Decorria o ano de 1860, concretamente o mês de janeiro e na passagem do dia 27 para o dia 28, quando ocorreu um acontecimento marcante para a comunidade de Santiago de Bougado.
Nessa noite, num terreno situado no lugar da Lavadeira na respetiva freguesia, era encontrado, quase sem vida, Domingos Dias de Paiva, que era residente na freguesia de S. Martinho de Bougado.
A vítima apresentava ferimentos graves na cabeça, estava, possivelmente, em estado de choque, porque não conseguia falar, sendo socorrido no imediato pelo Administrador do concelho de Santo Tirso. Recordo que o Administrador Municipal era um cargo diferente do cargo do comum Presidente de Câmara, era sobretudo responsável por fazer a ligação entre o poder local e o poder municipal e a sua eleição para o cargo era uma miragem, atendendo a ser por nomeação, estamos perante um cargo de confiança política.
Ao contrário do habitual para a época, os suspeitos foram logo identificados, tratava-se de dois irmãos, Manuel da Costa Cruz e Joaquim da Costa Cruz, que eram filhos de José da Costa Cruz, todos habitantes de Santiago de Bougado.
A detenção dos agressores aconteceu com rapidez e, prontamente, foram enviados para o juízo de direito para serem ouvidos e dar início ao processo.
As fontes da época não informaram mais sobre o estado da vítima, apenas teve eco esta situação no boletim do Governo Civil e também no Diário do Governo, recordo que a imprensa ainda não era evoluída como hoje e já se passaram mais de 160 anos e o tempo é inimigo da memória.
Fundamentalmente para a história fica mais um caso de extrema violência, em que um indivíduo foi espancado por outros dois e ficou abandonado à sua sorte e que possivelmente seria o intuito de o deixar naquele local para caminhar motivada pela falta de auxílio para o perpétuo descanso.
Numa súmula dos acontecimentos, é de fácil perceção que a violência é transversal à Humanidade, não é de posse das gerações mais atuais como muitos tentam fazer transparecer e, inevitavelmente, ela poderá ser uma certeza na sua comunidade.