Elementos da Comissão Promotora do concelho da Trofa reuniram-se num almoço de confraternização. Grupo considera que as oportunidades que surgiram há 13 anos não foram aproveitadas.

A Trofa é como um jogador de futebol que passou ao lado de uma grande carreira. A ideia é comungada pelos elementos da Comissão Promotora do concelho, que se reuniu, mais um ano, num almoço de confraternização, no restaurante Pintor Pobre, em Santiago de Bougado.

Por entre conversas de circunstância de como está o País e o Mundo, há uma que nunca se esgota… e que está presente todos os anos: a elevação da Trofa a concelho a 19 de novembro de 1998. O tema não surge por acaso, porque, afinal, estes foram os timoneiros de uma conquista sem precedentes de uma população que há mais de um século vivia revoltada com a anexação ao concelho de Santo Tirso.

Na História, existem estórias que não permitem saber, tal e qual, como se formou a Comissão Promotora, mas parece ser certo que a vontade nasceu no seio da freguesia de S. Martinho de Bougado, através da televisão pirata TDM.

Bougadenses de S. Martinho (Pedro Costa, Aníbal Costa, José Serra, Eugénio Gomes, Mário Ribeiro, Costa Ferreira e Armando Martins) e Santiago (Augusto Vaz e Silva, José Gregório Torres, Manuel Rodrigues da Silva, António Pereira, Francisco Lima, José Reis e Adélio Serra) uniram-se por uma causa e, mais tarde, contaram com um murense, José Moreira da Silva, para fortalecer um grupo que lutou, apartidariamente, pelo nascimento do concelho.

Treze anos depois, quase todos fazem questão de se reunir num almoço no dia de aniversário do concelho para avivar memórias.

Para Adélio Serra, a criação do concelho “foi uma aposta que durou 11 anos de ininterruptos acontecimentos, de consultas intermináveis de documentos que serviram para junto à Assembleia da República, demonstrar a justeza da pretensão”. Continuaremos, até que a vida nos permita, a celebrar a criação do concelho. Lamentamos que, neste momento, nos falte um elemento por falecimento (Augusto Vaz e Silva) e dois que não estão presentes neste almoço por questões pessoais”, acrescentou.

Depois de atravessarem muitos obstáculos para conseguirem concretizar o desejo dos trofenses, os elementos da Comissão Promotora vivem com o sentimento de dever cumprido. Aníbal Costa considera que o grupo “teve um papel importante na criação e a partir do momento em que cumpriu o seu trabalho, terminou as suas funções”.

Apesar de não se arrepender de ter lutado pelo concelho, Aníbal Costa considera que a Trofa não aproveitou as oportunidades que lhe foram proporcionadas há 13 anos: “Nesta luta, achávamos que tínhamos condições para fazer da Trofa um concelho-modelo no País e hoje, passados 13 anos, reconheço que podíamos ter sido um exemplo. Infelizmente, o nosso concelho foi mais uma repetição de tudo o que era erro neste País. Temos um concelho que é o que é…”.

Aníbal Costa acrescentou que a Trofa “teve todas as condições para ser um ótimo concelho”, mas “não é agora que se vai fazer o que devia ter sido feito há dez ou 11 anos”. 

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