Contra o aterro na Trofa, todo o povo gritou. Demonstramos a força de um povo pela prática e relembramos que o povo é quem mais ordena e isso não assentou bem com quem manda, porque quer continuar a mandar. Porque tal como quando as ovelhas descobrem a força que têm ao lutarem juntas contra o lobo, na Trofa as ovelhas juntaram-se e venceram até a matilha de lobos que está na Câmara Municipal da Trofa. Muito mais se pode avançar neste país se começarmos a domar os lobos que estão metidos por esse país fora. Na Trofa e no país, está nas mãos do povo – organizar, lutar e avançar.

Fomos movidos pela defesa do meio ambiente, pela paixão pela natureza do verde da floresta ao azul cristalino da Lagoa de Coura em Covelas. Ao caminhar pelo meio de nenhures na floresta libertarmo-nos dos problemas do mundo urbano – do barulho e da confusão, da altura imponente dos prédios de ferro e betão armado. A tranquilidade, paz e qualidade de vida de uma freguesia que já muito sofreu com a fábrica da Savinor, e que continua a sofrer, ao contrário de comunicados da Câmara, esses valores, essa paz e preservação do meio ambiente não podem ser postas à venda por dois milhões ou por nenhum valor.

Mas a culpa de todo o mal de Covelas não está na construção do aterro sanitário. Está no esquecimento a que remeteram a freguesia e no tratamento de segunda ordem que recebe. Está também na questão do eucaliptal que todos os anos é um rastilho de problemas, de destruição do sustento de muitos e destruição de meio ambiente, fauna e flora. O povo sabe disto e sente-o na pele todos os anos, e também está nas suas mãos mudar isso.

Na luta contra o aterro, até o Padre ajudou. Na Trofa, todos aqueles que lutam do lado certo da barricada, os que pugnam pela justiça e lutam ao lado do povo, sofrem com calúnias e difamações. No tratamento a velhos ou novos inimigos a tática é a mesma, a destruição da reputação e da vida de uma pessoa. Que estejam preparados os avençados na cartilha da Câmara Municipal, que quando se não mostrarem mais úteis, ou se rebelarem, saberem que são descartáveis. Já o povo defender quem nos defendeu, nesta situação, não é uma questão de crença ou religiosidade, mas sim de justiça e de defesa da honra. Questão de crença na força da luta popular de um povo Trofense.

Afinal, quando todo o povo gritou e até o padre ajudou, avançou Covelas!