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Edição 449

Disputa a dois para as eleições da concelhia do PS

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Marco Ferreira e Mário Mourão lideram as candidaturas que se vão apresentar a eleições para a Comissão Política Concelhia do Partido Socialista (PS) da Trofa. Eleições estão marcadas para 7 de dezembro.

Um quer “desenvolver um pensamento estratégico para o concelho”, o outro prioriza “um novo ciclo” para “unir os militantes”. A disputa para a concelhia do Partido Socialista da Trofa vai fazer-se a dois. Marco Ferreira e Mário Mourão encabeçam as listas candidatas ao partido no concelho, agora que Joana Lima atingiu o limite de mandatos consecutivos, conforme ditam os estatutos. O primeiro, que conta com o apoio da líder cessante, é uma espécie de descendente que, encerrando um capítulo na Juventude Socialista e mantendo-se à frente da Associação Nacional de Jovens Autarcas Socialistas, dá um passo no quadro da concelhia, correspondendo ao “forte apelo” de “militantes mais novos e mais velhos”. “Entendi que poderia agarrar este desafio e fazer um bom trabalho, porque já tenho contacto de alguns anos com a militância de base e quero aproveitar para puxar pelas energias de todos para pormos o partido ao serviço do concelho”, afirmou em declarações ao NT, garantindo ter “uma estratégia e um pensamento que será positivo”.

Nas últimas eleições autárquicas, a população não validou o projeto socialista e, na ótica de Marco Ferreira, é necessário “ter um partido de trabalho e de proximidade, que comece desde já a desenvolver um pensamento estratégico para o concelho”.

Com a mudança de estatutos, o mandato na comissão política concelhia do PS alarga-se para quatro anos – em vez de dois como até agora -, mas Marco Ferreira, que apresentou a candidatura no dia 22 de novembro, no auditório da AEBA, garante que a candidatura “não traz agarrado” um candidato à Câmara Municipal. “Obviamente liderando o partido, terei responsabilidades na coordenação desse trabalho, mas não me apresento como candidato, porque falta muito tempo. Antes de discutirmos as pessoas, temos de discutir o projeto e a estratégia, aquilo que o PS acredita ser o rumo certo para o concelho”, frisou.

Também Mário Mourão, cuja militância tem tido maior enfoque no distrito, resolveu responder “ao apelo” de “vários camaradas” para liderar um desafio que passa por “unir o partido”. “O partido está dividido por fações e completamente esfrangalhado e eu acho que posso dar o meu contributo para a sua unidade”, salientou.

O socialista, que faz parte da comissão política concelhia que está a encerrar funções, garante que a candidatura “não é contra ninguém” e que o opositor “é um bom quadro do partido que não pode ser dispensado do futuro do PS na Trofa”. No entanto, defende que “é momento de se iniciar um novo ciclo”. “Uma das prioridades é tentar sentar todas as sensibilidades internas do partido, no sentido de conseguirmos um consenso com o objetivo de agregar os socialistas para que estejamos prontos para daqui a quatro anos ganharmos a Câmara”, afirmou o socialista que não tem “em vista” fazer uma sessão de apresentação oficial da candidatura.

Mário Mourão também rejeita assumir, para já, a candidatura à autarquia: “Muita água vai passar por baixo da ponte. Faltam quatro anos, o novo executivo ainda agora tomou posse. Seremos uma oposição construtiva, mas sem abdicar dos princípios do PS”.

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Para além de ter sido deputado nas três últimas legislaturas, Mário Mourão é membro da comissão nacional do PS e da federação distrital do Porto do PS.

 

Federação exclui militantes da Trofa dos cadernos eleitorais

A Federação Distrital do Porto do PS excluiu cerca de 1400 militantes do partido das concelhias de Matosinhos, Trofa e Porto dos cadernos eleitorais, impedindo-os de votar nas eleições internas. Em causa está o alegado pagamento massivo de cotas, consideradas irregulares pela Federação. Na Trofa, foram feitos pagamentos por cheque de cerca de 1800 euros.

