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Edição 729

Trofa: A pandemia não “passa por aqui…”?

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A pandemia fustiga o mundo há largos meses e não dá tréguas! Um pouco por todo o lado, vai-se sentindo o seu efeito, quer ao nível psicológico, quer ao nível material, com alguns negócios a sobreviverem, mas uma grande parte deles a passar por dificuldades extremas. Muitos empresários estão de “pés e mãos atados”, sem possibilidade de ação, dos quais se destacam os dos setores dos eventos, turismo e restauração, mas que, silenciosamente, se estende a outros mais. Definitivamente, a vida tal e qual estávamos habituados está a alterar-se de forma compulsiva e possíveis reações individuais têm um caráter muito limitado – é preciso o Estado!

O Governo central de Portugal tem lançado medidas concretas de ajuda, numa primeira fase descoordenadamente, dada a surpresa do fenómeno pandemia, mas gradualmente foi fazendo ajustamentos.

Desde logo com o lay-off para pagamento dos vencimentos a funcionários e, ainda, com reduções nas contribuições para a Segurança Social, apoios para os vencimentos dos trabalhadores independentes e gerentes, linhas de crédito no Turismo de Portugal e no setor bancário, programas de ajuda na adaptação dos espaços físicos à realidade pandémica (Adaptar), programas de apoio à contratação de estagiários, de jovens e de reinserção no mercado de trabalho (Ativar), …. entre outras de menor monta.

Estamos com 9 meses desde o início da pandemia e pela organização territorial de Portugal, como Estado unitário e de princípios constitucionais, estão delegadas nas Autarquias Locais e Juntas de Freguesia competências territoriais, em função da especificidade de cada região, levando muito em conta o seu caráter de proximidade, conferindo-lhes autonomia administrativa para agirem e gerirem de acordo com os seus interesses e vontades. Aliás, por isso mesmo, por essa ânsia de afirmação individual e coletiva, foi alcançada a autodeterminação da Trofa, elevada a concelho há precisamente 22 anos (19 de novembro de 1998).

Desde então, não mais nos podemos desculpar colocando a culpa nos outros, passamos também a ser autónomos, detentores do nosso destino com os ganhos gerados no nosso Município a ficarem à disposição de um Executivo Municipal.

Fiquei, pois, perplexo com a escassez das medidas lançadas pelo executivo de Sérgio Humberto, num período particularmente difícil para a comunidade trofense, das quais se destacam a redução nas taxas do IRS e IMI familiar e na Derrama das empresas. Tal descida de impostos, em percentagens mínimas e “para inglês ver”, só irá ter eficácia real em 2021, lá para meio do ano e na data de vencimento dos referidos impostos. Depois, temos outras medidas “para atirar areia para os olhos dos trofenses”, como a suspensão do pagamento (até ao final do ano) nas poucas centenas de lugares de estacionamento (parcómetros) do centro da cidade da Trofa.

Não querendo ser injusto, até porque poderão ser apresentadas outras medidas posteriormente à publicação deste artigo de opinião, acho que o Executivo Municipal não percebeu a dureza do momento, a angústia das pessoas, consciencializando-se das suas reais responsabilidades consagradas pela própria autodeterminação administrativa. Prefere governar a “conta gotas” com micro medidas eleitoralistas, sem um verdadeiro plano de intervenção municipal e de olho nas eleições de 2021.

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É desigual querermos ombrear com Municípios como V.N. Famalicão, Santo Tirso, Vizela (concelho que se elevou em 1998, ao mesmo tempo que o da Trofa), entre muitos outros, que apresentaram medidas imponentes: linhas de crédito municipais a empresas, apoios ao arrendamento, baixa do preço da água, saneamento e recolha de resíduos sólidos urbanos, apoio complementar a perdas de faturação, vales de apoio ao comércio tradicional e até mesmo serviço de entregas de comida ao domicílio.

Deveria virar-se o Executivo Municipal para as pessoas, para sua realidade, os seus problemas e necessidades, para os seus anseios e expectativas, HOJE, caso contrário vamos continuar com a fama de que o “futuro passa por aqui” enquanto outros ficam com o proveito!

