Adalberto Maia fez um balanço positivo da época, que culminou com a manutenção da equipa sénior e com o pagamento de boa parte do passivo. 

“Foi uma época positiva, dentro do previsto”. Esta é a convicção de Adalberto Maia, presidente do Atlético Clube Bougadense, que, em entrevista ao NT, se mostrou “satisfeito” com o cumprimento do principal objetivo, a manutenção na 1ª Divisão distrital, garantida a quatro jogos do fim.

Apesar da “chicotada psicológica” com a saída do treinador Luciano Simões, a direção faz um balanço positivo do campeonato, que foi “salvo” pelo técnico-adjunto Pedro Pontes. “Gostei do trabalho dele. É um miúdo competente, conhecia a equipa, conhecia os atletas. Vê-se que quer aprender, tem muita vontade e com o saber que tem conseguiu levar o barco a bom porto. Não valia a pena estar a mexer muito, pois ficava caro e assim mantivemos o mesmo grupo e o orçamento ainda mais baixo”, explicou.

A decisão é unânime e a garantia é a de que Pedro Pontes será o treinador do Bougadense na temporada 2012/2013. Aliás, a direção do Bougadense não só quer garantir a continuidade do “mister” como também a do “núcleo duro” do plantel. Depois, é só completar o plantel com “cinco ou seis” jovens oriundos das camadas jovens.

Outro dos obstáculos vividos pelo clube de Santiago de Bougado foi gerir o “escasso” número de jogadores disponíveis para competir, tendo o clube “pescado” alguns jogadores dos juniores que, sublinhou Adalberto Maia, “é o maior suporte” do emblema. O feedback dos atuais jogadores para a continuidade, frisou, foi positivo: “Eles mostraram interesse, desde que cumpramos com o acordado, mas podem estar descansados, porque é para cumprir. Não vamos entrar em loucuras nem trabalhar com valores como há tempos”.

A continuidade de Pedro Pontes também está bem encaminhada, até pelas declarações que o treinador prestou ao NT, recentemente. Quanto à próxima época, Adalberto Maia afirmou que não vai enjeitar uma possível subida de divisão, no entanto, sublinha, “o mais importante é garantir a estabilidade do clube e geri-lo da melhor forma, assegurando os salários em dia e o corte nas dívidas que o clube ainda tem”.

O responsável pelo emblema bougadense garantiu que o clube já conseguiu cumprir com grande parte do passivo que acumulou nos últimos anos e que, neste momento, faltam liquidar “entre 30 a 40 mil euros”. O relvado sintético, que obrigou a um enorme esforço financeiro do Bougadense, “está pago”, assegurou Adalberto Maia, e para isso “contou com a ajuda de muita gente, como de mecenas, da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia e até do pároco”. As verbas que estão em dívida prendem-se, fundamentalmente, com “casos de rescisão de jogadores, equipamentos e dois meses de ordenados em atraso”. O presidente do clube espera liquidar grande parte do que falta com o apoio da autarquia, que também “dará para preparar a próxima temporada”.

É “difícil” uma parceria com o Trofense 

É uma história antiga, mas nunca conheceu desenvolvimentos. A parceria entre o Atlético Clube Bougadense e Clube Desportivo Trofense nunca se consumou e para Adalberto Maia são os sócios que não querem. “Já há uma certa rivalidade entre a massa associativa. Com as direções as relações são as melhores. Eu sou amigo do presidente do Trofense”, garantiu o presidente do emblema de Santiago de Bougado. Adalberto Maia não quis entrar em pormenores, mas referiu a importância que essa parceria representava não só para o Bougadense como para o Trofense: “Ter aqui dois clubes unidos era bom, porque a força seria maior para ultrapassar as dificuldades”. “Alguém tem de dar o primeiro passo”, desabafou, encerrando o assunto.

O presidente do clube espera que os sócios “apareçam” e apoiem o Bougadense: “As cotas baixaram bastante. Os tempos são diferentes e nós percebemos as dificuldades das pessoas. Mas esperamos que os associados voltem em força para apoiar a equipa. Muitos clubes vão fechar as portas e nós estamos a fazer um esforço para manter o Bougadense vivo”. 

Pedro Talaia
Cátia Veloso

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