Alunos da Escola Secundária expõem pela primeira vez na Casa da Cultura da Trofa

Um guarda-chuva, um aspirador ou umas sapatilhas foram alguns dos objectos utilizados pelos 12 alunos do Curso Científico Humanístico de Artes Visuais da Escola Secundária da Trofa para criar as obras que estão em exposição na Casa da Cultura, desde o passado sábado.

A criatividade dos alunos do 12º ano do Curso Científico Humanístico de Artes Visuais da Escola Secundária da Trofa foi posta à prova na Oficina de Artes e os objectos criados por 12 jovens artistas estão, pela primeira vez, em exposição na Casa da Cultura da Trofa.

“Objectolandia 1208” é o nome da mostra dos trabalhos destes alunos que partindo de um objecto do seu quotidiano, criaram as suas “obras de arte”. Por isso, cada objecto assume, depois de trabalhado pelos alunos, um novo sentido dentro do seu contexto funcional.

O skate de Sérgio Pimenta passou de hobbie à base de trabalho do jovem artista, que com a cabeça de um manequim mostra, através da “obra de arte”, tudo em que pensa: “skate, jogos, dinheiro e mulheres”.

Desde pequeno que vê no skate uma forma de escape ao stress do dia-a-dia, por isso resolveu escolhê-lo como objecto principal do seu projecto. “Desde pequeno que ando de skate, vai fazer agora seis anos, é uma coisa que eu adoro fazer e acho que nunca vou deixar de andar, daí eu na minha obra ter posto o cabelo branco no manequim, porque mesmo que eu envelheça vou continuar a andar de skate”, afirmou .

Também Joana Cruz pensou num objecto que fizesse parte da sua vida e o garrafão com água foi a escolha: “decidi escolher como objecto o garrafão, porque no dia-a-dia toda a gente usa água e o garrafão, depois relacionei com a natureza, porque hoje em dia todos falam sobre a crescente poluição e eu quis retratar o estado em que estamos, ou seja, que a natureza está cada vez mais dependente do homem”. Assim, numa estrutura metálica Joana ligou um garrafão com água, que representa a natureza, a um garrafão preto, que representa o homem, que por ser dominante se encontra no topo da “obra de arte”.

O que começou por ser um mero trabalho de escola transformou-se na exposição “Objectolandia 1208”, que mostra a todo o concelho o que vai na cabeça artística destes jovens.

A ideia, segundo Paula Pires, professora de Arte dos 12 alunos, “era criar algum envolvimento dos alunos, já que eles são daqui da Trofa, com a Casa da Cultura”.

O objectivo foi atingido e, quanto à avaliação dos trabalhos, a docente foi peremptória: “de uma forma geral estão todos muito bem conseguidos e acho que todos eles, cada um à sua maneira, transmitem sensações distintas, cada aluno criou um universo muito próprio que muitas vezes tem a ver com a personalidade de cada um”.

António Pontes, vereador do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Trofa, que já conhecia os jovens artistas, fez questão de estar presente e assistir à explicação do significado de cada trabalho e também fez a sua avaliação. “Depois de olhar para os trabalhos que foram apresentados, eu acho que cumprem a nossa expectativa no que diz respeito àquilo que estávamos à espera que eles fossem apresentar, acho que têm um grau de maturidade muito interessante, são muito inovadores e nota-se a espontaneidade”, comentou.

“Estes alunos têm já uma capacidade de pensar a arte com alguma maturidade, embora estejam a meio de um percurso, mas pelo menos já pensam as coisas de uma forma muito inovadora, muito perspicaz e nesta sequência achamos muito importante dar-lhes uma oportunidade para eles exporem os trabalhos que estão a executar para o seu currículo”, acrescentou Pontes.

Ana Torres, Joana Cruz, José Lima, Leonor Cruz, Marisa Araújo, Ricardo Lamas, Rúben Silva, Rute Costa, Sara Oliveira, Sérgio Pimenta, Susana Assunção e Sílvia Reis são os nomes dos jovens artistas que vêm as suas esculturas expostas na Casa da Cultura da Trofa até dia 22 de Abril.