Os ingleses Suede estiveram no Coliseu do Porto no passado dia 8 de Novembro para apresentar o seu mais recente Bloodsports, sexto trabalho de estúdio editado em Março deste ano, e o primeiro desde A New Morning, de 2002. Este novo álbum poderá ser entendido como uma combinação dos anteriores Dog Man Star (1994) e Coming Up (1996), disse o vocalista Brett Anderson, acrescentando que Bloodsports é sobre a luxúria, a perseguição e o infinito jogo carnal do amor. Um trabalho que terá sido o mais difícil de fazer, mas certamente o mais gratificante, segundo declarações de Bret.

Os Suede, banda londrina formada em 1989, eram vistos em 1992 como “a melhor nova banda da Grã-Bretanha”, atraindo nessa altura muito atenção da imprensa musical inglesa. No ano seguinte deu-se a edição do seu álbum de estreia, Suede, que rapidamente subiu aos primeiros lugares dos tops e arredou inúmeros prémios. Viviam-se tempos áureos da brit pop, que cativava uma geração inteira, cansada de outros géneros. Dez anos de muitos sucessos para a banda, e Coming Up, o terceiro álbum tornar-se-ia um enorme sucesso de onde sairiam singles como Beautiful Ones e Saturday Night, duas músicas que se tornariam sinónimo de Suede. E depois uma certa perda de vitalidade e popularidade com os trabalhos seguintes, Head Music e A New Morning. Em 2003, deu-se a separação da banda, seguindo-se alguns projectos a solo e em novos grupos que passaram algo despercebidos e que apenas contribuiram para o compasso de espera do regresso. E assim, depois de um regresso aos concertos de uma das grandes bandas da brit pop (falamos, claro está, dos Blur que vimos no Primavera Sound 2013), dava-se o regresso dos Suede aos palcos (que até tinham passsado por cá em 2011 para matar saudades na Queima das Fitas do Porto).

Brett Anderson (voz) e Mat Osman (baixo) – ambos da formação original da banda -, Simon Gilbert (bacteria), Richard Oakes (guitarra) e Neil Codling (teclado e – ocasional – guitarra) subiram ao palco do Coliseu do Porto já passavam das 22:20. Os balcões estavam tapados por longos panos negros (estando não ocupáveis), o que fez com que o público se distribuisse pela plateia e pelas tribunas, mas sem esgotar o espaço disponível.

Mas uma menor afluência de público não iria afectar a performance de Brett e companhia. Aliás, o vocalista apresenta uma voz forte que aliada à sua enorme capacidade de comunicação agarrou, e bem, aqueles que no Coliseu os viam e escutavam. O concerto já ia com mais de vinte mintutos quando Brett falou pela primeira vez com o público, mas não o podemos acusar de ser pouco comunicativo, Pelo contrário, o vocalista dos Suede dirige-se constantemente à plateia que tem em frente a si, pede palmas, incita a braços no ar, vira o microfone para o público pedindo eco da sua voz, e está constantemente aos pulos. Aliás, a camisa de Brett acabaria absolutamente ensopada em suor. Além dos saltos, terão também para isso contribuído as idas frequentes às grades onde apertou mãos e onde deixou que lhe tocassem (vimos uma fã a fazer-lhe festinhas na cabeça). E para gláudio dos fãs passeou-se no meio da plateia arrastando atrás de si o fio do microfone e uma troupe de seguranças. E claro, o público, que munido de telefones e iphones e ipads corria para tirar fotos mais próximo.  

Pareceu-nos que o álbum novo Bloodsports seja talvez ainda desconhecido de muitos, mas mesmo assim, a receptividade foi muito boa, e pode-se dizer que a banda está de regresso aos bons discos. Do novo álbum escutamos Snowblind, It Starts and Ends With You, Sometimes I Feel I’ll Float Away, Sabotage e For the Strangers. Recebidos com maior familiaridade foram temas como The Wild Ones (Dog Man Star, 1994),  Animal NitrateSo Young, The Drowners e Metal Mickey (Suede, 1993), Trash, Beautiful Ones e Filmstar (Coming Up, 1996)

Em encore, She’s In Fashion (Head Music, 1999), em regime mais lento e acústico, e New Generation (Dog Man Star, 1994) fecharam o concerto dos Suede no Coliseu do Porto. A tournée europeia da banda continuará este mês com datas na França, Alemanha, Itália, Holanda, etc.

A primeira parte tinha estado a cargo dos (também) londrinos Teleman de Thomas Sanders, Jonny Sanders e Pete Cattermoul

Texto: Joana Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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