A Pordata, um projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, está a assinalar dez anos de existência com a divulgação de dados estatísticos dos 308 municípios, num retrato que pode ser feito sobre o que mudou nos territórios em 2010 e em 2018. Na Trofa, instalou-se o inverno demográfico e aumentou a dependência à Segurança Social.

Falta um ano para que se realize a próxima edição dos censos que tiram a fotografia estatística mais fiel do país, mas entre cada década, há entidades que se empenham em apresentar a realidade dos territórios, como é o caso da Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata.

Recentemente, esta ferramenta deu conta dos “retratos estatísticos sobre cada um dos 308 municípios”, onde, naturalmente, se inclui o da Trofa.
Através de “54 factos estatísticos”, os dados retirados de mais de 20 fontes, “permitem comparar, de forma simples e imediata, vários indicadores, de diferentes temas, e a sua evolução em quase uma década, entre 2010 e 2018”.

Olhando para o município da Trofa, verifica-se, logo à partida, a diminuição da população residente em 1,86 por cento, com 39.015 em 2010 e 38.287 em 2018. Um retrato que segue a tendência – apesar de em menor escala – do país, exatamente como acontece com o cenário de “inverno demográfico” que tem atingido o território.

Esta expressão reflete o índice de envelhecimento, que é relação feita entre a quantidade de população jovem e ativa com a população idosa (mais de 65 anos). A Trofa era, em 2018, um concelho bem mais “velho” do que há uma década – altura em que até contrariava a média nacional – e disso é prova o índice de envelhecimento: em 2010, havia 79 idosos por cada 100 jovens; em 2018, eram já 134 seniores por cada 100 jovens.

Para este índice contribui, logicamente, a percentagem de idosos no concelho, que subiu de 12,5 por cento para 17,5, e a variação contrária das populações jovens e ativas: a primeira desceu de 15,8 por cento para 13,1 por cento e a outra decresceu de 71,7 por cento para 69,4 por cento.

Mais um fator que contribui para o “inverno demográfico” é o número de nascimentos. Em menor expressão do que a realidade nacional (que registou uma queda de 14,17%), a Trofa verificou um decréscimo de 11,2% de nascimentos em 2018, comparativamente com o ano de 2010.
Acompanhando a tendência nacional, o número de casamentos no concelho da Trofa diminui 13 por cento: em 2018 foram contraídos 159 matrimónios.

A Pordata fornece ainda dados relativos à realidade socioeconómica da população. Um dos factos estatísticos revela uma maior dependência dos trofenses da Segurança Social, através da atribuição de pensões de velhice, invalidez e sobrevivência, que em 2018 representavam mais 47 por cento do que em 2010. Um aumento vertiginoso comparado com a taxa de pouco mais de um por cento registada em todo o território nacional.

Em sentido oposto, variou a atribuição de rendimento social de inserção: em 2010 eram 2820 beneficiários, em 2018 apenas 817 – uma queda de 71%, bem maior que a de 46% a nível nacional.

Relativamente ao salário mensal médio dos trabalhadores por conta de outrem, a Trofa continua atrás da tendência nacional: em 2010, a média era de 950 euros mensais (contra os 1075 euros a nível nacional), em 2018 era de 1065 euros (1167 euros a nível nacional). Sublinhe-se, porém, a que diferença entre a realidade concelhia e nacional diminuiu de 120 euros para 102 euros.

Do ponto de vista da administração pública local, os dados da Pordata apresenta dados em diferentes fases da gestão municipal, numa espécie de pré-PAEL e pós-PAEL: há um aumento das despesas da Câmara Municipal, de 17,2 milhões de euros em 2010 para 18,9 milhões de euros em 2018. Do mesmo modo, cresceram as receitas públicas: de 18,2 milhões de euros para 22,3 milhões de euros.

No que respeita à criminalidade, em 2010 havia 26,6 crimes por cada mil habitantes; em 2018 registaram-se 22 crimes por cada mil habitantes.