Desde 15 de Julho, dia em que a lei da Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez entrou em vigor, já foi realizada em 13 mulheres, no Centro Hospitalar do Médio Ave, que presta serviço aos concelhos da Trofa, Santo Tirso e Famalicão.

O Centro Hospitalar do Médio Ave é um dos estabelecimentos de saúde autorizados para a realização da interrupção voluntaria da gravidez até às dez semanas e registou já 13 casos.

Maria José Vieira, directora clínica do Centro Hospitalar, citada pelo Opinião Pública, considerou,  este número um pouco "exagerado" pois "não estava à espera de tantos casos"avançando ainda a possibilidade de uma posterior  avaliação, de forma a confirmar se o número de abortos realizados pelo Centro Hospitalar do Médio Ave é ou não exagerado, comparativamente a outros hospitais portugueses. Quanto ao número de clínicos que se recusam a realizar a interrupção da gravidez, são 14 os objectores de consciência, sendo que existem apenas 16 clínicos na especialidade de obstetrícia do Hospital S. João de Deus. Assim, estão disponíveis dois médicos para a realização dos abortos, e um que se disponibilizou apenas para realizar a datação por ecografia da gestação. Com esta equipa reduzida, já houve situações em que por falta de obstetra, as mulheres foram encaminhadas para o Centro Hospitalar do Alto Ave, em Guimarães, visto haver um "acordo informal" com o hospital. De referir ainda que as mulheres são previamente avisadas da transferência, de modo a darem o consentimento.

Quanto aos dados revelados a nível nacional, de acordo com a Direcção Geral de Saúde, o número total de interrupções voluntárias da gravidez, desde 15 de Julho, dia em que a lei entrou em vigor até 16 de Agosto situa-se nos 526 casos.

Mais de metade, ou seja 53.99 por cento, foram realizadas na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Surgem a seguir as regiões do Norte com 22.24 por cento, Centro com 15.78 , Algarve 4.37 e em último, Alentejo com o registo de 3,61 por cento. Quanto às Regiões Autónomas, a DGS não divulgou números.