Aumento salarial e fim do trabalho ao sábado fazem parte das reivindicações.

Joaquina Silva diz, em jeito de brincadeira, que “já tem uma costela” na Preh. Trabalhadora desta empresa “há 46 anos”, integrou o grupo de cerca de meia centena de pessoas que se manifestou em frente à empresa, no dia 8 de março.
A greve, aplicada em cada duas horas por turno durante um dia, tinha como objetivo a luta “contra a discriminação salarial e a bolsa de horas” e a reivindicação por “aumentos salariais”. “Ganhamos pouco em relação ao que trabalhamos e o aumento que recebemos vai para os descontos, nem se dá por ele”, afirmou.
Daniel Sampaio, dirigente sindical, explicou que “nos últimos seis anos, esta empresa ultrapassou os 75 milhões de euros de lucro e está a aplicar ajustamentos salariais muito longe de manter o salário real que não dá uma média de um por cento por ano”.
Apesar de o fazer “há 11 ou 12 anos”, Joaquina Silva também foi um dos rostos contra o trabalho aos “sábados”. No rol de reivindicações está também “a gestão legal da bolsa de horas”. Segundo Daniel Sampaio, os trabalhadores já demonstram “saturação”, porque “já perceberam que desta forma também estão a ver reduzido o seu salário”.
A dimensão da precariedade na empresa também não agrada aos trabalhadores. Daniel Sampaio afirmou que a empresa “tem recorrido, sistematicamente, a trabalho temporário, mesmo tendo todas as condições para ter as pessoas numa situação de efetividade”, chegando ao ponto de “atingir 50 por cento em relação ao total dos trabalhadores”. Segundo números do sindicato, “a Preh Portugal emprega 724 trabalhadores na área da produção direta, sendo 362 permanentes, 158 com contrato a termo certo e 204 são de prestadores de serviços”.
A TrofaTv tentou ouvir a administração da Preh, mas esta não quis prestar declarações.