A vitória do Sim no referendo sobre a IVG representa uma afirmação clara dos valores progressistas, de tolerância e de respeito pela convicção de cada um e de todos os portugueses.

É ainda uma significativa vitória das mulheres e da sua luta pela defesa da dignidade e saúde. Também os valores democráticos e de liberdade alcançados há quase 33 anos com a Revolução de Abril saem reafirmados com este resultado.

Enquanto comunista naturalmente expresso a minha satisfação para o qual o meu Partido deu uma contribuição decisiva, nomeadamente na mobilização e esclarecimento do eleitorado nas ruas, à porta das empresas e no dia-a-dia com a generalidade das pessoas.

O crescimento do Sim em todas as freguesias do concelho da Trofa com subidas jaime toga.jpgmuito significativas que levaram inclusive à vitória do Sim em Guidões e em S. Romão do Coronado, contribuíram também para o resultado nacional.

Cabe agora à Assembleia da República com urgência cumprir o desejo popular com a conclusão do processo legislativo, sem cedência às pressões de quem saiu derrotado no passado domingo.

Passada que está a batalha do referendo, cabe voltar de novo todas as atenções para a situação política local e nacional, para o que tem acontecido e para o que está em curso.

No plano local prosseguem os descontentamentos populares relativamente a algumas construções em curso e à continuação das aberrações urbanísticas.

A Trofáguas continua envolta em polémicas. Agora foram os processos disciplinares com os funcionários.

Continuam por esclarecer responsabilidades entre o actual e o anterior Conselho de Administração. O mais negativo é que se acentuam as insinuações sobre o reflexo que tem neste processo as lutas internas do PSD/Trofa.

As obras de saneamento que foram feitas há 3 ou 4 anos continuam a deixar marcas no dia-a-dia da população.

Os buracos e as lombas um pouco por todo o concelho provocam inconvenientes e gastos desnecessários aos trofenses.

No âmbito nacional o governo prossegue a obra de penalizar cada vez mais quem menos pode, seguindo uma lógica de privatização em todas as áreas sociais.

Agora pagamos para ser internados, para fazer exames médicos, as propinas são cada vez mais elevadas, os jovens têm cada vez mais dificuldades para adquirir casa própria enquanto aumentam as taxas de juro e são cortados incentivos ao arrendamento jovem.

Encantados da vida seguem os quatro maiores bancos privados cujos lucros em 2006 ascenderam a 1,9 mil milhões de euros, ou seja, mais 30,5% que no ano de 2005.

Este dado espelha de forma clara a injustiça e desigualdade social.

Tal como o resultado do referendo do dia 11 de Fevereiro provou que vale a pena lutar, também a realidade politica, económica e social do concelho e do país terão que nos motivar a todos para uma intervenção e uma participação reivindicativa na sociedade.

Para o próximo dia 2 de Março a CGTP convocou uma acção nacional de protesto em defesa da mudança de políticas. Espera-se que a população trofense, particularmente os trabalhadores e as camadas que mais sentem a injustiça da política deste Governo PS/Sócrates, digam presente no próximo dia 2 de Março tal como disseram no passado dia 12 de Outubro quando algumas dezenas de manifestantes levaram as reivindicações do nosso concelho para aquela manifestação e exigiram a construção da linha de Metro, as Variantes e a Esquadra da PSP.

Jaime Toga