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“Uma visão global não só para o Muro, mas também para as outras freguesias”. Este é o desejo de Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia do Muro, para os próximos 11 anos do concelho da Trofa.

Recuando ao dia 19 de Novembro de 1998, o autarca murense recorda com saudade “o sentimento” com que todos lutaram para que a Trofa passasse a concelho. “Está um pouco esquecido o sentimento do dia 19 de Novembro”, afirmou, recordando aqueles que estiveram envolvidos no projecto “Trofa a concelho”. “Há muita coisa que se tem esquecido, como por exemplo as pessoas que estiveram envolvidas neste projecto de alcançar o concelho, penso que depois houve quase um golpe de estado político em que os intervenientes na criação do concelho foram praticamente excluídos das políticas ao longo destes 11 anos, ou seja, não tiveram intervenção na concretização daquilo que ansiavam antes de a Trofa ser concelho”, frisou.

Mas mesmo sem estes intervenientes, foram feitas “coisas boas e más”. De acordo com Carlos Martins, as melhorias no ensino, a nível de infra-estruturas escolares,rodoviárias, uma maior proximidade aos Paços do Concelho, uma maior união “são as mais significantes”, mas “também houve coisas negativas”, alertou.

“No concelho somos poucos habitantes e uma área geográfica pequena e a nossa capacidade de afirmação perante o poder central reduziu-se”, acrescentou. Faltou também um plano de prevenção rodoviária: “Não foi feito um plano de prevenção rodoviária, por exemplo na Estrada Nacional 14, que atravessa a freguesia, que é uma estrada muito perigosa, pedi sempre sinalização, como por exemplo sonorização, lombas e outras coisas que não foram feitas. Outra das coisas que perdemos foi o comboio e ninguém apresentou alternativas”, atestou.

Relativamente a incentivos e grandes obras, Carlos Martins considera que ainda “está tudo muito centralizado em S. Martinho de Bougado, prejudicando outras freguesias”, pelo que deixou um apelo à nova gestão autárquica: “Deixo um alerta para a nova cor política que vem, que não se deixe influenciar, que tenha uma visão estratégica, de planeamento e que sirva todo o concelho”.