A polémica à volta do "canudo" do Primeiro-Ministro, por estranho que possa parecer, começou na blogosfera, no blog "Portugal Profundo" que começou a investigação e o jornal "Público" aproveitou este assunto, aliás outros jornais já se lhe tinham referido, como o "Sol" e o "Expresso", e pouco mais.

     Está comprovado, que o dossier relativo à licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente, tem várias falhas. Há muitos documentos por assinar, ou sem data, timbre ou carimbo, tal como há elementos contraditórios, nomeadamente os relativos às notas atribuídas a José Sócrates e o Plano de Equivalências, sem qualquer timbre nem carimbo e onde se concretiza que cadeiras mereceram equivalência por parte da Universidade Independente, ou do Pedido de Equivalências, uma folha não numerada, onde apenas surge o nome José Sócrates Sousa, manuscrito pelo próprio, e o mapa de equivalências por ele proposto. Acresce que o número de cadeiras a que é requerida a equivalência, 25, tem menos uma cadeira do que o total das disciplinas a que José Sócrates viria de facto a obter equivalência no processo de transferência: 26. Por outro lado, o espaço onde o responsável do conselho pedagógico pelo processo deveria colocar a sua assinatura, está em branco. Por fim, existem duas folhas avulsas, aparentemente folhas de rosto, que não se percebe a que se referem. Uma, com cabeçalho do gabinete do secretário de Estado Adjunto do Ambiente, cujo Ministro ers José Sócrates, que é um fax e aparenta ser uma folha de rosto. Na zona do texto, José Sócrates escreveu: "Caro Professor, aqui lhe mando os dois decretos responsáveis pelo meu actual desconsolo."

     O diploma de licenciatura, em Engenharia Civil, de José Sócrates, foi assinado no dia 8 de Setembro de 1996, um domingo!!!

Este caso, só não teve consequências mais drásticas para o Partido Socialista porque a comunicação social, principalmente as televisões, tem sido muito benevolente com o caso, ao contrário do que aconteceu nos governos anteriores, em que um primeiro-ministro foi "derrubado" pela imprensa, mesmo antes de ter tomado posse.

     O actual máximo responsável pela governação em Portugal José Sócrates, nada diz sobre o assunto, mas um primeiro-ministro, não pode deixar o seu crédito enxovalhar-se em suspeitas, quanto à forma como se licenciou. O único acto em concreto de mudança da sua postura, foi deixar cair uma pós-graduação, que sempre constou do currículo oficial do primeiro-ministro, em Engenharia Sanitária.

     Esta benevolência por parte da maioria dos órgãos de comunicação social, tem sido o seu apanágio para com o governo socialista, em que uma grande quantidade de ministros são completamente desconhecidos dos portugueses, pouco ou nada têm feito, ao contrário de outros ministros, em que as asneiras têm sido uma constante, (saúde, justiça, finanças e na economia então nem se fala, as asneiras têm sido mais que muitas) e a nossa comunicação social pouco alarido faz, "para bem da estabilidade governativa", leia-se "estabilidade socialista"!

 O "estalar" da notícia, já teve consequências muito graves, não para o governo mas para a Universidade Independente e para os seus mais de dois mil alunos que mais cedo ou mais tarde irão entrar no competitivo mercado de trabalho. A notícia, acrescida com a situação confusa em que vive esta universidade privada, foi um autêntico balde de água fria para quem durante anos gastou o seu dinheiro, sabe-se lá com que dificuldades, em propinas e que agora vê o seu investimento descambar num retorno altamente negativo.

          

         

José Maria Moreira da Silva 

           moreira.da.silva@sapo.pt