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Edição 680

“Sempre pensamos que a Trofa chegaria ao top dos municípios portugueses”

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António Pontes foi um dos que esteve na linha da frente política a lutar pela criação do concelho da Trofa. Foi elemento da Comissão Instaladora e eleito para os dois primeiros executivos camarários, assumindo a vice-presidente da autarquia no segundo mandato. Nos 20 anos da elevação da Trofa a concelho, aceitou dar uma entrevista ao NT para recordar os tempos de governação, falar do que se orgulha e do que podia ter sido feito de outra forma. 

O Notícias da Trofa (NT): É inevitável esta pergunta. Quais os momentos que recorda do dia 19 de novembro de 1998?
António Pontes (AP): Tenho muitas memórias gratificantes desse dia, assim como os milhares de trofenses que foram a Lisboa com a crença plena de que aquele era o dia. Foi um dia histórico para a Trofa, foi o dia da conquista da nossa autonomia, aquilo que sonhamos, enquanto povo, durante décadas a fio, finalmente era realidade.
É evidente que há pormenores que não esqueço. Talvez o mais significativo foi quando se fez a votação na Assembleia da República e o resultado da aprovação foi anunciado pelo Presidente da Assembleia. As pessoas da Trofa que estavam no hemiciclo, e ainda conseguimos entrar bastantes para as galerias, não se contiveram… começámos a aplaudir e a gritar de alegria. Naturalmente, o Presidente da Assembleia avisou-nos para que nos comportássemos devidamente, senão seriamos “convidados” a sair. Depois, quando o resultado da aprovação foi anunciado na escadaria exterior da Assembleia da República. Foi a festa total, com 10 mil trofenses a festejar efusivamente. Finalmente, a chegada à Trofa e a festa da vitela assada, com o Eurico Ferreira a oferecer aos trofenses o petisco a partir do qual se criou a tradição, que nunca mais se deixou de evocar nesta data.

NT: Quando é dada a independência administrativa ao concelho da Trofa, as figuras políticas mais envolvidas no processo estavam cientes da verdadeira dimensão da conquista desse dia?
AP: Havia um misto de consciência do momento, da sua importância, mas também da vivência de um sonho. Uma coisa era clara para as pessoas mais diretamente envolvidas no movimento: tínhamos todos a noção de que se não fosse naquele dia, provavelmente não seria mais. E assim foi, como a seguir se comprovou. Não houve criação de mais nenhum Município depois da Trofa. A seguir a nós, a porta fechou.
Um outro dado importante é que até ao dia 19 de novembro de 1998, foram os trofenses em conjunto a lutar por um objetivo comum, sem agendas políticas partidárias ou pessoais (se as havia, pelo menos não eram públicas), o que tornou a conquista um património de todos. Todos se sentiram parte da concretização daquele objetivo. Éramos todos, iguais, a lutar por algo comum. Quando assim é, conseguem-se coisas que de outra maneira são impossíveis de atingir. A conquista do concelho da Trofa foi sobretudo uma conquista do povo da Trofa. Se houve trabalho de bastidores, é claro que houve. Se houve negociações políticas, com certeza que sim (o Dr. Marques Mendes teve neste aspeto um papel crucial). Mas atrás estava o pulsar de um povo que acreditava que era possível e que fez tudo para demonstrar essa crença a quem dirigia o país e podia decidir sobre o seu futuro.


NT: Como decorreu o processo de transferência de gestão administrativa da comissão instaladora para o primeiro executivo eleito da Câmara Municipal? Quais os principais obstáculos/entraves nesse processo?
AP: A principal dificuldade no arranque da gestão do Município, foi quando a Comissão Instaladora tomou posse. Recordo muito bem o dia 22 de janeiro de 1999, que depois da tomada de posse no Governo Civil do Porto viemos para a Trofa e nem um local tínhamos para reunir. A primeira conversa que tivemos, os cinco membros, foi no café Mirandinha. Foi ali que começamos a conversar sobre os primeiros passos a dar, desde logo um local para começar a trabalhar, que depois ocupamos na Rua António Cruz um apartamento de duas assoalhadas. Não tínhamos nada e ainda por cima com todas as dificuldades que o Município de origem nos colocou, pois como se sabe, a decisão não foi bem aceite pela Câmara de Santo Tirso.

