João Paulo Cardoso e Joana Pinheiro, cavaleiros do Centro Equestre da Trofa, participam no Campeonato Regional do Norte de Equitação de Trabalho, ocupando o pódio.

A paixão pelos cavalos levou João Paulo Cardoso e Joana Pinheiro a frequentar o mundo equestre, estando neste momento a participar no 4º Campeonato Regional do Norte de Equitação de Trabalho. João Paulo Cardoso, responsável pelo Centro Equestre da Trofa, participa no escalão de Cavalos Debutantes, tendo ficado em 2º lugar na primeira jornada, que se realizou na Feira Anual da Trofa, em 5º na segunda jornada, no Centro Hípico do Porto e Matosinhos e, no domingo, dia 13 de maio, ficou em 2º no Centro Hípico Vale do Lima. O cavaleiro afirma que os resultados obtidos têm correspondido às suas expectativas. A prova está “a correr muito bem” e denota a evolução do seu cavalo, Barao da Lagoalva, adquirido na Coudelaria Vale do Ave, de prova para prova. “Apesar de o cavalo ser jovem e ser o primeiro ano de provas, está a começar a manter a regularidade nos exercícios e a ficar mais atento a tudo o que lhe peço.

Logo mais concentrado para obter pontuações mais elevadas”, garantiu. Este é o segundo ano em que participa neste campeonato, sendo que no primeiro acabou por desistir devido ao pouco tempo que tinha disponível. Este ano, sendo a primeira vez que está a competir com o seu cavalo, o objetivo passa por “terminar o campeonato e preparar o conjunto (compreende o cavalo mais o cavaleiro) para a participação no campeonato nacional”.

A viver em Ferreiró, Vila do Conde, João Paulo Cardoso descobriu o gosto por esta modalidade há 20 anos. Ao “completar o 12º ano” percebeu que ser profissional no ramo equestre era o que queria para a sua vida. O facto de se divertir com o seu cavalo todos os fins de semana também ajudou nesta sua decisão. “Fui passar as férias de verão ao Centro Equestre de Lezíria Grande do mestre Luís Valença, onde acabei por permanecer durante seis anos. Aí tive a felicidade de trabalhar com grandes cavaleiros, além do mestre Luís Valença e filhas, com o cavaleiro internacional Nuno Palma e Santos e com o filho do mestre Nuno de Oliveira, que é o ‘pai’ da equitação clássica”, contou. 

Depois desta “longa, emotiva e produtiva passagem” pelo Centro Equestre de Lezíria Grande, o cavaleiro foi responsável por uma coudelaria no Alentejo e em mais dois centros hípicos. Há já quatro anos que é responsável pelo Centro Equestre da Trofa, dando ainda apoio “a várias coudelarias”. João Paulo Cardoso escolheu esta região para continuar o seu trabalho, por achar que “a cultura equestre está a desenvolver-se muito rápido e com uma qualidade elevada, onde as pessoas procuram a qualidade e não quantidade”.

Já o gosto pela equitação de trabalho surgiu devido às “excelentes aptidões” dos cavalos lusitanos, já que estes foram criados “para trabalhar no campo”. Esta modalidade acaba por retratar “exatamente o dia a dia do seu trabalho”. 

João Paulo Cardoso já participou em várias provas, tais como dressage, saltos, modelo e andamentos e em muitos espetáculos equestres, incluindo na europeia “Royal Horse Gala”. 

Joana Pinheiro é líder no Campeonato Regional

Também Joana Pinheiro participa neste Campeonato Regional, encontrando-se neste momento em 1º lugar no escalão Cavaleiros Juniores. Com a 3ª jornada completa, a amazona assevera que a sua primeira competição tem corrido “muito bem”, tendo obtido o 3º lugar, na primeira jornada, o 2º lugar, no Centro Hípico do Porto e Matosinhos, e o 1º na última jornada, realizada no Centro Hípico Vale do Lima. Joana Pinheiro destaca a “excelente experiência” deste campeonato, que muito tem contribuído para a sua formação e evolução enquanto amazona e para o “aperfeiçoamento dos vários andamentos e ritmos” do seu cavalo Roedor, que se tem mostrado “o companheiro ideal para esta caminhada”.

