Festejamos há dias com pompa e circunstância os quinze anos da realização do sonho de todos os trofenses, a criação no nosso concelho da Trofa. Uma realização com infinitamente mais pontos positivos do que negativos. Contudo, há ainda muito por materializar para se atingir a plenitude do nosso sonho coletivo de 1998.

É certo que devemos ter sempre em consideração que iniciamos a nossa odisseia como concelho com mais de um século de atraso em relação aos municípios nossos vizinhos, mas houve momentos ao longo dos últimos quinze anos, em que as forças, a vontade e até a astúcia pareceram fraquejar e não tiveram a energia suficiente para vencer o atrito do desenvolvimento e encurtar as assimetrias que ainda nos separam dos níveis de desenvolvimento e de oportunidades oferecidos pelos concelhos vizinhos.

Como trofenses, com identidade, autonomia e responsabilidades próprias, não podemos perder mais tempo nem desperdiçar mais oportunidades. Dadas as adversidades que se intuem num futuro próximo, este é mais do que nunca, tempo de estarmos unidos e de todos trabalharmos em conjunto em prol do nosso concelho. É tempo de sermos nós trofenses a assumir as rédeas da condução do nosso concelho e não deixarmos que os interesses centralistas ou dos concelhos vizinhos condicionem o nosso futuro. É imperativo reavivarmos o espírito de união e de trabalho mútuo que há 15 anos culminou com a criação do concelho da Trofa.

É urgente e necessária a definição de um conjunto de prioridades coletivas e de “consensos alargados” que permitam suprimir no mais curto espaço de tempo as principais carências do nosso concelho e as causas do seu congelamento económico, social, cultural, etc. Não basta devolver somente o orgulho. É necessário suprimir carências, arquitetar um futuro coletivo, ressuscitar a esperança.

Carências de sempre, como a falta de atratividade para a criação e fixação de novas empresas no perímetro do nosso concelho, as fracas acessibilidades que atrofiam dia após dia a nossa economia local, a organização quase anárquica do trânsito na nossa cidade que exponencia a poluição e os custos da mobilidade interna, o acentuado estado de abandono e de degradação dos nossos prédios urbanos que induz a guetização de algumas áreas da cidade e convida à emigração para os municípios vizinhos, o desleixo crescente dos nossos espaços públicos que reduz o potencial e a atratividade do nosso comércio local, a contínua desvalorização e degradação dos serviços públicos essenciais coloca em causa a universalidade no acesso aos mesmos, a reduzida e deficitária oferta cultural limita e não divulga a nossa criatividade e a nossa inovação, a frágil democracia local que bloqueia ou desvaloriza ideias inovadoras e afasta as populações da definição das prioridades coletivas. Carências que devem ser rapidamente suprimidas para que a Trofa e os trofenses recuperem a esperança num futuro melhor. Um futuro vivido num concelho de primeira, em linha com o do “sonho” de 1998.

O concelho da Trofa deve definir já hoje um conjunto de metas para os próximos quinze anos. Metas consensuais, simples, claras, percetíveis (e dentro dos possíveis aceites) por todos. Metas, que nos permitam suprimir nesse horizonte temporal todas as carências acima enunciadas. Só com objetivos comuns de longo prazo, poderemos preparar o futuro e traçar um rumo conhecido e aceite por todos. Devemos aprender e não repetir os erros do passado, mas não devemos martirizarmo-nos e deixar que os erros passados nos bloqueiem a vontade e nos condicionem irremediavelmente o futuro.

É uma tarefa hercúlea. Extenuante. Se fosse fácil não seria para gente da Trofa. Mas como trofenses, devemos sempre lembrarmo-nos de como há quinze anos atrás estivemos todos unidos e tivemos a ousadia e fibra suficiente para realizar um impossível.

Hoje, nestes tempos de dificuldades e de austeridade que parece infinita, é importante continuarmos motivados e crentes num futuro melhor para o nosso concelho. Apesar de tudo, valeu a pena! Continuaremos à altura do desafio de nos próximos anos defendermos e elevarmos o nosso concelho a um concelho de referência. Talvez daqui por quinze anos possamos todos dizer “Agora sim, demos a volta a isto!”.

 

Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa.

gualter.costa@outlook.com