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Edição 729

“Uma pandemia, duas curvas para achatar”

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De uma maneira ou de outra, os quatro trofenses a quem demos espaço nesta edição, vivem, desde março, na linha da frente da luta contra a Covid-19. Uns bem perto, outro noutro país, são, a nosso ver, as vozes mais capazes de transmitir aos leitores aquilo que se está a passar dentro de um hospital, no interior das instituições ou nas habitações de muitos seniores, há muitos meses privados de verem ou abraçarem os entes queridos. Mas também são aqueles que melhor podem desconstruir a pandemia de desinformação que se propaga mais rápido que o próprio novo coronavírus e que, em muitos casos, pode ter implicações graves no esforço de quebrar as cadeias de transmissão da Covid-19, levando a que o trabalho destes verdadeiros “soldados” numa guerra pandémica seja prolongado, já para lá do que é, humanamente, possível.

Este espaço é um alerta para que todos nos mantenhamos comprometidos na luta contra a propagação do novo coronavírus e esse imperativo está vincado nos quatro testemunhos que recolhemos. E isso não é coincidência, é a confirmação de que é premente seguirmos as recomendações das autoridades de saúde.

Este espaço que lhes demos e que lhes dedicamos é também uma homenagem d’O Notícias da Trofa a todos os profissionais de saúde que, desde março, roubam horas ao descanso, às famílias, a eles próprios para salvar vidas. Os heróis têm rosto: estes quatro são disso exemplo.

António Pedro Leal
Enfermeiro Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)

“Uma pandemia, duas curvas para achatar”

Foto: arquivo

“A pandemia faz-nos viver um momento único nas nossas vidas. Um fenómeno inédito (pelo menos para a nossa geração) e para o qual não estávamos preparados. Terminologia como “Covid-19” ou “pandemia” passaram a fazer parte do nosso vocabulário no dia a dia. Na presente data, já ultrapassamos um milhão e trezentas mil mortes e cinquenta e quatro milhões de infetados em todo o mundo. A segunda vaga revela-se avassaladora num período pré-Gripe sazonal, de uma forma transversal todos os países, colocando a nu as fragilidades dos serviços de saúde. As enfermarias, serviços de urgência e unidades de cuidados intensivos estão lotadas, os profissionais são claramente insuficientes e estão exaustos. E isto eu sei porque é esta a minha realidade profissional desde o inicio da pandemia. Vejo os doentes crónicos com receio de recorrer às unidades de saúde cessando a terapêutica e agravando as patologias de base. Vejo, noutros casos, os serviços de saúde a serem claramente incapazes de dar resposta às solicitações. A pandemia trouxe um caos de difícil gestão. Como tentativa de resposta a uma situação inédita e imprevisível, os governos mundiais implementaram políticas (não raras vezes radicais) com o objetivo de controlar ou pelo menos conter a expansão explosiva da doença. O preço a pagar? Desemprego, crise, fome, desespero, revolta e… desinformação. Muita desinformação.

Em Fevereiro de 2020, Tedros Ghebreyesus (Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde) alertava para o fenómeno de “infodemia” (ou epidemia de desinformação) proveniente de teóricos da conspiração e negacionistas. E deixa o alerta: a infodemia dissemina a desinformação e isso prejudica a resposta coletiva à pandemia. De uma maneira geral a mensagem subjacente é sempre a mesma “Sars-Cov-2 não existe, querem-nos controlar”. Fazendo uso das redes sociais e do mundo digital, estas mensagens foram e são amplamente difundidas, criando dúvidas que não deviam existir e alterando radicalmente o comportamento da população, reduzindo ou anulando por completo a eficácia das medidas de saúde públicas implementadas. A repercussão da infodemia é de tal forma relevante que em Agosto a OMS emite um comunicado alertando para o número assustador de mortes diretamente relacionadas com notícias falsas relacionadas com a COVID-19.

A infodemia ganha novas proporções de dia para dia. Grupos e movimentos desenvolvem-se alheios ao conhecimento científico e à fundamentação lógica, alimentando a mentira e comprometendo a saúde individual e coletiva. A ciência, a investigação e o conhecimento médico são descredibilizados para darem lugar a teorias insanas e despromovidas de qualquer verdade. Estas teorias servem de albergue para todos aqueles que ficaram numa posição vulnerável como consequência dramática da pandemia. Acreditar em mitos e em teorias da conspiração são a face visível do desespero com que muitos foram confrontados. Ignoram a evidência. Criar dúvida e negando o que está a acontecer a nível mundial incentiva ao incumprimento das regras mais elementares, permitindo dessa forma a disseminação da doença na comunidade.

