Abrir com chave de ouro a comemoração dos 10 anos de existência do concelho da Trofa foi o objectivo da autarquia que estendeu à população o convite para o jantar de gala que decorreu, este sábado, no antigo pavilhão da já extinta empresa têxtil Ráfia.

A ida a Lisboa de milhares de trofenses para buscar o concelho foi revivida por membros de movimentos associativos, empresários, políticos e trofenses anónimos e nem mesmo o mimo, que passou a noite calado, faltou à festa.

Surpresas também não faltaram e para além do hino Trofa 10 anos foi apresentado um vídeo que recordou a luta pela independência da Trofa e o dia 19 de Novembro.

Bernardino Vasconcelos, presidente da autarquia, lamentou que o espaço não pudesse receber mais pessoas e mostrou-se satisfeito com a adesão dos trofenses.

“Temos aqui cerca de 1100 pessoas que aderiram de uma forma espontânea a este jantar de gala, início das comemorações dos 10 anos, tenho pena de não ter outros tantos lugares, porque muita gente não pode vir porque o espaço não pode conter mais pessoas. No entanto sinto uma alegria imensa, porque esta adesão significa que as pessoas acreditam na Trofa e dão valor àquilo que tem sido feito em prol do seu concelho e da nossa autonomia”, afirmou.

Estes 10 anos, são para o edil o fechar de um ciclo onde houve “muita luta, muito trabalho e muitas vitórias e a cada dia que passava surgia sempre um problema que era preciso ultrapassar, então nos primeiros três anos de instalação em algumas alturas foi dramático”, lembrou. Agora, “existem grandes problemas a ultrapassar, grandes desafios, mas temos muitas mais soluções, que devem ser partilhadas com todos, movimento associativo, empresários, escolas, e todos os partidos”, acrescentou.

Também presente no jantar, Joana Lima líder concelhia do PS não deixou de registar as mudanças na Trofa: “mudaram as vontades das pessoas, porque cada vez mais têm vontade de trazer o melhor para a Trofa, mudou sobretudo a coragem que as pessoas têm de dizer não em determinada altura, e temos algumas obras”

No entanto, para a socialista “a Trofa merece mais”, apontando uma “falha grave” na gestão autárquica de Bernardino Vasconcelos: “eu acho que o PDM (Plano Director Municipal) é fundamental para qualquer gestão, o PDM da Trofa não existe”.

Mas em clima de festa, Joana Lima recordou o momento da independência: “estava em Lisboa, como todos os trofenses que foram buscar o concelho, eu também lá estava, eu também explodi nas galerias da assembleia da república de alegria, também fui interceptada pela polícia, para que não nos manifestássemos, mas a alegria era tanta que era impossível ficarmos serenos”.

Paulo Queirós, líder do PCP na Trofa, também fez a sua análise dos 10 anos de independência e não hesitou em afirmar que “há uma maior aproximação, uma maior intervenção do povo na gestão das coisas que são suas e claramente só isso dá uma nota positiva a estes dez anos”. Mas para o líder comunista ainda falta “um documento orientador do município que é o PDM”.

Recordando o dia 19 de Novembro, e apesar de não ter ido a Lisboa buscar o concelho, Paulo Queirós, contou: “lembro-me de sentir uma grande emoção, foi difícil conter as lágrimas”.

Também Paulo Serra, líder concelhio do CDS, frisou a importância da autonomia da Trofa: “passou-se de facto muita coisa nestes últimos 10 anos e bem, porque melhorou bastante o concelho da Trofa. E mudou essencialmente porque nos tornamos independentes de um concelho que não fazia nada por esta região, só por isso já valeu a pena”.

“Eu estava na Assembleia da República na altura em que foi proclamado o concelho da Trofa e senti uma alegria enorme como naturalmente todos os trofenses sentiram”, acrescentou.

As comemorações estendem-se até ao dia 14 de Dezembro com música, actividades desportivas e exposições.

Trofenses vestiram-se de gala

Glamour e requinte marcaram a gala Trofa 10 anos com que a autarquia deu início às comemorações do aniversário do concelho.

As toilletes não passaram despercebidos ao olhar atento da estilista trofense Micaela Oliveira. “Acho que as pessoas estão muito bem vestidas, porque as pessoas no seu dia-a-dia vestem-se mais descontraídas e hoje estão com a imagem um pouco mais cuidada”, avaliou.

Para a estilista foi “uma honra participar neste jantar, porque é uma situação inédita aqui na Trofa, tenho de dar os parabéns porque está muito bem organizado, mesmo em termos de espaço, dou os parabéns à Câmara da Trofa, porque realmente estamos em mudança, e este jantar faz parte da mudança”, afirmou.

Entre os 1100 trofenses estavam membros de movimentos associativos, empresários, políticos e trofenses anónimos, que recordaram o momento da independência e as mudanças que se registaram nestes últimos anos.

Alice Pinto, responsável pela Associação Recreativa e Desportiva do Coronado, frisou a importância de “participar em tudo o que acontece no concelho para que a Trofa melhore a todos os níveis”.

Já Fernando Monteiro, presidente do Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado lembrou as mudanças que ocorreram no concelho: “a Trofa mudou muito mas ainda continua a precisar de mudar mais um pouco, ainda não atingimos a bitola que merecemos e que temos direito”.

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