No âmbito do Ano Europeu do Voluntariado, o jornal O Notícias da Trofa está a divulgar – ao longo do ano – testemunhos de pessoas que fizeram ou fazem voluntariado, tentando descortinar o que motiva alguém a dar de si sem esperar nada em troca. Rosa Laje é professora voluntária no TCA, no projeto de alfabetização “Aprender a ler, escrever e contar”, no qual muitos dos alunos já têm mais de 50 anos.

Após a minha aposentação, sentia-me triste pois ensinar foi tudo o que eu gostei de fazer ao longo da minha vida. Sentia-me vazia e sem rumo. Fui convidada pelo TCA para participar no projeto de alfabetização «Aprender a ler, escrever e contar», em 2006, e aceitei de imediato. Atualmente, estou de corpo e alma ligada ao projeto.

Trabalhar com estas pessoas é fantástico. É sentir que todos eles ganharam uma nova vida. Têm novos sorrisos, são mais alegres, mais comunicativos, ganharam autonomia, autoestima e confiança. Acreditam muito mais em si próprios. Partilhar com eles o meu saber foi para mim uma aprendizagem. As suas vivências têm-me enriquecido. Aprendi muito mais do que aquilo que dei. Esta convivência tem sido uma lição de vida.

No entanto, não é uma tarefa na qual encontro dificuldades a todos os níveis – social, cultural e emocional. São pessoas para as quais a vida foi muito “madrasta”. Alguns perderam os pais muito cedo e ficaram à mercê dos vizinhos, dos irmãos mais velhos; outros filhos de famílias numerosas e pobres, que tiveram de ajudar os irmãos; outros com dificuldades graves de aprendizagem e que não foram bem-sucedidos. Agora o tempo fê-los crescer, estão mais disponíveis e então agarraram esta oportunidade logo que tiveram conhecimento dela através do TCA.

Além de trabalhar para o TCA, voluntariamente, pois é um trabalho que eu adoro fazer, ainda sou voluntária na ACREDITAR (Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro). Esta associação tem como função ajudar as crianças que estão internadas no Hospital de S. João e no IPO do Porto e também as que vão às consultas externas. Dois dias por semana desloco-me ao IPO para fazer o meu turno, apoiando crianças internadas no serviço de transplantes de medula óssea, levando-lhes o meu carinho, as minhas brincadeiras, as minhas canções…

Também faço parte do projeto Aprender Mais (ACREDITAR), deslocando-me a casa das crianças sinalizadas pelo Hospital, para as apoiar no seu desenvolvimento cognitivo, social e intelectual, durante o período de recuperação.

Tendo sido uma pessoa sempre disponível para ajudar e partilhar o meu tempo e os meus conhecimentos com os meus alunos e os meus amigos, fui praticando atividades de voluntariado ao longo da minha vida. Não tendo a totalidade do tempo disponível, adequei-o sempre que possível. Agora, estou totalmente disponível, para ser voluntária a tempo inteiro.

Ser voluntária para mim é dar sem nunca pensar em retribuição. É partilhar o que sou capaz de fazer – ensinar. É sentir-me útil e viva perante a sociedade da qual faço parte, sendo esta muito heterogénea. Ser voluntária é ser responsável, pois é preciso cumprir os deveres que o voluntariado exige.

Ser voluntária foi a forma de eu poder continuar a ser eu própria, como pessoa e como ser humano.

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