O Espaço t inaugurou as novas instalações na Trofa com a promessa que a nova “casa” é “de todos”. O coordenador da associação na Trofa, Domingos Mendes, afirmou que quer mais ateliers e mais formação.

O cheiro a novo invadia o olfacto de quem entrava nas novas instalações do Espaço t. Um primeiro piso cheio de luz, com paredes brancas, estreava-se já com a exposição “Experiências”, de Joana Folhadela, que vai estar patente até 22 de Maio. Em baixo ainda se pode ver um pequeno espaço de leitura. Pequeno, mas acolhedor e convidativo. Já o primeiro andar surpreende pelo género multiface. Uma sala de computadores que faz paredes-meias com um apetrechado laboratório de fotografia que inveja pelos cinco ampliadores. E ainda há espaço para uma pequena sala de exposição, com alguns quadros que dão um colorido diferente e especial ao pequeno compartimento. Em suma, um espaço que transmite a ideia de que uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) não tem que ser feia, escura, amorfa.

A nova casa do Espaço t foi apresentada numa cerimónia simples mas simbólica, à luz do que deve ser uma IPSS. Esta não dá comida, roupa nem lugar para dormir. Dá afecto através da cultura. “Somos uma sociedade que pensa cada vez mais no dinheiro e vive com uma política muito mecanicista. O Espaço t acredita numa política muito humanista e eu acredito que quando acreditamos no valor humano, o dinheiro aparece”, diz Jorge Oliveira, presidente da associação. Para o responsável, estas novas instalações são um dos prémios de uma luta pela afirmação no concelho da Trofa, que durou oito anos. Facto que deixa o presidente da associação “emocionado” e com a certeza que, depois dos “momentos altos e baixos” que teve, o Espaço t “conseguiu afirmar-se como associação de solidariedade social”.

E quem pensa em Espaço t só pode chegar a uma conclusão, que é o propósito para a sua existência: é um espaço de alternativa. Uma associação na qual as pessoas possam “melhorar a sua auto-estima, serem mais felizes com elas próprias e com os outros, desenvolvendo as suas competências emocionais e relacionais”. E Jorge Oliveira garante, através de testemunhos como os utentes da APPACDM da Trofa, que “as pessoas são mais felizes desde que andam no Espaço t”. E se uma associação consegue trazer felicidade, já mais nada interessa. É essa a sua essência.

Mas porquê a mudança de instalações? Domingos Mendes, coordenador do Espaço T da Trofa explica que “era necessário proporcionar às pessoas uma nova envolvente para dar sentido à pedagogia do Espaço t”.

Depois, segundo o responsável, denotava-se que os espaços anteriores estavam a tornar-se “exíguos” para aquilo que o Espaço t pretendia, no que toca aos ateliers e aos quadros de formação profissional.

A terceira razão reside no facto de como é uma IPSS, a Segurança Social impõe algumas regras em termos de espaço físico. “No espaço em que estávamos não conseguíamos responder a essas alterações e teríamos que reduzir ainda mais o espaço que está dedicado aos utentes, o que não estava correcto”, acrescentou Domingos Mendes.

Trabalhar a arte terapia

Muitos ouvem falar do Espaço t, mas a sua actividade ainda passa um pouco despercebida no concelho. Afinal o que é o Espaço t? “É um espaço que trabalha a arte terapia, a arte como veículo terapêutico”, afirmou Domingos Mendes. É uma associação que não vê a arte como um produto em si, mas como uma forma de deitar para fora o que vai dentro.

Não se trata de uma “cura de um dói-dói físico, mas de um dói-dói que não se vê”. A cultura tem o poder de inserção e prova disso são “casos de pessoas da Trofa que, depois de chegarem, já procuraram concluir o 9º e o 12º anos de escolaridade”.

Até ao final do ano o Espaço t vai contar com mais exposições e outras actividades para aproveitar da melhor maneira um espaço que “é de todos”.

 

Domingos Mendes afirmou que a associação quer disponibilizar mais e diferentes ateliers e promover mais formação.

Espaço T quer galeria itinerante no concelho

Joana Folhadela é a primeira de muitos artistas que serão expostos nas novas instalações do Espaço t até ao final do ano. O calendário já está feito e, depois deste, Domingos Mendes pretende implementar o conceito de galeria itinerante que, de resto, já se verifica noutros locais que são da responsabilidade da associação.

“Quero que este espaço seja para artistas da Trofa e que queiram expor. Este conceito de galeria itinerante funcionará se conseguirmos arranjar outros locais para expor no concelho e por isso já contactei alguns presidentes de Junta, como o de S. Romão do Coronado e Alvarelhos, para uma possível colaboração. Era uma forma de fazer chegar estas formas de arte a mais pessoas”, afirmou.