Na primeira temporada como treinador principal, Pedro Pontes conseguiu cumprir o objetivo do Bougadense e salvá-lo da descida de divisão. O técnico fez o balanço da temporada.

Depois da derrota por 3-1 frente ao Ermesinde, na 7ª jornada da série 1 da 1ª Divisão da Associação de Futebol do Porto, já muito se conjeturava relativamente ao futuro do Bougadense. Ao ver a equipa com dois pontos em sete jogos, muitos apostavam que a descida de divisão era o desfecho certo para o clube. A época não começava bem para o treinador Luciano Simões que, justificando cansaço e o vazio de ideias para inverter a tendência dos resultados, abandonou o comando técnico da equipa sem antes deixar o desafio ao treinador-adjunto para que tomasse conta do plantel. A primeira ideia de Pedro Pontes era acompanhar o “mister” na saída, mas depois de também ser convidado pela direção, decidiu encarar a aventura.

Na 8ª jornada tomou as rédeas do grupo, conseguiu um empate (2-2 frente ao Aliança da Gandra), mas a vitória só surgiu na 11ª ronda. A temporada não foi pacífica, mas a verdade é que o Bougadense terminou o  campeonato na 15ª posição, com 35 pontos, garantindo a manutenção. Apesar de ter sido “por linhas travessas”, o objetivo foi cumprido a três jornadas do fim, pelo que Pedro Pontes faz um balanço “positivo” da temporada.

Quando tomou conta da equipa, a principal dificuldade do técnico foi motivar um grupo composto por vários jovens, pouco experientes, e sem nenhuma vitória. O trabalho de acompanhamento feito nos treinos, a par da tática, foi essencial para estimular os jogadores. “Normalmente, os vencidos procuram uma desculpa para a derrota, mas nós tentamos uma solução. E encontramo-la mesmo com dificuldades, que passavam, muitas vezes, por treinar às 21.30 horas, porque as camadas jovens treinavam no mesmo campo, ou por treinar com apenas 12 ou 13 jogadores”, contou em entrevista ao NT.

Pedro Pontes acredita que “é a forma como se motiva” que marca a diferença num jogo e o facto de ser jovem – tem 31 anos – ajudou a compreender um grupo jovem cheio de vontade de vencer, mas impotente na hora de decidir. O apoio da direção foi uma constante, garante o treinador, que compreende a atual situação dos clubes amadores em Portugal e a ausência de fundos para responder a todas as necessidades: “Temos três ou quatro diretores que fazem o que podem e que tentam estar sempre presentes e isso é importante”.

O voto de confiança que o presidente Adalberto Maia e restante direção depositaram em Pedro Pontes foi renovado com o recente convite para continuar no comando técnico. O treinador aceitou, mas ainda não sabe “em que condições” vai trabalhar na próxima época, relativamente aos jogadores que transitam para a temporada que se segue e os que abandonam o clube. “Eu pedi à direção para falar com todos os jogadores do plantel, mas não sei se vão aceitar ficar, por isso não sei se vou poder contar com 15 ou se terei que construir uma equipa nova, o que não deixa de ser desafiante”, acrescentou. Uma coisa parece certa: o técnico pretende continuar a apostar nos jovens, pois considera serem eles “o futuro” do Bougadense e dos outros clubes. “Os jovens nunca ganharam nada e querem vencer e são eles que temos de ajudar, porque se não tiverem uma oportunidade para jogar nunca poderão ser experientes”, sublinhou.

Apostar nos jovens não é incompatível com subida de divisão

“Os clubes não podem mais sobreviver como o fizeram até hoje”. Para Pedro Pontes a realidade que se viveu há alguns anos, em que se pagavam ordenados elevados a jogadores amadores não vai existir mais. Por isso, há que potenciar as camadas jovens e “encontrar os melhores talentos, trabalhando-os”. O técnico sentia que “havia uma divisão muito grande entre o departamento de formação e o plantel sénior”, pelo que decidiu lutar para que houvesse “uma maior união” e para isso “colocava sempre três ou quatro jogadores juniores a treinar com a equipa principal, para os motivar”.

Muitos ganharam lugar na equipa e jogaram mesmo quando o clube ainda lutava pela manutenção, porque o treinador é apologista que “as pessoas só evoluem em ambientes adversos e não quando tudo está facilitado”. A política que defende para o Bougadense, também deve ser seguida pelos outros clubes, defende, até para “baixar custos e atrair mais pessoas aos campos”.

Mesmo aqueles emblemas que apostam na subida de divisão podem apostar nos jovens. “A competência não se mede diretamente pela idade, eles podem ser competentes, jovens e ganhar”, complementa. Por isso, essa meta não é descartada pelo técnico, que afirma que “o objetivo de qualquer treinador é ganhar todos os jogos e se assim for podemos subir de divisão”. 

Um treinador “por acaso” 

Pedro Pontes tem 31 anos e é de Alfena. Tem um longo passado como jogador amador e profissional, tendo alinhado no Tirsense, Aliados de Lordelo, Leixões, Castêlo da Maia e pelo meio ainda conta com uma estadia na República Checa, onde jogou na Liga Profissional. Uma grave lesão no joelho fêlo “pendurar as chuteiras”, depois de três operações, com 28 anos. É apaixonado pelo desporto e, para além do futebol, também divide os seus tempos livres pelo BTT e surf. A ligação com o Bougadense aconteceu “um pouco por acaso”, pois o objetivo inicial era chegar ao clube para jogar, mas teve de recusar “por não ter condições de fazer 30 jogos numa época”. Luciano Simões, o então treinador há três temporadas, não se contentou com a “nega” e desafiou Pedro Pontes a ajudar a coadjuvar a equipa. “Vim para aqui com todo o gosto. Este ano surgiu a oportunidade de ser o técnico principal e como a perder tinha pouco, restava-me lutar para vencer e foi isso que acabou por acontecer.

E quem sabe, até posso dar um bom treinador”, vaticinou, entre risos.

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