fosse controlado, apenas se perderia um dos pisos da habitação. Nos dias de hoje, a Casa da Cultura, mantém os três pisos, que albergam salas de exposições, bibliotecas e sala multimédia.

 

Depois da Lagoa, foi a vez do Souto de Bairros ser visitado. As árvores centenárias são um marco na história daquele souto e já ali se encontravam aquando da segunda invasão francesa, em Março de 1809, quando as tropas de Napoleão tiveram de acampar naquele souto, depois da resistência que encontraram na Barca da Trofa.

O último local a ser visitado foi o Castro de Alvarelhos. Inserido numa zona especial de protecção, este castro é considerado Monumento Nacional. Trata-se de um povoado fortificado, construído durante a Idade do Bronze, apresentando também características do período romano, já que naquele tempo, a administração romana decidiu construir um dos eixos estruturantes do território da Trofa – a estrada que ligava Porto e Braga. Existem também vestígios de ocupação medieval.

Assis Serra Neves assume que “esta visita serve para alertar a população para a necessidade de preservar estes espaços”.

Cândido Novais, Presidente da ADAPTA, participou neste iniciativa, que considerou “muito oportuna”, já que ao assinalar este dia se lembra “a necessidade que existe na Trofa de preservar os edifícios e as paisagens”. Para o ambientalista é necessário “explicar às pessoas que há todo o interesse” em conservar o património histórico e paisagístico. Para Cândido Novais “um povo sem memória é um povo sem futuro”, lembrando que “muitos edifícios da Trofa estão abandonados e que carecem de maior atenção e preservação”.

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982 pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) e aprovado pela UNESCO, para sensibilizar as populações para a importância da diversidade do património cultural e dos esforços que a sua protecção e conservação requerem diariamente.