A bancada do Partido Socialista (PS) estava com menos um elemento na última Assembleia de Freguesia de Bougado, que decorreu na noite de 26 de junho, já que José Sá apresentou renúncia de mandato por “motivos pessoais”.

Os membros do Partido Socialista (PS) da Assembleia de Bougado mostraram-se preocupados com o estado das ruas de freguesia. Foi o caso de Jerónimo Torres que mencionou que passados “sensivelmente nove meses” desde que o executivo tomou posse, “a nível de obras de registo em Santiago de Bougado, só viu uma”, referindo-se “ao passeio entre a Farmácia Barreto e a Segurança Social”. O membro socialista enumerou ruas com “uma tremenda urgência em serem arranjadas”, como é o caso da Rua das Fontaínhas, que “está uma lástima” porque “os paralelos que foram postos estão a ficar soltos”, a Rua Santiago, onde “é urgente fazer o saneamento antes do próximo inverno”, a Rua S. Miguel, que tem “as tampas de saneamento com um desnivelamento muito grande”, e a Rua 16 de Maio, na EN104.

Em resposta, o presidente da Junta de Freguesia, Luís Paulo, referiu que anda a ser feita “a substituição do paralelo por asfalto” e onde isso “não acontecer é porque vai ser intervencionada”. No caso da Rua Santiago “foi hoje (quinta-feira) arranjada, tendo andado lá um homem”, a de S. Miguel “a Trofáguas já tem ofício e está a tratar disso” para que “nos próximos dias essa situação seja resolvida”. Já no caso da Avenida da Maganha, “um dos problemas é aquele muro que está caído e que faz com que aquela água entre toda naquele campo e causar o problema”. “Se fizermos aquele muro, acho que resolvemos os problemas e vamos fazê-lo em breve”, denotou.

Entre outras questões, Ângela Moreira (PS) alertou para uma “situação um bocadinho perigosa” na Rua das Indústrias junto ao café Bela Vista, onde faltam “rails de proteção”. O presidente da Junta respondeu que vai “analisar a situação”.

Além disso, a socialista queria ser esclarecida “sobre um muro de vedação feito pela Junta na rotunda de Paradela, no cimo da Avenida 19 de Novembro, e na Rua Nelson Campos, onde foi feito um pequeno muro e foram colocados uns ferros, alegadamente pela Junta de Freguesia”. “Esse terreno está fora do alinhamento dos outros, já que o muro foi feito na extremidade do passeio, enquanto os outros deixaram espaço para jardim. A parte que mais me chocou, foi a Junta ter intervencionado num terreno particular”, completou.

Luís Paulo esclareceu que como o “terreno está numa quota mais ou menos acima 30/40 centímetros”, com “as enxurradas a terra está sempre a ir para cima do passeio”, tendo inclusive “uma senhora lá se aleijado, porque tinha muitas ervas e caiu”. “Como era um problema que estava sinalizado mandei para lá o nosso pessoal meter um bloco de 20. Entretanto o proprietário pediu para fazer algo, mas eu disse que isso não dava direito a licença nenhuma, uma vez que o nosso objetivo era só por uma coisa simples de proteção. O senhor pôs os ferros ao alto, mas as placas estavam lá porque o senhor não tinha licença e era uma obra do nosso interesse”, respondeu.

Já no período de intervenção do público, Luís Pinheiro afirmou que não fazia sentido “pavimentar a Rua Aires Bandaria, na Esprela, sem alargamento” e que “o perfil mínimo da rua devia de ter 1,25 metros para cada passeio e seis metros para a faixa rodagem”. “As pessoas concordam com o alargamento para este perfil faz-se a rua, se não põem não se faz a rua”, atirou.

Luís Paulo assentiu que “não faz sentido fazer obras com aquelas condições”, uma vez que “a rua tem dois metros e pouco de largura”. Contudo, o presidente declarou que só “faz o alargamento mediante algumas condições”, tendo que “fazer ver às pessoas que ao dar o terreno estão a valorizá-lo”. “É uma obra para cerca de 47 mil euros, esse dinheiro não tenho, é impossível. As pessoas queriam tudo. Ainda podemos dar alguma coisa, agora tudo e a todos não há possibilidade”, asseverou, referindo que “há pessoas que ficaram com expectativa” e que “por causa de três”, estas não vão ficar com aquela situação assim”.

Na sessão da Assembleia, foi ainda apresentado o novo sítio oficial da Junta de Bougado (www.jfbougado-trofa.com), que, além dos contactos, horários de atendimento, informações e próximos eventos, dispõe ainda de um local próprio para comunicar uma avaria na iluminação pública e anomalias nas ruas.

Centro Cívico de Santiago será “uma realidade?”

Outro dos assuntos abordados por Jerónimo Torres foi sobre o Centro Cívico de Santiago, que, segundo uma entrevista que Luís Paulo deu ao NT, parecia que “deixou de ser obra prioritária”, quando “até agora foi sempre uma batalha dos antecessores”, umas vez que “a culpa nunca recaiu sobre o diretivo mas sempre sobre terceiros”. Luís Paulo respondeu que “não tem antecessores porque esta realidade não existia, não” podendo “pensar como António Azevedo e José Sá”. Contudo, está “a fazer um projeto e a reavaliar as possibilidades, financeiras também à luz da nova realidade”.

Também no período do público, Joaquim Azevedo e Manuel Silva questionaram se o Centro Cívico seria “ou não uma realidade”. Manuel Silva frisou ainda que o “Centro de Dia é a prioridade das prioridades” e “um problema sério”, porque se vê “pessoas de idade, na sua solidão, abandonadas, pese embora todo o trabalho da solidariedade”. “Deixo o desafio de cumprir aquilo que foi uma promessa eleitoral vossa, que é a construção de um Centro de Dia em Santiago. (…) Espero que não lhe passe pela cabeça abandonar este objetivo. Que as dificuldades não sirvam de pretexto para não avançar com esta obra. (…) Quando sai da Junta deixamos dois lotes de terreno para os Vicentinos para este objetivo. Passaram estes anos todos, o senhor presidente da Junta mostrou duas vezes este projeto, uma das vezes era em Bairros. Que é feito do projeto?”, questionou.

O presidente denotou que “a informação que tem é que os decisores políticos anteriores, a Câmara, não ajudou em nada a Junta de Freguesia”, podendo, nesse caso “o senhor Manuel Silva ter ajudado a resolver”.

Ainda antes do período da ordem do dia, a Junta de Freguesia apresentou um pedido da inclusão de um ponto relacionado com o “contrato interadministrativo de delegação de competências entre o Município da Trofa e esta Junta de Freguesia”. Questionado pelo membro da bancada socialista Mário Moreira, o presidente da Junta explicou que “já existia uma delegação de competências entre a Câmara e as juntas”, em que “havia a parte corrente, que está a ser transferida para a Junta, e a de capital”. “No que diz respeito à parte capital, havia um conjunto de procedimentos que tornava quase impossível uma transferência do dinheiro para as juntas. Ou seja, queríamos fazer uma obra de mil euros, tinha que ir a reunião de Junta, Assembleia de Junta, reunião de Câmara, Assembleia e por aí fora. Agora o que temos que apresentar com esta nova proposta da câmara é, de x em x meses, um plano daquilo que foi feito”, explicou.

A inclusão do ponto, assim como a proposta a levar à Assembleia Municipal, foi aprovado por unanimidade.