Para além das aulas de pintura, inglês, informática e história, os alunos da Universidade Sénior podem cantar e fazer teatro. Grupos culturais foram apresentados nas instalações da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa.

É Natal. É hora de dar as ofertas ao menino Jesus. E nessa incursão vão a padeira, o peixeiro, o carniceiro, a camponesa e, espante-se, o capuchinho vermelho e o lobo mau. Não, não se trata de uma falsificação do presépio mas da primeira peça de teatro apresentada por um grupo de alunos da Universidade Sénior do Rotary Clube da Trofa (USRT).

A performance dos atores foi colocada à prova na primeira sessão realizada na noite de sexta-feira, onde o grupo se apresentou a familiares, amigos e curiosos. Alguns deles, momentos antes tinham já estado no centro das atenções ao figurarem na tuna da Universidade Sénior. Foi uma noite memorável para os responsáveis deste projeto do Rotary que desde a sua conceção sonhavam ver criados estes grupos culturais.

Sob a batuta de Antónia Serra, cerca de 40 alunos compõem a tuna que no espetáculo de apresentação surpreendeu com a interpretação profissional de cinco músicas tradicionais portuguesas e quadro temas alusivos ao Natal. Estes serviram de interlúdio para a peça de teatro que se seguiria e que arrancou muitas gargalhadas da plateia.

 

Depois de anos dedicados ao ensino, Ana Sequeira estava incomodada com a monotonia de casa e mal soube da existência da Universidade Sénior não hesitou em inscrever-se. O gosto pela convivência fê-la aventurar-se no grupo de teatro e na tuna. “As responsáveis são pessoas que nos incentivam muito e andamos muito entusiasmados”, contou minutos antes da estreia.

Quanto ao projeto da Universidade Sénior, onde desenvolve conhecimentos no inglês, espanhol e pintura, não poupa elogios: “Apesar de serem voluntários, os professores dão o máximo. Os alunos também são interessados e como o mecanismo é diferente, pois não temos exames, estamos numa boa e com grande à-vontade. Convivemos muito”.

António Pontes, presidente do Rotary da Trofa, afirmou que “a concretização destes projetos” do teatro e da tuna “exigiu muitas horas de trabalho”, até pelo grau de exigência “das pessoas que estavam a desenvolvê-los” junto dos alunos. “Conhecemos o grau de exigência que a professora Antónia Serra põe no trabalho que desenvolve (tuna), assim como a professora Esmeraldina que também pretende que o trabalho apresentado (teatro) seja bonito e digno do projeto”, salientou.

Para além de se assumir “um espaço de encontro” de pessoas que “ainda têm muito para dar à comunidade onde estão envolvidas”, a Universidade Sénior, onde estão integrados os projetos do grupo de teatro e da tuna, possibilita ainda “a aquisição e troca de conhecimentos em diversas matérias”. “É muito gratificante ver pessoas seniores que ainda são capazes de ir para um palco cantar, trabalhar numa peça de teatro, mostrar algo que porventura durante as suas vidas não puderam fazer”, frisou.

Depois da apresentação dos grupos, o Rotary já prepara as próximas atuações, que pode passar por atividades no concelho ou mesmo fora, através da rede de universidades seniores.