Tanto Marco Ferreira como Mário Mourão referiram ao NT “desconhecer” de onde partiu a queixa, no entanto o segundo afirmou: “Aquilo que me constou é que houve militantes afetos a outra candidatura a quem lhes pagaram a cota”.

Mourão considera que “há procedimentos do partido que têm de ser mudados, para tornar os processos mais transparentes para não se verificar o que acontece nos momentos de eleições, que é a correria no pagamento de cotas”.

Já Marco Ferreira adiantou que à data da entrevista “não” tinha feito “uma análise exaustiva” dos cadernos eleitorais definitivos e que “em última análise, os secretários coordenadores é que estão mais atentos à questão da cotização”. O socialista acrescentou que não apresentou nenhuma reclamação relativa aos cadernos eleitorais.

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A Federação do PS do Porto abriu um processo interno para apurar por que se aceitaram os pagamentos e quem os efetuou será alvo de um processo disciplinar. Outros casos aconteceram em Matosinhos, com a exclusão de 1140 militantes, e em três secções do Porto.

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Edição 449

Venham mais quinze!

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Gualter-Costa

Festejamos há dias com pompa e circunstância os quinze anos da realização do sonho de todos os trofenses, a criação no nosso concelho da Trofa. Uma realização com infinitamente mais pontos positivos do que negativos. Contudo, há ainda muito por materializar para se atingir a plenitude do nosso sonho coletivo de 1998.

É certo que devemos ter sempre em consideração que iniciamos a nossa odisseia como concelho com mais de um século de atraso em relação aos municípios nossos vizinhos, mas houve momentos ao longo dos últimos quinze anos, em que as forças, a vontade e até a astúcia pareceram fraquejar e não tiveram a energia suficiente para vencer o atrito do desenvolvimento e encurtar as assimetrias que ainda nos separam dos níveis de desenvolvimento e de oportunidades oferecidos pelos concelhos vizinhos.

Como trofenses, com identidade, autonomia e responsabilidades próprias, não podemos perder mais tempo nem desperdiçar mais oportunidades. Dadas as adversidades que se intuem num futuro próximo, este é mais do que nunca, tempo de estarmos unidos e de todos trabalharmos em conjunto em prol do nosso concelho. É tempo de sermos nós trofenses a assumir as rédeas da condução do nosso concelho e não deixarmos que os interesses centralistas ou dos concelhos vizinhos condicionem o nosso futuro. É imperativo reavivarmos o espírito de união e de trabalho mútuo que há 15 anos culminou com a criação do concelho da Trofa.

É urgente e necessária a definição de um conjunto de prioridades coletivas e de “consensos alargados” que permitam suprimir no mais curto espaço de tempo as principais carências do nosso concelho e as causas do seu congelamento económico, social, cultural, etc. Não basta devolver somente o orgulho. É necessário suprimir carências, arquitetar um futuro coletivo, ressuscitar a esperança.

Carências de sempre, como a falta de atratividade para a criação e fixação de novas empresas no perímetro do nosso concelho, as fracas acessibilidades que atrofiam dia após dia a nossa economia local, a organização quase anárquica do trânsito na nossa cidade que exponencia a poluição e os custos da mobilidade interna, o acentuado estado de abandono e de degradação dos nossos prédios urbanos que induz a guetização de algumas áreas da cidade e convida à emigração para os municípios vizinhos, o desleixo crescente dos nossos espaços públicos que reduz o potencial e a atratividade do nosso comércio local, a contínua desvalorização e degradação dos serviços públicos essenciais coloca em causa a universalidade no acesso aos mesmos, a reduzida e deficitária oferta cultural limita e não divulga a nossa criatividade e a nossa inovação, a frágil democracia local que bloqueia ou desvaloriza ideias inovadoras e afasta as populações da definição das prioridades coletivas. Carências que devem ser rapidamente suprimidas para que a Trofa e os trofenses recuperem a esperança num futuro melhor. Um futuro vivido num concelho de primeira, em linha com o do “sonho” de 1998.

