Implantar as artes no dia-a-dia do cidadão é um dos objectivos da exposição "o que é o teatro?" que inaugurou na passada quinta-feira na Casa da Cultura da Trofa. À exposição, seguiu-se uma tertúlia onde foram deixadas algumas sugestões a António Pontes, vereador da Cultura da autarquia local que prometeu para breve um novo espaço para que se possa desenvolver esta e outras actividades.

   Porque "o teatro é palpitante", a Casa da Cultura da Trofa viveu mais uma noite dedicada às artes. No dia em que se comemorou o dia Mundial do Teatro, foi inaugurada em diversos concelhos do país a exposição "O que é o Teatro?". Além da exposição a Trofa recebeu também alguns actores como Mário Moutinho, Catarina Martins e Jorge Mota que participaram mais tarde numa tertúlia dedicada ao Teatro.

O que é o teatro?, o teatro e theatron, entre o ritual e o teatro, o teatro na festa , cenas de teatro, o tempo no teatro, as palavras do teatro, o actor no coração do teatro, o público: um parceiro imprescindível, quem paga o teatro?, teatro e as outras artes, teatro e tecnologia, lugares do teatro na sociedade, são os temas que guiam esta exposição que estará patente até dia cinco de Abril.

Estes temas guiaram também a conversa da tertúlia, onde para além dos actores, participaram o vereador da Cultura António Pontes, o Grupo de Jovens de Covelas e alguns trofenses.

"A magia continua", disse Mário Moutinho, referindo que a adopção das novas tecnologias no teatro, e "a ligação das diversas artes será o futuro do teatro".

Várias histórias surgiram ao longo das conversas: peripécias em cena, as brancas, a falha de luz, a ligação com o público. Os actores partilharam ainda que com a existência de "uma partitura rigorosa, o nosso desempenho nem sempre é igual", explicou Jorge Mota, porque "o público muitas vezes dá-nos alento".

Para Mário Moutinho "todos os dias o público é diferente" e é isso que condiciona a actuação do actor e "é terrível quando não conseguimos ouvir o público" afirmou.

Catarina Martins vê o teatro como "um espaço de partilha, uma forma óptima de estarmos uns com os outros, a fazer uma coisa que nos dá prazer", afirmou.

Ao longo da tertúlia foram ainda deixadas algumas sugestões como a inserção nas escolas da Trofa de uma disciplina que despertasse o gosto pelo teatro e a criação de infra-estruturas onde possam ser apresentados os trabalhos dos trofenses que gostam de representar.

À margem das comemorações do Dia Mundial do Teatro na Trofa, António Pontes, vereador do pelouro da Cultura, fez um balanço positivo das iniciativas levadas a cabo na Casa da Cultura e prometeu considerar a implementação do teatro na educação, lembrando que em breve a Trofa terá infra-estruturas que possam albergar iniciativas ligadas à arte. "O aspecto das infra-estruturas é também um aspecto importante mas não é determinante, agora se trabalharmos a parte substantiva, se criarmos grupos, tivermos públicos, naturalmente que o espaço aparecerá e vai aparecer e não muito distante da data de hoje", afirmou.

No que diz respeito à integração do teatro no edifício educativo, António Pontes diz já existir referiu apenas a necessidade de o fazer de "uma maneira mais formal". "Penso que era interessante numa primeira fase trazê-lo a título de experiência. Se a câmara vir que houve adesão, se constatar que os alunos gostaram e se desenvolveram outras capacidades com essa actividade, podemos então repercuti-la nas outras escolas e nesta relação que a Câmara tem com os agrupamentos podemos ter a certeza de que na preparação do próximo ano lectivo vamos colocar essa ideia em cima da mesa", concluiu.