Mais de 250 jovens contribuíram ativamente para o futuro do concelho. Ao apresentarem projetos para a Trofa foram eleitos dois projetos na 2ª Assembleia Municipal Jovem, no dia 26 de maio, sábado. 

Pelo segundo ano consecutivo, mais de 250 jovens trofenses reuniram-se em Assembleia Municipal Jovem, para decidirem quais os projetos que deveriam fazer parte do orçamento municipal do próximo ano. O salão nobre dos Bombeiros Voluntários da Trofa foi pequeno para receber as centenas de jovens interessados em participar, ativamente, no futuro do concelho.

A presidir aos trabalhos esteve uma mesa constituída por jovens trofenses, que participaram já na primeira edição do Orçamento Participativo Jovem (OPJ), Jorge Alexandre Silva, Vanessa Andreia Ramos e Joana Dias Silva. Em discussão e votação estiveram 15 projetos, três de âmbito escolar e 12 de âmbito geral, sendo que apenas foram apresentados 14, que durante oito minutos cada tentaram convencer os membros da assembleia a votarem em si.

Acolher um Animal é ter um Amigo, iTrofa – Eu, Trofa, Recinto Desportivo, Da Cultura à Trofa e Sob o Céu Estrelado eram alguns dos projetos concorrentes no âmbito do concelho, onde Skateland sagrou-se vencedor com um total de 358 pontos.

O projeto, que precisou de duas semanas até estar concluído, visa a construção de um Skate Park junto à nova Estação da CP da Trofa, em S. Martinho de Bougado. “O projeto surgiu de uma fusão de dois projetos idênticos que apareceram no OPJ. Além do meu, também tinha um dos miúdos da EB 2/3 Napoleão Sousa Marques, que mais tarde vão praticar no Skate Park da Trofa o que é ótimo”, afirmou Ricardo Lamas, um dos responsáveis pelo projeto, frisando que a alegria apenas será plena, quando o projeto estiver concluído e possam desfrutar desse espaço. 

Ricardo Lamas e Inês Santos, outra das responsáveis, asseveraram que “fazia todo o sentido haver uma união dos dois projetos”, conseguindo “ter um maior número de votos”.

Já no âmbito escolar, o vencedor foi o projeto do Desporto à Escola e da Escola ao Desporto, da EB 2/3 de Alvarelhos, que concorreu à categoria das escolas, e propôs a concretização de um circuito de manutenção com equipamentos apropriados, no recinto do estabelecimento de ensino, no valor de 7500 euros. Já há “alguns projetos em paralelo” que consistem na formação de uma série de atividades, que faça a comunidade escolar comparecer mais na escola e a “dar o seu exemplo, contribuindo para a formação” dos alunos.

Filipe Barbosa, professor de Língua Portuguesa da EB 2/3 de Alvarelhos, contou que foi com “uma emoção muito forte”, que ouviu o projeto da escola ser proclamado vencedor, pois foi um trabalho desenvolvido pelos alunos em dois meses. “É também uma forma de lhes mostrar que vale a pena participar, ainda vale a pena acreditar em coisas boas, numa altura em que o país treme e ficam um bocadinho tristes com as notícias que vão surgindo. O mérito é dos alunos, sem dúvida, é uma mais-valia para a escola, e, tal como os alunos disseram, é também uma mais valia para toda a unidade de Alvarelhos e da Trofa”, denotou.

Teresa Fernandes, vereadora do pelouro da Educação, felicitou os vencedores pelos “excelentes projetos”, prometendo que “serão executados no orçamento do próximo ano”. A vereadora estava agradada pelo resultado final desta iniciativa, que, em relação ao ano passado, teve um aumento não só na quantidade de projetos, teve mais dez, mas também na participação, que tinha 700 jovens inscritos. Relativamente aos projetos, Teresa Fernandes elogiou a “grande capacidade de elaboração” e a “qualidade” dos mesmos, salientando que é “importante saberem defender as suas próprias ideias”.

A vereadora felicitou ainda os professores e diretores dos agrupamentos, que desde o início se envolveram no OPJ, sem esquecer os técnicos da autarquia e os “Centros de estudos sociais da Universidade de Coimbra, na pessoa do professor Alegretti,” que apoiou no que foi necessário. Giovani Alegretti, professor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, contou que foi contactado por “alguns técnicos” da autarquia, pedindo colaboração para criarem um OPJ na Trofa, que fosse “levemente diferente dos outros com características peculiares”. O professor acha “bastante normal” que neste segundo ano haja “um reforço” nas participações dos jovens.

Giovani Alegretti denotou que o Skate Park é dos projetos que “sai em todo o Mundo” no OPJ, o que o deixa a refletir sobre o porquê de os “políticos não colocarem como uma prioridade a construção de um Skate Park, visto ser um dos principais desejos dos pais dos jovens”. A iniciativa contou ainda com a presença e a participação ativa de Julien Talpin da Universidade de Lille (França) e Patricia Garcia Leiva, da Universidade de Málaga (Espanha). 

De recordar que o Orçamento Participativo Jovem foi lançado pela Câmara Municipal da Trofa em 2010 e representa uma forte aposta na área da promoção e fomento da cidadania ativa da população.

Desta forma, a elaboração do Orçamento Municipal passa, com o OPJ, a ser partilhada com os jovens, que são convidados a participar sobre a definição de prioridades, nas mais diversas áreas, como por exemplo: equipamentos sociais, projetos escolares, espaços verdes, desporto, ambiente, entre outras. A Câmara Municipal da Trofa emprega assim um mecanismo de democracia participativa em que o contributo de cada um é essencial para o futuro do Concelho. 

Devido “ao grande sucesso” desta iniciativa, a autarquia pretende continuar a apostar no Orçamento Participativo Jovem. 

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