O objetivo neste campeonato passa por demonstrar “sempre o melhor conjunto” que forma com o seu cavalo, melhorando no final de cada jornada os “pontos apontados como menos positivos”. “As expectativas resumiam-se a um aperfeiçoamento a todos os níveis do conjunto, pelo que tudo o que tem acontecido tem superado imenso as mesmas. 

Apesar das classificações serem bastante superiores ao que esperava, o meu objetivo continua a ser treinar para melhorar a minha apresentação” declarou, frisando que nada disto seria possível sem o “apoio incondicional” do equitador João Paulo Cardoso, da sua família e do “excelente cavalo” de que se faz sempre acompanhar e em quem confia “plenamente”. 

A sua paixão pelos cavalos começou desde tenra idade, tendo montado pela primeira vez com sete anos. Uma experiência que durou pouco tempo e que foi retomada com 12 anos. Por sentir que “não existia um objetivo concreto ou uma meta a alcançar” voltou a desistir das aulas. Joana Pinheiro frequentou “diversos centros hípicos”, nunca chegando a “sentir-se realmente satisfeita” com a modalidade. Quatro anos mais tarde, voltou a frequentar um Centro Equestre mas, desta vez, o da Trofa. Foi aí e com a ajuda do equitador João Paulo Cardoso, que percebeu “quão importantes eram os cavalos” na sua vida.

A cavaleira, que vive em Santiago de Bougado, começou a “desenvolver um carinho especial pelos cavalos lusitanos”, através do contacto que o Centro Equestre proporciona com as coudelarias A. Serra Neves e Pedro Silva (Coudelaria Vale do Ave). Há cerca de três anos, os seus pais ofereceram-lhe um cavalo, o Roedor, puro-sangue lusitano, criado na Coudelaria Xavier de Lima. Foi a partir desse momento, que “realmente” começou a praticar equitação, tendo treinos diários, que fizeram crescer de dia para dia a sua paixão. Nunca lhe passou pela cabeça que um dia fosse competir. A sua ideia era “evoluir o máximo possível”, tornando-se amazona e ganhando “a confiança do cavalo”.

Quando se sentiu preparada, João Paulo Cardoso começou a dar-lhe aulas no picadeiro exterior com obstáculos de equitação de trabalho. Ao sentir-se “capaz de entrar em competições”, Joana Pinheiro tornou isso numa meta a atingir. Inicialmente pensou em competir na dressage, contundo, ao ver algumas provas de Equitação de Trabalho, o seu pensamento mudou. Apaixonouse por esta modalidade equestre, por ser baseada na “equitação tradicional de cada país, nomeadamente no uso de trajes e arreios”, sendo uma forma “de reunir gerações e costumes do nosso país, em prol de uma paixão comum a todos, o cavalo lusitano”. 

Quando deu por si, já estava na 1ª jornada, do Campeonato Regional do Norte, realizada na Feira Anual da Trofa. Este ano, o Campeonato Regional do Norte de Equitação de Trabalho conta com cinco jornadas. As últimas duas disputam-se na Coudelaria Quinta da Oliveira, nos dias 9 e 10 de junho, e no Centro Hípico Assinatura de Mestre, nos dias 7 e 8 de julho.  

O que é Equitação de Trabalho?

As provas de equitação de trabalho dividem-se em três etapas, que decorrem ao longo de dois dias. A primeira é a prova de ensino, onde o cavaleiro tem de executar determinados exercícios (pré-definidos para cada escalão) num retângulo 40 x 20 m, julgado por um júri. A prova de maneabilidade é o nome da segunda etapa, que consiste numa prova onde se simulam diversos obstáculos que o cavaleiro poderia encontrar no dia a dia de trabalho no campo, que têm que ser ultrapassados pelo cavalo. Nesta prova, julgam-se essencialmente, a atitude, confiança e a forma natural como o conjunto consegue transpor os obstáculos.

A última etapa destas provas é a de velocidade. Esta desenrola-se sobre um percurso idêntico ao da maneabilidade, onde é avaliada apenas a velocidade com que a prova é superada num sistema contrarelógio.

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