A sustentabilidade ambiental foi um tema altamente debatido na atual década que se finda – e que inclusivamente foi apelidada “Década da Ação” -, por exemplo com a implementação do Plano Estratégico para a Biodiversidade, pela Convenção para a Diversidade Biológica (CBD), através do Acordo para as Alterações Climáticas de Paris ou com o lançamento da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável para 2030, pelas Nações Unidas.

Contudo, talvez devesse ter sido designada como a “Década da Consciencialização”, uma vez que ocorreu um despertar das pessoas, mas muitas metas ficam por cumprir, nomeadamente no que respeita à emissão de gases efeito de estufa, conservação da biodiversidade, eficiência energética, acesso a água potável, etc.

Atingir a sustentabilidade ambiental depende do desenvolvimento de vários setores: agrícola, têxtil, transportes, energético, habitação… Neste sentido, a inovação e desenvolvimento de novo conhecimento tecnológico, a educação e a sensibilização das comunidades desempenharão papeis fulcrais.

A sustentabilidade ambiental será uma ótima oportunidade para atuais e futuros negócios, querem-se empresas equilibradas a contribuir para a economia, sem menosprezar o ambiente e os ciclos naturais. No setor agrícola, vemos, em Portugal, um aumento em hectares de modos de produção mais amigos do ambiente, que podem ser mais ou menos intensivos, que têm como premissa assegurar a segurança alimentar ao mesmo tempo que contribuem para a conservação da biodiversidade e dos serviços de ecossistema.

A produção eficiente de alimentos e outras matérias-primas poderá ser também alcançada com a implementação da agricultura de precisão, salvaguardando ao máximo os recursos naturais. Neste sentido, também os decisores políticos começam a dar os primeiros passos, com a reestruturação dos fundos da Política Agrícola Comum, realocando fundos que incentivem os agricultores que adotem medidas extra na preservação do meio ambiente, por se considerar que estão a contribuir com o fornecimento de bens, além de produtos, para a sociedade.

Espera-se que com estas alterações promovam-se o não abandono de agricultores em zonas mais desfavorecidas, como o interior ou zonas de montanha, e o desenvolvimento de mercados de nicho e cadeias de curta comercialização, incentivando o consumo local. É, talvez, difícil preocuparmo-nos com algo que para muitos, principalmente em países desenvolvidos, não é ou deixou de ser um problema de imediato visível aos nossos olhos, como o não acesso a comida, água potável ou energia sob forma combustível ou elétrica… mas isso não significa que outros não o vivam diariamente, ou que não estamos a enfrentar uma crise que ameaça a sobrevivência da nossa economia e bem-estar e mais importante das nossas futuras gerações. Os órgãos de comunicação têm feito um bom caminho na dispersão de conhecimento sobre o tema, mas muito mais há e pode fazer-se.

A importância desta consciencialização prende-se com o facto de que, para atingir a sustentabilidade ambiental, cada decisão individual conta e refletir-se-á numa decisão coletiva. Afinal, deveria ser uma preocupação de todos, dos avós e dos pais porque devem deixar um planeta mais do que saudável para os filhos e filhas, e destes porque será o legado que deverão honrar e por que desse bom estado está dependente a sua sobrevivência. O debate em casa, nas escolas, no trabalho e outros grupos recreacionais é fundamental para a construção de grupos de trabalho e a cooperação necessária para solucionar a falta de eficiência e valorização dos recursos.

Por exemplo, trazer para o agregado temas que despertem para a importância da gestão de resíduos, nomeadamente a reciclagem e a compostagem em casa; a utilização ponderada de água potável e energia; ou ainda para a importância da intervenção ambiental na comunidade.

Na próxima década, a sustentabilidade ambiental continuará a ser um tema pertinente e imprescindível face a um atual cenário de alterações climáticas. Cada vez mais haverá abertura para ideias que prometam reestruturar o conceito de desenvolvimento e crescimento, e que caminhem no sentido de recuperar e preservar o meio ambiente. Deve-se priorizar a ação local com consciência global e estar desperto às nossas escolhas e como estas influenciam os processos de exploração de recursos e a existência de outras formas de vida. Observar, refletir, intervir e melhorar!