O Governo divulgou o Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas 3+, que não prevê a construção da Variante à EN14, mas apenas uma intervenção na atual via. Autarcas propõem solução alternativa, diminuindo de duas para uma via, mas ainda assim a obra não foi contemplada nos investimentos.

Circular entre a Maia, Trofa e Vila Nova de Famalicão nunca foi tão difícil como agora e com tendência a piorar. Os autarcas de três dos municípios atravessados pela caótica EN14 adiantaram esta terça-feira, em conferência de imprensa conjunta, na Trofa, que sobre as intervenções pontuais na EN14, orçadas em 20 milhões de euros e previstas pelo grupo de trabalho criado pelo Governo (IEVA) “não” sabem “rigorosamente nada”.

“Nós não estamos a pronunciar-nos acerca de intervenções concretas que o Governo quer executar, estamos a pronunciarmos sobre os 20 milhões serem claramente insuficientes para a intervenção que a região precisa. O que dizemos é que a região não precisa de uma intervenção na EN14, mas sim de uma alternativa”, afirmou Paulo Cunha, presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão, considerando que esta via “é um problema e nunca será a solução”.

O autarca foi mais longe e asseverou que “construir a variante à EN14 é uma das melhores decisões que o Governo pode tomar para alavancar a economia nacional”, por tratar-se de uma “obra absolutamente necessária para o trabalho e desenvolvimento das inúmeras empresas sediadas na região, muitas delas com dimensão internacional e que dão um contributo muito importante para o PIB nacional”.

Já o presidente da autarquia mais jovem do País, Sérgio Humberto, defende a construção da variante. “Não estamos a defender autoestradas para as pessoas passearem no Alentejo, estamos a defender aquele que é o nosso território, para as empresas conseguirem escoar os seus produtos, as pessoas poderem movimentar-se, nesta região de grande potencial para produzir e retirar o país desta situação”, acrescentou. O edil afiançou ainda que a EN14 tem um tráfego médio diário “superior a 30 mil veículos, dos quais “cerca de seis mil são camiões” e é meio de comunicação de “28 zonas industriais”, onde trabalham “cerca de 128 mil pessoas, representando um volume de negócios superior a 11,5 mil milhões”.

Quando questionado se havia já uma estimativa de custo para esta Variante em via simples, Sérgio Humberto acabou por não responder, referindo apenas que “o valor de 190 milhões de euros não está fechado, mas os 20 milhões também não devem estar fechados pelo Governo”.

Já Bragança Fernandes, edil da Maia, confessou ter demorado “três quartos de hora” para chegar à Trofa, confessando que “há mais de quinze anos as câmaras municipais criaram um corredor para que quando fosse construída, não houvesse problemas, que inviabilizassem a construção da referida via”. “Este corredor está mantido, há proprietários que aguentam há anos, que vêm ter connosco e dizem que não aguentam mais, que querem construir casa e não lhes deixam”, frisou. Bragança foi mais longe e frisou que já informaram o Governo de que aceitam “minimizar o custo da via, ou seja, reduzindo de duas faixas para uma”.

Bruxelas não autoriza financiamento
Recorde-se que, na semana passada, a porta-voz da Comissão Europeia para a Política Regional, Shirin Wheeler, em declarações aos jornalistas portugueses, disse “não” quando foi questionada sobre se estava a ser equacionada a possibilidade de Bruxelas disponibilizar verbas do próximo quadro comunitário de apoio, para obras incluídas no conceito “Last Mile”, destinado a fecho de infraestruturas já iniciadas pelo atual QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), onde se encontra a obra da Variante à EN14.

A responsável adiantou que Bruxelas vai apoiar outras tipologias de projetos numa clara “mudança de direção da política regional”.

Câmaras unidas desde 2012 na defesa da variante
Em setembro de 2012, os autarcas da Trofa, Joana Lima, de Vila Nova de Famalicão, Armindo Costa, e da Maia, Bragança Fernandes, enviaram ao secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, uma missiva conjunta em que chamavam a atenção do governante para a urgência da construção da Variante, chegando mesmo a sugerir que “o projeto fosse revisto de forma a reduzir o seu custo e para que a obra pudesse ser concluída em duas fases”. No documento pode ler-se também a sugestão da diminuição de duas para uma via em cada sentido, e que a fase a construir de imediato seja a que compreende o percurso entre o nó do Jumbo e o nó 2 e entre o nó 4 e o nó 7 (que permitirá a o escoamento do trânsito para a A3).

Nesse ano, foi apontada uma estimativa orçamental de cerca de metade dos 190 milhões de euros previstos, ou seja, 95 milhões de euros.

PS diz que Governo está a “desconsiderar populações” 

O líder da concelhia da Trofa do PS, Marco Ferreira, fez saber, esta quarta-feira, através de um comunicado de imprensa, que “o documento vem confirmar os receios do Partido Socialista da Trofa e dos trofenses quanto a esta matéria”. “A alternativa apresentada pelo Governo… da requalificação da EN14 em detrimento de uma solução mais adequada como a construção da Variante à EN14, é reveladora de uma enorme desconsideração para com as populações da Trofa, Maia e Vila Nova de Famalicão e evidencia um total desconhecimento dos reais problemas da região”, acusa ainda o PS/Trofa.

Os socialistas lamentam também a “postura tão passiva e silenciosa dos executivos municipais destes três concelhos”, alegando que estes “ignoram as necessidades dos seus munícipes”, contribuindo para “este desfecho, prejudicando gravemente as populações e revelando uma alarmante subserviência perante o Governo”.