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Edição 460

Secundária da Trofa elegeu Associação de Estudantes

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Apesar de a Secundária da Trofa já ter tido várias associações de estudantes, Miguel Guimarães ganhou o estatuto de primeiro presidente da primeira estrutura legalizada, ao vencer as eleições no dia 10 de fevereiro.

Durante uma semana, a Escola Secundária da Trofa (EST) andou num frenesim. Nas pausas das aulas, não faltou animação para ocupar os tempos livres dos alunos, que se distribuíam pelas bancadas das duas listas concorrentes à Associação de Estudantes (AE).

Entre os dias 3 e 7 de fevereiro, as listas M e S fizeram de tudo para atrair a atenção dos colegas e conseguirem os seus votos. A Lista M optou pela presença de concorrentes do reality show Casa dos Segredos, como Juliana, Carlos e Cláudio, terminando a campanha com uma festa num bar perto da escola, que uma vez mais contou com a presença de um casal deste tipo de programas. “Ao levarmos a presença de uma concorrente de um reality show vimos o impacto que teve na geração mais nova e a cada presença que nós tínhamos o impacto foi aumentando”, justificou Nuno Sousa, líder da Lista M, salvaguardando que tentou fazer “outras atividades”, mas que “não” teve a “autorização por parte da direção” da escola, como foi o caso de “uma demonstração de skate”, em cuja recusa se deveu à possibilidade de “danificar o material”. “Como é óbvio, nós iríamos levar material nosso, para esse objetivo”, esclareceu.

Com a ausência de uma AE, Nuno Sousa referiu que, “sem dúvida”, a escola estava mais parada, daí a escolha da letra “M” de “mudança” para a sua campanha, pois era o que “a EST precisava”. “Com a nossa campanha, com os sorrisos dados aos mais pequenos que nos viam a nós mais velhos como um exemplo, provamos que a escola não tem que ser deprimente, que é possível ir para a escola com outro ânimo”, sublinhou.

Já a Lista S, liderada por Miguel Guimarães, apostou numa campanha com “momentos de dança protagonizada por grupos profissionais e um de raparigas da lista”, de “música” e o “tradicional apelo ao voto”, onde expuseram “o programa eleitoral”. No último dia, também não resistiu e contratou a presença do casal Rúben e Tatiana, também concorrentes da Casa dos Segredos, e a do rapper NTS. “Este grupo de dança (membros da lista) provou que não são só as pessoas que vêm de fora que têm valor. Os estudantes da nossa escola também têm talento, daí criarmos o ‘Secundária Got Talent’”, frisou o presidente da Lista S.

Com o slogan “Sente o que Somos”, Miguel Guimarães quis que os alunos sentissem “o espírito da lista”. Quanto à campanha, o presidente declarou que “excedeu completamente” as expectativas, uma vez que conseguiram “divertir todos os alunos e mostrar-lhes a união e humildade” do grupo candidato, apesar da “pequena quantidade de apoios monetários” que conseguiram. “Mesmo com metade do orçamento da outra lista, com esta campanha provamos de que tudo é possível desde que acreditemos e trabalhemos ao máximo para atingirmos os nossos objetivos”, concluiu.

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Lista S vence com 140 votos de diferença

Na segunda-feira, 10 de fevereiro, cerca de “800 alunos” dirigiram-se às urnas, tendo sido o ato eleitoral em que “mais alunos votaram”, segundo Miguel Guimarães. A Lista S foi eleita com “469 votos” contra os “329” da Lista M, contando com “dez votos nulos”.

Quando Miguel Guimarães soube que tinha sido eleito presidente da AE sentiu “uma alegria inexplicável”. “Não só pelo facto de os alunos terem depositado confiança em nós, mas também pelo facto de ver todo o empenho, esforço e dedicação ser recompensado”, frisou. A eleição iria ser disputada a três listas, mas as adversárias formaram “uma só e juntaram todo o dinheiro e apoios” que tinham. O agora presidente da AE, que será empossado no dia 14 de fevereiro, sabia que a tarefa de vencer as eleições tornou-se “mais complicada”, mas isso apenas serviu para os elementos da lista “se unirem ainda mais e conseguirem fazer um trabalho muito bom com um espírito de superação completamente soberbo”. “Soubemos interagir com os alunos de uma maneira muito genuína e humilde e penso que esse foi um dos aspetos-chave para este nosso sucesso”, frisou.

Para a associação, constituída por “41 alunos”, a vitória também recompensou “todo o trabalho” deste grupo que legalizou a Associação de Estudantes, no dia 13 de dezembro de 2013. Mesmo com direito de liderá-la por um ano, o grupo preferiu colocar a escrutínio as listas interessadas. “É certo que corremos o risco de perder, ainda mais por eles se terem juntado, mas acreditamos até ao fim que se remássemos todos no mesmo sentido de forma humilde, iríamos ser recompensados e os alunos iriam perceber todo o esforço e interesse que temos por eles”, salientou.

Em termos “educativos”, a AE pretende “criar um Dossier de Apontamentos para futuros alunos, organizar palestras com temas escolhidos pelos alunos e organizar “um concurso de talentos denominado ‘Secundária Got Talent’” com o intuito de “explorar os interesses e talentos dos alunos, bem como as suas competências expressivas”.

