Para 2012, a GNR tinha o objetivo de diminuir entre dez a 15 por cento da criminalidade no concelho da Trofa. Conseguiu-o no número de furtos. Crime violento subiu ligeiramente, enquanto os casos de violência doméstica e acidentes rodoviários baixaram.

 Em 2012, o número de furtos na Trofa diminuiu dez por cento relativamente ao ano anterior. De acordo com os dados fornecidos pelo destacamento territorial da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Santo Tirso, o ano passado registaram-se 272 os assaltos a veículos, em veículos, a residências e a edifícios comerciais, menos 30 que em 2011. Mas não foram só os furtos que diminuíram no mesmo período. A GNR também registou a redução de casos de violência doméstica, de crimes contra pessoas e de acidentes rodoviários.

Os roubos, considerados crimes violentos, pois acontecem mediante violência física ou verbal, tiveram um ligeiro aumento: em 2012 registaram-se 17 (14 por esticão e três na via pública), mais quatro que no ano anterior.

Para Flávio Sá, comandante do destacamento da GNR de Santo Tirso, de uma forma geral, estes números merecem uma análise “positiva”, já que “foi possível estabilizar a criminalidade, tendo em conta a questão social do País, conseguindo mesmo diminuir em algumas situações”.

Para a redução de alguns indicadores em muito contribuiu “o policiamento de visibilidade e a ação junto das pessoas, para que tomem cuidados”, adiantou.

“A partir de dados de anos transatos, reforçamos o policiamento em dias, horas e locais propícios a ocorrer mais furtos e o resultado está na diminuição dos delitos”, afirmou o militar. O “grande objetivo” da GNR para 2012 era “diminuir entre dez e 15 por cento” a criminalidade no concelho da Trofa.

 Trofa é um dos concelhos mais seguros do distrito

 Mediante os dados recolhidos, é possível à GNR afirmar que a Trofa, à escala distrital e tendo em conta a média de crimes na região, é um dos concelhos mais seguros. “Isto porque as pessoas também têm algum cuidado e sabem que normas adotar ao nível da segurança”, frisou Flávio Sá.

Alertada pela possibilidade de a crise poder ter impacto e contribuir para o aumento da criminalidade, a GNR adotou estratégias para inverter a tendência. Os efeitos da austeridade notaram-se logo de 2010 para 2011, quando as infrações ao código da estrada por veículos que circulavam sem inspeção e sem seguro “quase duplicaram”. “Quer queiramos quer não, com a austeridade, desemprego e com as pessoas a querer dinheiro para as suas necessidades básicas, há muitas delas que se dedicam ao crime. Tínhamos como objetivo que a criminalidade não disparasse em 2012, tentando estabilizá-la ou até mesmo baixá-la”, explicou.

A estratégia apresentou alguns resultados satisfatórios, pelo que o destacamento vai mantê-la para 2013, tentando baixar os índices de criminalidade, principalmente a mais violenta. A sensibilização à população também será uma das principais condutas da GNR.

 Número de detenções aumentou

 Outro dos dados com que a GNR se congratula é no número de detenções, “muitas delas evitando a consumação do crime”. Em 2012 houve mais 48,7 por cento das detenções relativamente ao ano anterior e para este número em muito contribui os indivíduos apanhados a conduzir embriagados ou sem habilitação legal (mais 80 por cento que em 2011). Estes resultados, afirma Flávio Sá, “revelam uma grande eficácia policial no combate ao crime”.

Também houve um acréscimo de detenções em flagrante delito, o que, indiretamente, se repercutiu no aumento de crimes contra o património. “Muitas detenções feitas pela Guarda foram a indivíduos a tentar furtar estabelecimentos comerciais, residências e viaturas. Na altura, a GNR conseguiu apanhá-los, fez a detenção e o auto de notícia foi inserido no crime contra o património”, explicou Flávio Sá.

“Maior patrulhamento e maior número de operações de fiscalização” são dois dos fatores preponderantes para estes resultados.

 Número de acidentes cai 33 por cento em dois anos

Em 2010, registaram-se 587 acidentes nas estradas da Trofa. Em 2011, os números da sinistralidade baixaram e a mesma tendência verificou-se em 2012, mesmo com “o aumento do tráfego das estradas nacionais, especificamente na EN14”, afiançou Flávio Sá. O ano passado houve 396 acidentes, menos 17 por cento que em 2011 e menos 33 por cento que em 2010. O número de feridos ligeiros quase diminuiu para metade (102 em 2011, 56 em 2012), registando-se ainda um morto e dois feridos graves.