O fenómeno da toxicodependência ainda não assume proporções preocupantes no concelho da Trofa, mas o problema tem vindo a crescer, especialmente junto das escolas, revela um estudo pioneiro hoje divulgado no mais novo município do distrito do Porto.

«A situação da toxicodependência no concelho não é grave, temos problemas como todos os concelhos que nos circundam, mas queremos actuar já para que no futuro não surja nenhum cenário mais grave», afirmou à Lusa o presidente da Câmara da Trofa, Bernardino Vasconcelos.

Nesse sentido, a autarquia promoveu a realização de um estudo, inédito nos municípios portugueses, que faz o diagnostico do concelho e traça as prioridades e estratégias a seguir.

A realização deste estudo, a cargo da Quaternaire Portugal, teve como objectivo permitir maior celeridade e eficiência no trabalho que está a ser desenvolvido ao nível da prevenção e combate à toxicodependência.

«Este documento permite ter um conhecimento profundo e real da situação do concelho na área da toxicodependência para podermos actuar onde é verdadeiramente necessário«, salientou Bernardino Vasconcelos.

Para o autarca, »é muito importante perceber e conhecer a realidade, quem são os toxicodependentes do concelho, de onde vêm e qual o seu enquadramento social«.

O estudo, intitulado 'Toxicodependência no concelho da Trofa:

práticas, perfis, percursos e intervenções', refere que o problema está actualmente muito disperso pelo território do concelho, surgindo como principais focos de consumo o parque existente no centro da cidade e a estação ferroviária.

Apesar de ainda não ser considerado problemático, o problema da toxicodependência na Trofa »está a crescer«, especialmente junto às escolas.

Por essa razão, Bernardino Vasconcelos frisou que a autarquia »aposta na prevenção e na sensibilização de crianças, jovens, pais, educadores e professores para os perigos da toxicodependência«.

«Para combater o flagelo da toxicodependência é fundamental prevenir, esclarecer e alertar os mais novos para que no futuro possam autonomamente tomar decisões acertadas», acrescentou.

Bernardino Vasconcelos frisou, no entanto, que o esforço que tem vindo a ser desenvolvido nesta área «é efectuado a expensas da autarquia, sem qualquer apoio financeiro do Estado».

A Câmara da Trofa, concelho a cerca de 30 quilómetros do Porto, assinou em 2003 um protocolo com o Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IPDT), que assegurou o financiamento estatal para o desenvolvimento de um plano integrado de prevenção, que incluía acções de prevenção e sensibilização nas escolas.

O protocolo terminou em 2005, mas a autarquia decidiu manter este programa de prevenção da toxicodependência nas cerca de duas dezenas de escolas de ensino básico do concelho, assegurando integralmente o seu financiamento.

As conclusões do estudo hoje divulgado, que abrangeu alunos das escolas da Trofa com idades entre 10 e 17 anos, indicam que 11,4 por cento dos jovens inquiridos afirmaram já ter experimentado drogas, maioritariamente haxixe.

Este consumo abrange maioritariamente os rapazes, sendo a maior prevalência entre os alunos do 8/0 e 9/0 anos de escolaridade.

Os inquéritos realizados permitiram ainda concluir que o início do consumo de drogas está relacionado com diversos factores, como a ausência de locais de lazer e a falta de acompanhamento por parte de pais e professores.

Na apresentação deste estudo foi ainda divulgado que se encontram actualmente em tratamento de substituição por metadona 15 toxicodependentes no Centro de Saúde da Trofa.

A caracterização dos indivíduos envolvidos no programa de tratamento naquela unidade de saúde refere que se trata maioritariamente de homens, solteiros, entre os 41 e os 48 anos, desempregados e que foram encaminhados pela família para o tratamento.

A freguesia de S. Martinho de Bougado é a que tem mais toxicodependentes em tratamento, seguindo-se a freguesia de S. Romão do Coronado.

No quadro do combate à toxicodependência, a Câmara da Trofa, em articulação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, aderiu ao Programa Vida-Emprego, que visa promover a reinserção social e profissional de toxicodependentes através da sua colocação em serviços camarários.