Leia mais na edição papel nº 680 do Jornal o noticias da Trofa 

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Edição 680

A importância de uma pequena obra

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Não tenho por hábito elogiar qualquer buraco que se remende, qualquer passeio que se reabilite, qualquer estrada que se ajeite. Não que estas pequenas obras não tenham importância, é claro que têm, mas porque essa é uma das funções de quem se propõe governar uma freguesia ou uma autarquia, sendo devidamente remunerado, bem acima da média, para o efeito. É, portanto, a obrigação desta gente, não um favor que nos fazem.
Percebo, naturalmente, que os militantes dos partidos no poder, em particular os que procuram emprego ou a oportunidade de uma vida larga, considerando a realidade portuguesa na qual os salários tendem a ser inferiores a 1000€, sintam necessidade de fazer claque para os seus chefes partidários. Quanto mais os pompons abanam, maior a possibilidade de se conseguir um bom lugar ou um generoso ajuste directo. A malta das jotas que o diga!
Contudo, o tema que hoje vos trago diz respeito precisamente a uma dessas pequenas obras, que quem se propõe governar tem mais do que obrigação de fazer e não esperar palmadas nas costas, porque, repito, esse o seu trabalho, não um favor que nos fazem. Trata-se de um pequeno estacionamento que está a nascer na Rua Monge Pedro, que desemboca na Rua São Martinho, em frente à Igreja Matriz da Trofa, junto à residência paroquial. E sinto-me na obrigação de escrever sobre ele por ser um tema sobre o qual protestei inúmeras vezes, por motivos óbvios.
Este novo estacionamento é particularmente importante por vários motivos. Em primeiro lugar porque permitiu alargar uma rua até então demasiadamente estreita, regra geral entupida em dia de importantes cerimónias religiosas, que se sucedem na Igreja Velha e no cemitério ali ao lado. Em segundo porque o próprio piso da rua, bastante acidentado, foi também reabilitado, melhorando a circulação e a “saúde” dos veículos que por ali passam. Em terceiro lugar porque aquela zona ganhará nova vida em breve, assim que o grupo Vigent se instalar na antiga Ráfia, e necessitará de mais aparcamento.
Porém, existe um quarto aspecto, a meu ver o mais relevante, que diz respeito à balbúrdia que por ali se vive diariamente. Conheço-a bem porque vivo ali, não me afecta directamente porque tenho lugar de garagem, mas não deixa de me irritar a falta de civismo de quem por ali estaciona como quer, não raras vezes no meio da faixa de rodagem, sem que a acção da Polícia Municipal, em tempos tão activa em zonas como a Rua Conde São Bento, se faça sentir, o que de resto não admira, não tivesse este executivo corrido com a maioria deles, sobrando apenas um efectivo de três agentes.
A situação do largo no início da Rua Monge Pedro, em torno do cruzeiro que lá se encontra, é vergonhosa, perigosa e uma demonstração do pior que a falta de civismo tem. Sempre assim foi, pelo menos desde que me lembro e, garantidamente, desde que para ali me mudei há quase dez anos, e nada, absolutamente nada, foi até agora feito para minimizar o problema, apesar da quantidade de serviços públicos, e não só, que se concentram naquela zona.
Espero, sinceramente, que o aumento do estacionamento no local, proporcionado por uma obra que não acontece por acaso e que coincide com a recta final das obras nas novas instalações da casa-mãe da Brasmar e da Metalogalva, ajude a solucionar o problema do estacionamento naquela zona, apesar do natural cepticismo de quem diariamente observa o amontoar de carros no meio da estrada, em frente à conservatória, quando na Rua Engenheiro António Dias da Costa Serra sobram lugares de estacionamento. E saúdo a obra, que farto de ver os meus impostos pagarem ajustes directos suspeitos e cargos para dirigentes da JSD estou eu.

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Aviso para evitar multa e desrespeito pelo outro

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É recorrente assistir-se ao desrespeito pelo sinal rodoviário que dá estacionamento exclusivo a veículos com dístico de deficiente, principalmente em parques de estacionamento de estabelecimentos como os supermercados.
A falta de civismo e a contraordenação passa, na maior parte das vezes, por entre os pingos da chuva, não havendo nenhuma consequência pela prática, o que provoca ainda mais episódios do género.
A exceção, porém, existiu no supermercado Pingo Doce, em Santiago de Bougado, quando os responsáveis decidiram colocar um aviso em viaturas estacionadas indevidamente nos lugares reservados para deficientes.
“Ocupar o lugar dos outros é grave” podia ler-se num dos avisos colocados, que apresentava ainda as consequências da infração: menos dois pontos na carta de condução e multa que pode variar entre 60 a 300 euros.

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