O efeito “bola de neve” na Pandemia: Uma doença descontrolada na comunidade significa a implementação de regras cada vez mais rígidas e a privação de direitos, liberdades e garantias. Significa confinamentos e recolher obrigatório. Significa a suspensão do trabalho e a perda de rendimentos. Significa desemprego e fome. Significa uma crise mais prolongada e cada vez mais incomportável. Controlar a progressão da doença só depende de nós, para que a normalidade – ou pelo menos a “normalidade” possível! – perdure até que uma solução definitiva seja encontrada. Grupos negacionistas incentivam o incumprimento e isso coloca-os num papel de responsáveis pelo descontrolo da doença.

Paradoxos do nosso tempo: numa era da informação acessível a qualquer um, até a má informação e a falsa informação têm um espaço. Um texto obscuro anti ciência chega a mais população numa rede social do que uma publicação científica feita num espaço de reconhecida credibilidade. É cientificamente aceite que a desinformação é perigosa para a saúde física e mental da população. Que permite que o medo se instale. Que isola as pessoas. Que destrói todos os ganhos em saúde conseguidos até então. A desinformação inviabiliza o cumprimento pelas mais elementares regras de saúde pública: a etiqueta respiratória, o uso de máscara, a desinfecção das mãos e o distanciamento social. A curva que traduz a progressão da doença acompanha a curva da desinformação. Compete ao Governo e aos seus órgãos consultivos a implementação de uma estratégia eficaz de comunicação, baseada na transparência e na verdade, assentes no “estado da arte” da ciência. Mas acima de tudo na coerência, e convenhamos, nem sempre tal se tem verificado. Medidas avulso tomadas superiormente criam dúvidas e inseguranças na população. E servem, perigosamente, para alimentar a desinformação negacionista. Por isso compete a cada um de nós perceber qual a proveniência de determinado texto ou informação, confirmando a veracidade dos factos, partilhando apenas as informações provenientes de fontes cuja credibilidade é plenamente reconhecida. Com quase um ano de pandemia já todos percebemos que a sopa de alho não cura a COVID19… De onde vem esta informação? Quem assina esta informação? Qual a fundamentação cientifica que sustenta esta informação? É este o espírito crítico com que devemos abordar os conteúdos com que nos cruzamos nomeadamente nas redes sociais.

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Este texto não tem o objetivo de criar alarme ou pânico social. Tem como objetivo criar uma maior consciência nesta época particularmente crítica de expansão da doença, principalmente quando estamos prestes a entrar no Inverno, época tradicionalmente complexa para a saúde. Estamos a caminho das 220.000 infeções e 3.400 óbitos em Portugal e as perspetivas não são animadoras. Temos os serviços de saúde a trabalhar para lá dos limites das suas capacidades. Mas temos também a certeza de que tudo isto pode e deve ser minimizado, dependendo única e exclusivamente de NÓS. Como profissional de saúde, peço-vos algo simples: a utilização da máscara e a etiqueta respiratória, a lavagem e desinfeção das mãos e o distanciamento social são medidas extremamente eficazes e que fazem toda a diferença. Neste momento particularmente crítico, são gestos que revelam elevada consciência social e respeito pelo próximo. Ajudem-nos a ajudar porque ninguém mais do que nós deseja um final rápido deste capítulo das nossas vidas”.

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Edição 729

“Fomos confrontados com a morte de colegas de profissão”

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De uma maneira ou de outra, os quatro trofenses a quem demos espaço nesta edição, vivem, desde março, na linha da frente da luta contra a Covid-19. Uns bem perto, outro noutro país, são, a nosso ver, as vozes mais capazes de transmitir aos leitores aquilo que se está a passar dentro de um hospital, no interior das instituições ou nas habitações de muitos seniores, há muitos meses privados de verem ou abraçarem os entes queridos. Mas também são aqueles que melhor podem desconstruir a pandemia de desinformação que se propaga mais rápido que o próprio novo coronavírus e que, em muitos casos, pode ter implicações graves no esforço de quebrar as cadeias de transmissão da Covid-19, levando a que o trabalho destes verdadeiros “soldados” numa guerra pandémica seja prolongado, já para lá do que é, humanamente, possível.

