A autarquia trofense promoveu uma tertúlia sobre o voluntariado na Junta de S. Martinho de Bougado. Foram muitos os voluntários que compareceram para testemunhar a sua experiência e assinalar o Ano Europeu do Voluntariado.

Se entrasse no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado na terça-feira, 19 de outubro, e se deparasse com pessoas reunidas a tomarem o chá das cinco, o que pensaria? Que estava perante um workshop de inglês? Mas não estava. “Ser voluntário, ser +” foi o nome que a autarquia trofense escolheu para esta tertúlia, que permitiu aos participantes trocarem experiências sobre os seus atos de voluntariado. Neste encontro, a Câmara Municipal da Trofa fez questão de apresentar ao público o projeto “Trofa Solidária”. “Ainda está em fase de implementação, mas vai precisar de uma forte dinamização do banco de voluntariado. É certo que muita gente nem sequer sabia da sua existência, mas agora ficaram a conhecer e pode ser que assim quando o projeto estiver em marcha hajam muitos voluntários a colaborarem com o trabalho técnico que vai ser feito”, asseverou o vereador do pelouro da Ação Social da autarquia trofense, José Magalhães Moreira.

O projeto “Trofa Solidária” foi apresentado na Assembleia Municipal, em dezembro de 2010. Segundo Magalhães Moreira este é um programa que é “capitaneado pela Loja Social” e que pretende ser mais eficaz nas respostas dadas à população. “A Loja Social é uma valência informal, mas protocolada entra a Câmara Municipal da Trofa, a Segurança Social, a Cruz Vermelha, a Santa Casa da Misericórdia e a ASAS. O seu trabalho vai basear-se no rastreio de todas as necessidades que existem no concelho. Quando este projeto estiver a funcionar ninguém vai perceber que a Câmara da Trofa está envolvida neste projeto, uma vez que este é um trabalho que será feito por todos com respeito pela identidade de cada uma das instituições e do seu modo próprio de funcionar”, adiantou.

Nesta tertúlia havia uma convidada muito especial: Paula França. A coordenadora do Núcleo do Porto de Investigação dos Sem Abrigo (NPISA) veio até à Trofa para animar este evento e moderar as discussões entre os voluntários. “Nesta tertúlia pretendia-se que as pessoas discutissem temas que aflijam a própria organização do voluntariado nos dias de hoje. Perante isto decidi mostrar um filme feito numa das rondas dos sem abrigo, no Porto, e lançar o repto sobre qual o papel do voluntariado no combate aos problemas que afligem os voluntários na Trofa”, afirmou.

A coordenadora do NPISA ficou com a sensação de que existem muitos voluntários na Trofa que pretendem fazer mais e melhor. “Foi bom saber que na Trofa existe matéria humana para trabalhar. Aqui encontrei gente que pretende ajudar o próximo e também encontrei pessoas que quiseram partilhar a experiência de terem sido ajudadas”, realçou.

Para Paula França o voluntariado não deveria ser uma opção, mas sim um dever. “A questão do voluntariado não é uma questão de necessidade, é antes um papel do cidadão. O voluntariado deve fazer parte da nossa educação”, realçou.

No meio de uma plateia maioritariamente feminina, António Moreira, era um dos voluntários que se destacava. Este “jovem” acredita piamente que o bichinho do voluntariado nasceu com ele. “O voluntariado surgiu em mim quando eu ainda era pequeno e já tinha objetivos de apoiar os mais desfavorecidos. Por isso é que eu acho que nasci para ser amigo dos idosos”, admitiu com um brilho nos olhos.

Já Maria Fernanda começou por ser voluntária no Hospital de Santo Tirso, mas a experiência levou-a até à Santa Casa da Misericórdia de onde nunca mais saiu. “Vou todas as quartas-feiras e contribuo para a felicidade dos idosos. Por exemplo, canto com eles os cânticos da missa, da desfolhada e da vindima”, referiu sorridente.

Com 77 anos, esta voluntária acredita que nem todas as pessoas têm perfil para fazerem o bem. “Nem toda a gente serve. Para ser voluntário de um lar não podemos ter receio de pegar na mão do idoso, de lhe dar um beijo ou de lhe mudar a fralda. O que sei é que se deve fazer voluntariado por vocação e não por vaidade”, acrescentou Maria Fernanda.

 

 

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