A comparação entre a situação política nacional e a situação política local apresenta aparentes (e só aparentes) contradições que merecem alguma atenção.

Na passada edição escrevi sobre a convergência objectiva entre a actuação do governo e da câmara da Trofa.  Dei como exemplos a propaganda e a demagogia que ambos usam sobre a criação de postos de trabalho e sobre questões de modernização.

Assim como o governo cedeu sobre a realização de estudos para o novo aeroporto de Lisboa, para seguir a tal lógica de sintonia entre a câmara e governo, também se deveriam estudar outras hipóteses sobre a localização dos futuros paços do concelho.

Acontece que sobre o novo aeroporto de Lisboa houve e há uma grande mobilização, mesmo de gente da área do PS, que não aceitou a imposição da opção OTA.

No que diz respeito à localização dos futuros paços do concelho, algo tem sido diferente e não há ainda recuos da câmara porque não tem havido protestos suficientes.

A câmara diz ter estudos mas não os mostra.

Muitos trofenses, mesmo da área do PSD, não estão de acordo com esta decisão/imposição e não percebem porquê que não se mostram os estudos feitos.

Há bem pouco tempo o presidente da junta de freguesia de Santiago de Bougado, que votou favoravelmente esta decisão na Assembleia Municipal da Trofa, fez publicar nos jornais locais uma "carta aberta" sobre o assunto.

Por várias vezes um ex-vereador e ex-presidente da concelhia do PSD também escreveu várias criticas à forma como a câmara conduziu este processo.

 

Acontece que, em outras alturas, noutros momentos políticos, quando os objectivos políticos pessoais imediatos de alguns eram outros, criaram-se condições para fazer recuar o governo, a comissão instaladora e a própria câmara.

Hoje parece ser diferente.

A CDU propôs na Assembleia Municipal que se reconsiderasse a localização, o presidente da Câmara fez de conta que não ouviu.

O PS que esteve a favor na Câmara, absteve-se na Assembleia Municipal e aparece comprometido nesta decisão de construir na zona do Catulo os paços do concelho sem conhecer qualquer estudo que sustente esta opção.

O CDS continua sem conseguir ter qualquer diferença ou divergência com as decisões politicas da Câmara.

O PSD mantém uma obediência e uma apatia que têm favorecido o avanço desta opção.

Para agravar tudo, ainda sem que se conheçam os estudos que a câmara diz ter, foi convertida a empresa municipal Trofa-Park numa empresa de reabilitação urbana, com o argumento de agilizar os processos de licenciamento. É um argumento falso porque a Lei da Sociedades de Reabilitação Urbana permite à câmara usar dos mesmos mecanismos que agilizam os licenciamentos.

Acontece que a empresa municipal Trofa-Park, que tem custos bem significativos para o concelho, foi criada para construir a ALET, depois alargou-se o âmbito para permitir a construção das piscinas e agora também os paços do concelho.

Com todas estas alterações e as decisões recentes está a ser criada uma central de obras do concelho da Trofa. Quantas mais obras vão concentrar na Trofa-Park?

E já agora, têm mesmo estudos sobre as várias localizações possíveis para os paços do concelho? Porquê que não os mostram?

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com/