O concelho da Trofa deve definir já hoje um conjunto de metas para os próximos quinze anos. Metas consensuais, simples, claras, percetíveis (e dentro dos possíveis aceites) por todos. Metas, que nos permitam suprimir nesse horizonte temporal todas as carências acima enunciadas. Só com objetivos comuns de longo prazo, poderemos preparar o futuro e traçar um rumo conhecido e aceite por todos. Devemos aprender e não repetir os erros do passado, mas não devemos martirizarmo-nos e deixar que os erros passados nos bloqueiem a vontade e nos condicionem irremediavelmente o futuro.

É uma tarefa hercúlea. Extenuante. Se fosse fácil não seria para gente da Trofa. Mas como trofenses, devemos sempre lembrarmo-nos de como há quinze anos atrás estivemos todos unidos e tivemos a ousadia e fibra suficiente para realizar um impossível.

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Hoje, nestes tempos de dificuldades e de austeridade que parece infinita, é importante continuarmos motivados e crentes num futuro melhor para o nosso concelho. Apesar de tudo, valeu a pena! Continuaremos à altura do desafio de nos próximos anos defendermos e elevarmos o nosso concelho a um concelho de referência. Talvez daqui por quinze anos possamos todos dizer “Agora sim, demos a volta a isto!”.

 

Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa.

gualter.costa@outlook.com

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Edição 449

Ser Autarca no século XXI

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Os tempos atuais são exigentes para todos os que exercem uma atividade profissional, mas também o são para quem tem a nobre missão da governança, seja local, regional ou nacional. Ser Autarca no século XXI, não deve ser para encher de vaidade quem é eleito, mas sim um compromisso de lutar para que o seu concidadão tenha uma melhor qualidade de vida. É, essencialmente, para isso que é eleito.

As mudanças verificadas na economia e nas finanças portuguesas, obrigam a que o Autarca moderno se assuma como agente de transformações geradoras de riqueza e bem-estar para as suas populações e um ator decisivo no desenvolvimento económico, social e cultural do território que tem por missão governar. O tempo do autarca “mestre-de-obras”, do “feirante” ou do “folclore” já passou, há muito tempo. Hoje, as exigências são bem diferentes!

Os desafios do Autarca moderno, em termos da estratégia de desenvolvimento económico e social e da gestão de uma forma global, são duma dimensão tal que não se confinam aos padrões de exigência do passado recente. O Autarca do século XXI precisa de ter uma visão estratégica para a realidade da sua autarquia na sua singularidade, sem dar continuidade à forma de gestão anterior ou “copiar” a do território vizinho. É bom que seja um visionário, pois será permanente a necessidade de inovação e geração de riqueza.

O Autarca do século XXI tem de ter a capacidade de olhar a estrada para além da curva, pois até à curva todos conseguem ver. Tem de olhar para os desafios que o futuro coloca duma forma criativa, marcando a coordenação necessária entre a gestão corrente que faz do seu quotidiano e a visão a longo prazo, que obriga à estratégia e à coerência na ação. É isso que marcará a diferença.

O novo Autarca alicerça-se num novo modelo de liderança em que o compromisso de responsabilidade está sempre presente. As suas boas decisões e as escolhas políticas acertadas, resultam quase sempre, da negociação, da procura de equilíbrios e da construção de consensos, mas nunca a qualquer preço. A sua livre escolha é sempre sobre as preferências e efeitos das escolhas assumidas. A sua decisão é um ato de consciência e de livre arbítrio, determinada pelo seu grau de conhecimento e de formação ética.

O Autarca moderno deve exercer a liderança, com visão estratégica, sem perder a carga simbólica, emocional, transcendental e política própria do cargo. Deve estabelecer com os cidadãos um diálogo direto, materializando uma relação de proximidade, fortalecida pelo seu realismo presencial, pois não deve esquecer que o eleitorado é cada vez mais seletivo nas suas escolhas.

É cada vez mais expressiva a determinação do voto pelo mérito pessoal e pela competência. Por tudo isto, o Autarca do século XXI precisa de revelar novos saberes, responder com eficácia aos desafios da atualidade e praticar a excelência na sua governação. A mudança está aí.

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José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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