Marco Ferreira e Mário Mourão lideram as candidaturas que se vão apresentar a eleições para a Comissão Política Concelhia do Partido Socialista (PS) da Trofa. Eleições estão marcadas para 7 de dezembro.

Um quer “desenvolver um pensamento estratégico para o concelho”, o outro prioriza “um novo ciclo” para “unir os militantes”. A disputa para a concelhia do Partido Socialista da Trofa vai fazer-se a dois. Marco Ferreira e Mário Mourão encabeçam as listas candidatas ao partido no concelho, agora que Joana Lima atingiu o limite de mandatos consecutivos, conforme ditam os estatutos. O primeiro, que conta com o apoio da líder cessante, é uma espécie de descendente que, encerrando um capítulo na Juventude Socialista e mantendo-se à frente da Associação Nacional de Jovens Autarcas Socialistas, dá um passo no quadro da concelhia, correspondendo ao “forte apelo” de “militantes mais novos e mais velhos”. “Entendi que poderia agarrar este desafio e fazer um bom trabalho, porque já tenho contacto de alguns anos com a militância de base e quero aproveitar para puxar pelas energias de todos para pormos o partido ao serviço do concelho”, afirmou em declarações ao NT, garantindo ter “uma estratégia e um pensamento que será positivo”.

Nas últimas eleições autárquicas, a população não validou o projeto socialista e, na ótica de Marco Ferreira, é necessário “ter um partido de trabalho e de proximidade, que comece desde já a desenvolver um pensamento estratégico para o concelho”.

Com a mudança de estatutos, o mandato na comissão política concelhia do PS alarga-se para quatro anos – em vez de dois como até agora -, mas Marco Ferreira, que apresentou a candidatura no dia 22 de novembro, no auditório da AEBA, garante que a candidatura “não traz agarrado” um candidato à Câmara Municipal. “Obviamente liderando o partido, terei responsabilidades na coordenação desse trabalho, mas não me apresento como candidato, porque falta muito tempo. Antes de discutirmos as pessoas, temos de discutir o projeto e a estratégia, aquilo que o PS acredita ser o rumo certo para o concelho”, frisou.

Também Mário Mourão, cuja militância tem tido maior enfoque no distrito, resolveu responder “ao apelo” de “vários camaradas” para liderar um desafio que passa por “unir o partido”. “O partido está dividido por fações e completamente esfrangalhado e eu acho que posso dar o meu contributo para a sua unidade”, salientou.

O socialista, que faz parte da comissão política concelhia que está a encerrar funções, garante que a candidatura “não é contra ninguém” e que o opositor “é um bom quadro do partido que não pode ser dispensado do futuro do PS na Trofa”. No entanto, defende que “é momento de se iniciar um novo ciclo”. “Uma das prioridades é tentar sentar todas as sensibilidades internas do partido, no sentido de conseguirmos um consenso com o objetivo de agregar os socialistas para que estejamos prontos para daqui a quatro anos ganharmos a Câmara”, afirmou o socialista que não tem “em vista” fazer uma sessão de apresentação oficial da candidatura.

Mário Mourão também rejeita assumir, para já, a candidatura à autarquia: “Muita água vai passar por baixo da ponte. Faltam quatro anos, o novo executivo ainda agora tomou posse. Seremos uma oposição construtiva, mas sem abdicar dos princípios do PS”.

Para além de ter sido deputado nas três últimas legislaturas, Mário Mourão é membro da comissão nacional do PS e da federação distrital do Porto do PS.

 

Federação exclui militantes da Trofa dos cadernos eleitorais

A Federação Distrital do Porto do PS excluiu cerca de 1400 militantes do partido das concelhias de Matosinhos, Trofa e Porto dos cadernos eleitorais, impedindo-os de votar nas eleições internas. Em causa está o alegado pagamento massivo de cotas, consideradas irregulares pela Federação. Na Trofa, foram feitos pagamentos por cheque de cerca de 1800 euros.

Tanto Marco Ferreira como Mário Mourão referiram ao NT “desconhecer” de onde partiu a queixa, no entanto o segundo afirmou: “Aquilo que me constou é que houve militantes afetos a outra candidatura a quem lhes pagaram a cota”.

Mourão considera que “há procedimentos do partido que têm de ser mudados, para tornar os processos mais transparentes para não se verificar o que acontece nos momentos de eleições, que é a correria no pagamento de cotas”.

Já Marco Ferreira adiantou que à data da entrevista “não” tinha feito “uma análise exaustiva” dos cadernos eleitorais definitivos e que “em última análise, os secretários coordenadores é que estão mais atentos à questão da cotização”. O socialista acrescentou que não apresentou nenhuma reclamação relativa aos cadernos eleitorais.

A Federação do PS do Porto abriu um processo interno para apurar por que se aceitaram os pagamentos e quem os efetuou será alvo de um processo disciplinar. Outros casos aconteceram em Matosinhos, com a exclusão de 1140 militantes, e em três secções do Porto.