Afinal a que festa nos referimos? À Festa do Avante, claro.

  Realizar-se-á em 7, 8 e 9 de Setembro a 31.ª edição da festa do Jornal Avante. Porque motivo se diz, ou dizem os comunistas : " não há festa como esta "? Bem, diremos nós de nossas razões. Não será por grandes nomes do espectáculo terem passado pelos palcos da festa. Ainda não havia Rock in Rio, nem espectáculos em Alvalade com Stones ou Pink Floyd e já desfilavam pela festa nomes enormes da música popular de Portugal e de todo mundo. Só a título de exemplo: – Adriano Correia de Oliveira, Ary dos Santos, Baden Powell, Brigada Vitor Jara, Buffy St. Marie, Camané, Carlos do Carmo, Carlos Paredes, Charlie Haden, Chico Buarque, Da Weasel, Dexys Midnight Runners, Elba Ramalho, Eugénio Finardi, Fairport Convention, Fausto, Fernando Farinha, Gonzaguinha, Ivan Lins, Johnny Clegg, Jorge Palma, José Afonso, Judy Collins, Luís Gonzaga, Luís Pastor, Maria João, Mário Laginha, Mercedes Sosa, MPB4, Pedro Abrunhosa, Pedro Burmester, Richie Havens, Rui Veloso, Santos & Pecadores, Sérgio Godinho, Sérgio Ortega, Sétima Legião, Simone, The Band, Tito Paris, Tom Paxton, Trovante, Vitorino, Xutos & Pontapés etc… Nem será por ser a Festa do Avante pioneira dos outros sons da música em espaço aberto. Lembramos essa estreia  absoluta no Palco 25 de Abril do concerto para piano e orquestra n.º 1 de Tchaikovsky e da imponente abertura 1812, com tudo, até fogo de artifício. Espectáculo único. Absolutamente inolvidável. Nem será por a festa ter um pouco de tudo. Além da música, o teatro, a poesia, os sabores e odores gastronómicos, artesanato, desporto, intervenção e debate político, a cidade internacional…

Não há Festa como esta… porque reflecte um espaço de intervenção política, social e cultural, delineado e edificado por comunistas, pelo seu partido, o PCP, pelo seu jornal, o Avante, onde a criatividade, o esforço, a militância, o orgulho, o combate, a unidade, são os ingredientes dessa força titânica e inexcedível que constrói uma cidade viva de luta e calor humano. Não há festa como esta… porque ela é fruto de um labor organizado que desabrocha paulatinamente das mãos obreiras dos seus militantes, estrutura a estrutura, turno após turno. Assim surgem o avanteatro, os palcos, os espaços das diferentes organizações regionais, os restaurantes, a cidade internacional… Não há festa como esta… porque ela floresce da faina diária, voluntária, generosa e solidária dos homens e mulheres comunistas, de muitos democratas independentes e da juventude, que trocam férias e fins-de-semana por trabalho… Não há Festa como esta…porque ela é forjada no calor da luta, onde a certeza e a esperança andam lado a lado de mãos dadas. Esperança de que é possível um mundo melhor em que o centro das coisas, o objectivo primordial, não seja o dinheiro, mas sim a vida, a vida humana na sua plenitude, em que as coisas importantes, como escreveu o grande poeta Pablo Neruda, são as que têm forma e sabor de pão, e assim serão repartidas: «… / a terra,/ a beleza, / o amor, / tudo isso / tem sabor de pão, / forma de pão, / germinação de farinha, / todas as coisas / nasceram para serem compartilhadas, / para serem entregues como dádiva, / para se multiplicarem…». Certeza de que só da luta dos trabalhadores, dos jovens, dos intelectuais, dos pequenos empresários, dos reformados, dos homens e mulheres deste país, deste Povo e de todos os outros Povos, poderá brotar essa terra mais justa, fraterna, e voltando ao grande poeta chileno, de « …terra e pão para todos, / e então / a vida também / terá forma de pão, / será simples e profunda, / inumerável e pura. / Todos os seres / terão direito / à terra e à vida, / e assim será o pão de amanhã, / o pão de cada boca, / sagrado, / consagrado, / porque será o produto / da mais longa e dura / luta humana.».

A Festa do Avante, organização colectiva dos comunistas portugueses, é apenas um pequeno contributo nesse combate milenar de transformação social para a emancipação do Homem, em busca da felicidade, sempre na conquista dessa terra e desse pão. Por isso…não há festa como esta…

 

Atanagildo Lobo.