A Continental AG e a Schaeffler KG acordaram num plano de investimento alargado, no seguimento da Oferta Pública de Aquisição lançada pela Schaeffler. Com este acordo, chega ao fim um longo processo de negociações e Gerard Schröder, o antigo Chanceler alemão, foi nomeado responsável pela defesa dos interesses de todos os stakeholders da Continental.

  Após semanas de negociação, a Continental chegou a uma proposta satisfatória com a Schaeffler KG, uma empresa de produção de peças para os sectores industrial, aéreo entre outros. Com a melhoria do preço da oferta e assegurada a compensação de um possível impacto negativo para a Continental, o acordo apresenta uma melhoria face à primeira oferta da Schaeffler. O contrato prevê também algumas condições futuras: para os seus clientes, a Continental mantém-se como um parceiro de longo prazo extremamente bem posicionado. E segundo um comunicado da empresa enviado á comunicação social “os colaboradores da Continental podem continuar a confiar na manutenção das linhas orientadoras da companhia que têm seguidas nos últimos anos”.

A Schaeffler comprometeu-se a aumentar o preço de oferta por cada acção da Continental de 70,12 euros para 75 euros. Este aumento corresponde a uma quantia adicional de cerca de 800 milhões de euros para os accionistas, representando um prémio de 39 por cento no preço de cada acção da Continental, comparativamente ao período imediatamente anterior à OPA. Os accionistas vão decidir se aceitam a oferta até ao dia 16 de Setembro.

Para além do aumento do preço de oferta, a Schaeffler compromete-se a manter uma posição como accionista minoritária (com não mais do que 49,99 por cento das acções) da Continental por um período de quatro anos, de forma a apoiar a estratégia em curso e a dar continuidade às políticas adoptadas, mantendo a posição no mercado e a identidade da marca, não exigindo o alienar de qualquer das áreas de actividade nem procurando adoptar outras medidas estruturais.

Da proposta consta ainda a salvaguarda dos interesses da Continental prevendo a obrigação que a mudança de controlo da empresa possa ter em acordos financeiros já da Schaeffler em compensar possíveis efeitos existentes da Continental e também os efeitos negativos sobre os impostos, resultantes do volume de acções da Schaeffler no valor de 522 milhões de euros.

Ainda de acordo com o comunicado “a Schaeffler aceitou também, no caso de uma possível venda de alguma parcela das suas acções da Continental nos próximos quatro anos, o direito de preferência para uma entidade nomeada pelo responsável dos interesses dos stakeholders da Continental, caso a venda a essa entidade seja feita tendo em conta os interesses da Continental e da Schaeffler”. Foi também acordado que não haverá qualquer alteração à estrutura da Continental, sede e unidades de negócio, à sua posição na bolsa de valores, à sua política de dividendos ou aumento da sua dívida contra a vontade da Continental AG.

Para salvaguardar os interesses dos colaboradores, a Schaeffler está proibida de levar a cabo ou apoiar, sem o consentimento do Conselho Executivo da Continental, quaisquer medidas que alterem os acordos colectivos de trabalho ou ponham em causa os direitos dos trabalhadores.

Depois deste anúncio, Manfred Wennemer, CEO da Continental AG, apresentou a sua demissão e deixará as suas funções a 31 de Agosto. O seu sucessor será nomeado num futuro próximo. Manfred Wennemer, justificou a sua saída como o fechar de um ciclo, explicando que a Continental deverá ter um novo líder à entrada de uma nova etapa da sua história.

O Grupo Continental AG posiciona-se entre os cinco maiores fornecedores da indústria automóvel. Actualmente emprega a nível mundial mais de 150 mil pessoas, com unidades de negócio em aproximadamente 200 locais em 36 países, uma delas está situada no concelho de Vila Nova de Famalicão, empregando pessoas dos concelhos da Trofa, Maia, Santo Tirso, entre outros. A previsão do volume de vendas deste grupo para 2008 é de 24,6 mil milhões de euros.