Este espaço é um alerta para que todos nos mantenhamos comprometidos na luta contra a propagação do novo coronavírus e esse imperativo está vincado nos quatro testemunhos que recolhemos. E isso não é coincidência, é a confirmação de que é premente seguirmos as recomendações das autoridades de saúde.

Este espaço que lhes demos e que lhes dedicamos é também uma homenagem d’O Notícias da Trofa a todos os profissionais de saúde que, desde março, roubam horas ao descanso, às famílias, a eles próprios para salvar vidas. Os heróis têm rosto: estes quatro são disso exemplo.

Marco Silva
Enfermeiro-chefe no Hospital Universitário Luton e Dunstable (Reino Unido)

“Fomos confrontados com a morte de colegas de profissão”

“Este tem sido um ano, anormalmente, difícil. É verdade que tem sido para toda a gente, mais para uns que para outros, e para os profissionais de saúde tem sido não apenas difícil a nível pessoal, mas também muito desafiante a nível profissional.

Para mim, vivendo no estrangeiro, a nível familiar o ano tem sido bastante duro, porque passei de visitas a Portugal a cada dois meses para um ano. Este ano, apenas viajei a Portugal uma vez. Foram oito meses sem ver a família e, neste momento, já vão 4 meses e estou a contar que mais alguns se irão passar.
A nível profissional, o ano tem sido, igualmente, desafiante, infelizmente e por motivos de saúde, durante os três meses em que os casos de Covid eram mais elevados, eu estive a trabalhar a partir de casa, no entanto, isso não me afastou da realidade, muito pelo contrário.

Enquanto enfermeiro-chefe no serviço de urgência, tenho uma noção muito clara da gravidade da doença e do seu impacto na sociedade. Enquanto profissionais de saúde, todos somos preparados para o confronto com a morte, mas ninguém estava preparado para lidar com a morte e com a debilidade em números tão elevados.

No meu hospital, fomos confrontados com a morte de alguns colegas de profissão, assim como outros que estiveram gravemente doentes, tudo isto causa-nos um grande medo, no entanto, e apesar do medo, quase todos mantiveram o foco e deram o seu melhor e, apesar de tudo isto, muitas vezes fomos confrontados com a escolha entre doentes ou com escolhas que poderiam pôr a vida dos doentes em risco.

Como é óbvio, nenhum hospital no mundo estava preparado para esta afluência de doentes e a nossa não era diferente. Por este motivo, a opção feita passou por dividir em áreas, ou seja “Suspeitos de Covid” e “Não suspeitos”, mas isto causa decisões extremamente difíceis, por exemplo, não é de consciência leve que decides colocar um doente imunossuprimido com cancro do pulmão numa área com Covid pelo facto de ele se apresentar na urgência com febre e dificuldade respiratória. Caso o doente, efetivamente, tenha Covid esta foi uma decisão acertada, caso ele não tenha Covid, podes estar a expor o doente a Covid e chegar mesmo a causar a sua morte.

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Neste momento, estamos a passar por uma segunda onda de Covid e a ideia que está a dar é que as pessoas estão a desvalorizar a doença e a dar menos importância às regras de isolamento e de uso de máscara, um erro enorme e do qual muita gente se vai arrepender. Temos que ter a perfeita noção que o uso de máscara não só nos protege a nós, mas principalmente protege os outros, incluindo os nossos familiares.

Todas as semanas sou confrontado com casos de pessoas idosas que, apesar de estarem em isolamento domiciliário, contraíram o vírus que lhes terá sido transmitido pelos familiares diretos que os apoiam com as compras, por exemplo. Ninguém está a salvo e mesmo aquelas pessoas que acham que são mais fortes que o vírus, devem respeitar as regras por respeito para com os outros em especial pelos seus familiares.

Na minha opinião, este vírus está para ficar e mesmo com o aparecimento da vacina não vamos erradicar o vírus nos próximos tempos e o importante é aprendermos a viver com o “novo normal” de forma a reduzir os riscos e permitir uma vida em comunidade o melhor possível.”

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