Cooperativa dos Agricultores dos concelhos de Santo Tirso e Trofa tem uma média anual de 16 milhões de euros de volume de negócios. Destes, seis milhões de euros são conseguidos na venda de leite proveniente de explorações da Trofa.

Cerca de 38 por cento do volume de negócios da Cooperativa dos Agricultores dos concelhos de Santo Tirso e Trofa provém do leite comercializado por produtores oriundos do município trofense. Este valor mostra a importância do setor no concelho e da participação dos agricultores nesta organização que surge no 34º lugar das maiores cooperativas de Portugal, com 16 milhões de euros de volume de vendas. Se contabilizarmos apenas as que são do mesmo ramo – agricultura – surge no 18º posto.

“Para nós é uma boa posição, mas deve-se única e exclusivamente, ao trabalho e dedicação dos nossos produtores”, frisou Vítor Maia, presidente da Cooperativa, que em entrevista ao NT fez um balanço da atividade e as preocupações que assolam os agricultores numa fase de contenção financeira.

Com cerca de mil associados, a Cooperativa consegue, em média, um volume de negócios de cerca de 16 milhões de euros por ano, resultantes da atividade de cerca de 150 produtores. Desse valor, nove milhões provêm da venda de leite, 28 milhões de litros por ano, que espelham a representatividade do setor na Cooperativa.

Além do leite, também a exploração de gado de engorda e alguns produtos para a vinha são outras secções da organização, que resolveu representar dois concelhos, mesmo depois da emancipação da Trofa, em 1998.

Mas também há a componente social: “Funcionamos como amortecedores do setor agrícola, atendendo à dificuldade que os produtores estão a atravessar. A Cooperativa escoa a produção dos associados e presta-lhes serviços necessários em termos de sanidade animal e formação profissional. Também facilitamos nos créditos, alongando-os dentro do que é aceitável. Este apoio é fundamental num momento em que até a banca está fechada”. Para além disso, a organização “criou uma empresa de contabilidade com o objetivo de prestar apoio, nesta área, aos produtores”.

Vítor Maia não esconde as grandes dificuldades por que passam os agricultores nem é alheio às suas preocupações. O presidente da Cooperativa fala mesmo na “iminência do encerramento de muitas explorações agrícolas, devido aos custos de produção”. Isto, porque os preços de produção mantém-se os mesmos há anos, mas os fatores de produção inflacionaram, assim como o preço final para o consumidor. Para Vítor Maia esta é uma consequência do “domínio” das cadeias de distribuição no mercado. “Ao terem uma posição dominante, impõem as suas regas. Era necessário regulamentar todo este setor da distribuição para que o comércio fosse mais justo. É um absurdo ver notícias que dizem que o Pingo Doce é o 5º maior importador do País, logo a seguir às petrolíferas”, asseverou. Daí que, ao haver importação, “o mercado nacional encharca e a oferta passa a ser superior à procura”. “A produção de carne representa 60 por cento do consumo nacional e nunca falta. O preço de carne ao produtor está aos preços de há 30 anos, quando o consumidor paga não sei quantas vezes mais, assim como também os fatores de produção subiram. O setor agrícola está a ser asfixiado e não basta ao senhor Presidente da República e outros políticos dizerem que é preciso olhar para a agricultura e incentivar jovens agricultores, porque com estas condições não há ninguém que venha para a agricultura”, frisou.

Vítor Maia salientou que o setor “está a ficar envelhecido”, porque “os filhos dos agricultores não querem continuar com a vida dos pais”. “As condições de trabalho não são ideais e quem trabalha todos os dias da semana, incluindo feriados, tem que ser bem remunerado, o que não está a acontecer. Isto vai dar origem a que cada vez mais haja menos jovens agricultores e no futuro vamos pagar por estes erros”, concluiu.

Apesar das dificuldades, o presidente da Cooperativa apelou a que os produtores “continuem a lutar”.

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