Já no campo social, a intenção é “promover uma campanha de recolha de livros escolares e de roupa para os alunos mais carenciados, após a identificação dos mesmos”, e “realizar atividades que integrem os alunos recém-chegados”, para “facilitar a sua entrada numa escola nova”.

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No que diz respeito ao desporto, vão “realizar torneios de futebol inter-turmas e de pingue-pongue, além das olimpíadas escolares, que englobam vários desportos coletivos como voleibol, basquetebol e futebol”, em que esperam contar “com a participação dos docentes de modo a promover a relação professor/aluno”. Além disso, a AE vai “assinalar momentos lúdicos com algumas festas escolares na escola, para que todos os alunos possam participar”, reativar a Rádio Escolar, criar “uma caixa de correio e de um e-mail abertos a toda a comunidade educativa para fazer sugestões e pedidos”, assim como “inquéritos periódicos para que os alunos reflitam sobre a dinâmica escolar e como a melhorar ou manter”.

No imediato, a AE vai “colocar já em marcha o projeto da reativação da Rádio Escolar”, o concurso de talentos “Secundária Got Talent” e a criação da caixa de correio, para que “a associação possa melhorar cada vez mais”. “Os alunos podem esperar da associação muita seriedade e empenho em todas as tarefas que iremos realizar. Podem esperar também uma Associação que se irá preocupar bastante com todos os alunos e terá também uma redobrada atenção aos mais carenciados. Importante também será a dinâmica que iremos ter com os alunos de modo a proporcionar-lhes momentos de enorme diversão”, evidenciou.

Já o presidente da Lista M, Nuno Sousa, asseverou que durante a campanha “ambas as listas mostraram ser competentes e preocupadas em querer ajudar os alunos”, sendo que “qualquer uma delas faria um bom trabalho”. “Como presidente da lista vencida gostava de ganhar, mas saber aceitar uma derrota é ganhar de outra forma. Por saber que a lista S tem capacidade de fazer algo pela EST não nos sentimos derrotados. Confio no presidente (Miguel Guimarães) e estou convicto que provará o porquê da sua lista ter sido escolhida. Queria realçar também o respeito que houve durante a semana, pois com ele, fizemos talvez uma das campanhas mais bonitas alguma vez vistas na escola”, concluiu.

 

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Edição 460

Eu empreendo, Tu empreendes, Ele empreende

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Ricardo Garcia

Ricardo-Garcia

A palavra “empreendedorismo” sempre provocou em mim o efeito da urticária. Neste mundo novo que a extrema-direita está a construir, a parte lexical, sob alçada dos assessores políticos e quejandos, está a criar a sua própria linguagem e imaginário. Entre muitas outras, a palavra “empreendedorismo” surge cada vez mais na boca dos políticos e nos media de uma forma quase assustadora. Todos temos que ser “empreendedores”, de criar o próprio emprego, ser proativos, sair da zona de conforto e de preferência pisar alguém. Mas acaba por ser ridículo: cerca de 99,9% do tecido industrial português são micro, pequenas e médias empresas, criadas por… empreendedores. Então qual a urgência de imposição desta palavra no nosso dia a dia? Só pode ter um objetivo ideológico: a promoção ilusória do Individualismo Económico e o desmembramento das relações laborais de classe.

Com um governo empenhado em mudanças radicais na sociedade portuguesa, assistimos a alterações profundas nas funções sociais do estado (desmantelamento progressivo do Serviço Nacional de Saúde e implosão da Segurança Social com consequências diretas nas assimetrias sociais), na educação (revanchismo por parte de uma classe que não digeriu a democratização do ensino), nos costumes (visível na recente jogada suja do referendo sobre a coadoção por casais homossexuais) e na área económica. Esta última, tendo por eixo os sectores mais conservadores das faculdades de economia em Portugal, tenta impor um novo paradigma económico assente, entre outros pilares, na Culpa (a famosa treta do “andamos a viver acima das nossas possibilidades e como pecadores que fomos, espécie de soberba, temos que ter uma castigo, não divino mas terreno”) e, como acima referido, no Individualismo Económico.

As vantagens do Individualismo Económico são inúmeras para o capital. Um trabalhador que tenha por cima de si a pairar as fábulas e os mitos do “empreendedorismo”, pode ser enfeitiçado para a perda de consciência de classe e respetiva alienação. Se juntarmos a isto as consequências nefastas da precarização do trabalho e do modelo de despedimento tendo como primeiro ponto a avaliação individual de desempenho (estando, como sempre neste governo fora da lei, em confronto com a Constituição), os dados estão lançados.

Nada é mais útil ao capital do que uma sociedade produtiva, fragmentada, obediente e delatora.

 

Ricardo Garcia

 

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Edição 460

Crónica jurídica: A Insolvência…de Pessoas Singulares!

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Olá queridos trofenses. Esta é a minha primeira crónica. Nela abordarei mensalmente questões jurídicas. Antes de mais, nada como uma breve apresentação. Chamo-me Isaura Ramalho, nasci e cresci na Trofa, sou licenciada em Direito, pela Escola de Direito da Universidade do Minho, e atualmente advogada. No dia a dia, apercebi-me da necessidade de informação por parte das pessoas, o que me motivou a iniciar este trabalho. Tenho por isso como objetivo primordial esclarecer questões jurídicas que me parecem pertinentes, e sobretudo úteis ao cidadão, distanciando-me sempre do caso concreto. Espero sobretudo ajudar-vos a clarificar as vossas dúvidas. Tenham uma boa leitura!

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