Os Azeitonas actuaram na noite de 2 de Novembro no Coliseu do Porto, em mais um concerto inserido na promoção do mais recente trabalho de estúdio Az, e nesta que foi a primeira passagem da banda pelo Coliseu. Perante uma sala repleta de fãs, com destaque para muitas famílias em que pais acompanhavam as gerações mais jovens, o concerto de aproximadamente 2 horas encheu, certamente, as medidas daqueles que numa noite de Outuno foram até à sala mítica da Invicta para cantar, dançar, sorrir e aplaudir (com) Os Azeitonas.

Marlon, Nena, Miguel AJ e João Salcedo contaram com a companhia de todos os músicos que participaram na gravação deste novo trabalho, o que se traduziu na presença de mais de quarenta músicos em palco, ao longo do concerto. Violinos e violoncelo, clarinetes e saxofone e a Fanfarra KaustiKa contribuiram para a imensa animação da noite. Os ingredientes restantes foram as danças constantes e muito sensuais (no caso de Nena) e a cumplicidade de um público que não se fazia rogado face aos apelos directos e indirectos para acompanhar a festa que se fazia em palco.

A banda que para o ano comemora os seus 12 anos de actividade estava nitidamente feliz por tocar num Coliseu repleto de fãs e iniciou a sua actuação à capela, cativando logo a audiência. Ray-dee-Oh, Tonto de ti, Café Hollywood, Pander, Quem és tu Miúda e Zão, haviam de ser cantados em conjunto com o público, que aplaudiria de pé por várias vezes (talvez inquieto de ter de assistir ao concerto em lugares sentados).

Anda Comigo Ver os Aviões, música do terceiro álbum e sobejamente conhecida por todos, foi cantada em uníssono e foi o mote perfeito para um dos momentos da noite: o lancamento de milhares de aviões de papel pelo público. A surpresa tinha sido preparada pelo grupo de fãs da banda, Os Azeitolas, que criaram aviões de papel que foram distribuídos antes do início do espetáculo. E no momento que se começaram a ouvir os primeiros acordes da música, os aviões foram lançados de todos os cantos, e aqueles que aterravam no público eram de novo arremessados, enquanto a letra da música era entoada num desfilar do refrão que foi repetido vezes e vezes sem conta – ou não fosse esta a música preferida de muitos.

Dança, Menina Dança provocou uma enorme onda de dança com Marlon a chamar os vários elementos em palco para a irem dançando, o que rapidamente contagiou a sala toda. Na música Nos Desenhos Animados, o foco da atenção esteve em Nena, com a sua bela e doce voz numa interpretação (sempre) sensual. Houve ainda tempo para a dedicatória a Rui Veloso, importante músico na história da carreira d’Os Azeitonas, ou não tivesse sido através dele que a banda nasceu para os discos.

Na recta final do concerto a Fanfarra Kaustika entrou em cena pelo centro da plateia em direção ao palco, trazendo muita energia aos últimos temas da noite e ajudando a imprimir um ainda maior ar de festa. A grande surpresa surgiria no final do concerto, com a banda e todos os músicos participantes a saíram pela porta do Coliseu do Porto rumo à rua. Acompanhados de muito público foram descendo em direcção ao Rivoli, cantando e convivendo, fechando de uma forma deliciosa um concerto animado que não podia acabar entre paredes, apesar de os sinais de festa no interior serem evidentes (o Coliseu acabou repleto de milhares de aviões de papel e alguns balões coloridos). A banda, que é do Porto, estava em casa e como tal, a cidade tinha que a ver passar numa manifestação espontânea de festa e que foi o corolário daquilo que Os Azeitonas tinham feito no interior do Coliseu do Porto. Segue-se o concerto de dia 15 no Coliseu de Lisboa.  

Texto: Joana Teixeira

Foto: Nuno Fangueiro