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Os Simple Minds vieram até Portugal apresentar o seu 16.º álbum de estúdio, Big Music, nos Coliseus de Lisboa e Porto. O novo trabalho surgiu depois de cinco anos sem novidades de estúdio, e foi anunciado pela própria banda como “um recuperar de energias e atitude”.

Com uma carreira de mais de 30 anos, os Simple Minds são autores de temas que marcaram a década de 80 como Don’t You (Forget About Me) e Alive and Kicking, e que garantiram aos Escoceses o reconhecimento por parte de prestigiadas revistas de música, que os elegem como uma das 100 bandas mais influentes do mundo. 

O concerto no Coliseu do Porto era assim aguardado com a enorme expetativa que estes predicados impõem, e os Escoceses não deixaram de arrebatar uma sala esgotadíssima com cerca de 5 mil pessoas, ao darem um espetáculo que provou de forma inequívoca que, para os fãs, a banda de Glasgow continua com muita disposição e energia. 

Uma larga maioria do público estaria certamente à espera de escutar os grandes êxitos da banda, não obstante este concerto fazer parte da nova digressão de promoção de Big Music (tendo a tournée sido precisamente iniciada na noite anterior em Lisboa). A banda escocesa não se fez rogada e para gáudio dos presentes uma grande parte dos temas eleitos pela banda eram do reportório da década de 80. Let The Day Begin abriu as hostilidades poucos momentos depois das 21 horas, e com Jim Kerr a elogiar a cidade desde logo. Seguiu-se um mix de antigos êxitos e novos temas, com Blindfolded e Broken Glass Park, New Gold DreamHome, Stay VisibleHonest TownLovesong e Rivers Of Ice.

Antes do intervalo, anunciado como uma pausa de 15 minutos para beber uns whiskies, Catherine Anne Davies, artista convidada para a tournée, sentou-se ao piano e surpreendeu o público com a sua belíssima voz. Ouviram-se ainda Waterfront (inequivocamente aplaudido) e Don’t You (Forget About Me), que levou a plateia à loucura num interminável la lalala.

A segunda parte inaugurou-se com uma passagem pelos anos 80 com Book of Brilliant Things East At Easter, e com a outra convidada da digressão, Sarah Brown, a tomar conta do palco e a substituir Kerr. Este regressaria para oferecer ao público uma viagem ao passado dos hits da banda, como Once Upon A TimeAll The Things She SaidLet There Be Love,Let It All Come Down, Someone Somewhere (In Summertime), mesmo antes do novo Midnight Walking. Nova explosão de êxtase deu-se com o êxito grande da banda, Alive And Kicking, com milhares de vozes a entoarem a letra do princípio ao fim. Proeza esta que se repeteria com o também muito esperado Sanctify Yourself.

Para o final, um encore muito exigido pelo público com Big Music, She’s A River, Spirited Away  (recebido com a reverência do silêncio), Belfast Child e a cover de Riders on the Storm (original dos The Doors).

Depois da apoteótica receção em Lisboa e Porto, os Simple Minds não terão dúvida que não obstante as décadas passadas, continuam acarinhados, e muito, pelos fãs portugueses.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Foto: I.A.C