A qualidade de vida na nossa cidade tem vindo a demonstrar um acentuado decréscimo: esta é uma evidência que nenhum de nós poderá negar. As doenças que a enfermam são variadas e não cuidamos de pretender referirmo-nos a todas elas.

Os problemas estendem-se a todo o concelho. Apesar de todo o conjunto de publicidade institucional que nos é  impingida em magníficos outdoors e em "notas informativas" que com regularidade chegam à caixa de correio de todos os trofenses, não podemos descurar em analisar o óbvio. Apesar de todo o cenário idílico que nos é dado com alguns laivos de propaganda política, apesar das auto-aclamadas "vitórias pessoais" dos nossos governantes camarários em assuntos e questões em que todos os quadrantes da sociedade civil e de todos os espectros políticos (sejamos francos!) se empenharam num esforço bairrista, convém voltar a centrar a questão fundamental naquilo que nos preocupa, dia após dia.

Em primeiro lugar, não deixa de causar vergonha, repulsa e um certo grau de receio e mal-estar aos munícipes que frequentam o centro da cidade, o assinalável novo acréscimo de toxicodependentes, com todas as implicações que tal situação traduz: aumento da conflituosidade social e acréscimo da criminalidade. E é esta uma criminalidade que, de modo particularmente directo, nos afecta. Aliás, não parecerá despiciendo referir que nunca, em qualquer outra ocasião da vida da Trofa, se assistiu a tamanha onda de violência contra a propriedade privada: são os actos de vandalismo, são os roubos, são os furtos…

Nada nem ninguém poderá declarar-se a salvo. O apetite, de forma muito vincada, pelos metais, é voraz: grades, janelas, portões, torneiras, fios eléctricos. Todos os objectos estão sobre a mira dos assaltantes, que, todos sabem e as nossas forças de autoridade locais também não escondem, são os toxicodependentes que "vivem" ou "sobrevivem", quais ervas daninhas, no Parque da Nossa Senhora das Dores, e em toda a zona envolvente ao Catulo, o ponto central da Trofa. Os trocados que rendem a estes indivíduos o objecto do crime (bens vendidos, bem sabemos, a muitas empresas de sucatas do nosso próprio concelho), darão o suficiente para a "dose" diária. Isto, a troco de avultados prejuízos para as vítimas destas indesejadas "visitas", que raramente se vêm ressarcidas do mal que lhes é infligido. Não obstante, não logramos deixar de equacionar que um investimento da autarquia na criação de espaços físicos fechados de tratamento e recuperação destes autênticos "farrapos humanos" (como é hábito dizer-se), traria uma significativa mais-valia para a Trofa (que assim se livraria da decadente imagem que deixa no espírito de todos quantos nos visitam, que consideram a cidade "humanamente suja"), e o apaziguamento social, com a consequente diminuição da criminalidade.

Preocupação igualmente comungada por quem frequenta o centro da Trofa, prende-se com a gritante falta de estacionamento durante o Verão. Iniciada a época de Feiras, Exposições, Festas e afins, recheadas de actividades que muito nos enriquecem e alegram, o Parque de Nossa Senhora das Dores deixa de poder contribuir para o aparcamento de viaturas. Ora, é certo que não existem outros parques de estacionamento, sejam eles públicos ou privados, sendo, também, certo que existem bastantes limitações ao estacionamento nas ruas envolventes (a maioria das quais, com estacionamento proibido). Assim sendo, como se farão transportar as pessoas que ainda frequentam o nosso comércio tradicional, assinalada a inutilidade de utilizarem viaturas automóveis, por falta de estacionamento? Onde reside a alternativa? Estamos em crer que esta atitude pouco reflectida, é um torniquete que levará, inexoravelmente, ao enfraquecimento e posterior extinção de muitas casas de comércio tradicional da Trofa.

A propósito, já se encontra este mesmo comércio tradicional suficientemente ameaçado pela proliferação de novas grandes superfícies, muitas delas localizadas no local onde o executivo camarário declarou, em tempos, criar uma nova centralidade: não restam de dúvidas de que se trata de um novo hiper centro, novo, modelar, "de plus en plus"! Mas, apesar de defensores do funcionamento das regras de mercado, também entendemos que deve esse mesmo mercado ser regulado, e não depender unicamente da lei do mais forte. Acresce que o que nos parecia já mau, tornou-se, efectivamente, em muito pouco tempo, bem pior: assistimos ao dantesco descaracterizar da morfologia urbana da Trofa, com a construção de rotundas em pontos das vias de comunicação cujas vantagens não são claramente perceptíveis (pelo menos, para a generalidade da população). A utilidade é dúbia; a estética, porém, é inexistente.

Assim sendo, fica uma névoa de dúvidas por entre o caminhar dos trofenses: para onde caminhamos? Quem nos conduz? Teremos visibilidade suficiente para nos apercebermos do precipício antes que nele nos despenhemos? Trofa…