Os tempos atuais são exigentes para todos os que exercem uma atividade profissional, mas também o são para quem tem a nobre missão da governança, seja local, regional ou nacional. Ser Autarca no século XXI, não deve ser para encher de vaidade quem é eleito, mas sim um compromisso de lutar para que o seu concidadão tenha uma melhor qualidade de vida. É, essencialmente, para isso que é eleito.

As mudanças verificadas na economia e nas finanças portuguesas, obrigam a que o Autarca moderno se assuma como agente de transformações geradoras de riqueza e bem-estar para as suas populações e um ator decisivo no desenvolvimento económico, social e cultural do território que tem por missão governar. O tempo do autarca “mestre-de-obras”, do “feirante” ou do “folclore” já passou, há muito tempo. Hoje, as exigências são bem diferentes!

Os desafios do Autarca moderno, em termos da estratégia de desenvolvimento económico e social e da gestão de uma forma global, são duma dimensão tal que não se confinam aos padrões de exigência do passado recente. O Autarca do século XXI precisa de ter uma visão estratégica para a realidade da sua autarquia na sua singularidade, sem dar continuidade à forma de gestão anterior ou “copiar” a do território vizinho. É bom que seja um visionário, pois será permanente a necessidade de inovação e geração de riqueza.

O Autarca do século XXI tem de ter a capacidade de olhar a estrada para além da curva, pois até à curva todos conseguem ver. Tem de olhar para os desafios que o futuro coloca duma forma criativa, marcando a coordenação necessária entre a gestão corrente que faz do seu quotidiano e a visão a longo prazo, que obriga à estratégia e à coerência na ação. É isso que marcará a diferença.

O novo Autarca alicerça-se num novo modelo de liderança em que o compromisso de responsabilidade está sempre presente. As suas boas decisões e as escolhas políticas acertadas, resultam quase sempre, da negociação, da procura de equilíbrios e da construção de consensos, mas nunca a qualquer preço. A sua livre escolha é sempre sobre as preferências e efeitos das escolhas assumidas. A sua decisão é um ato de consciência e de livre arbítrio, determinada pelo seu grau de conhecimento e de formação ética.

O Autarca moderno deve exercer a liderança, com visão estratégica, sem perder a carga simbólica, emocional, transcendental e política própria do cargo. Deve estabelecer com os cidadãos um diálogo direto, materializando uma relação de proximidade, fortalecida pelo seu realismo presencial, pois não deve esquecer que o eleitorado é cada vez mais seletivo nas suas escolhas.

É cada vez mais expressiva a determinação do voto pelo mérito pessoal e pela competência. Por tudo isto, o Autarca do século XXI precisa de revelar novos saberes, responder com eficácia aos desafios da atualidade e praticar a excelência na sua governação. A mudança está aí.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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