“Temos a melhor tecnologia e as melhores práticas disponíveis, por isso temos obrigação de dar um salto qualitativo”. A afirmação foi dita, com convicção, por João Pedro Azevedo, administrador da Savinor, depois da assinatura do aditamento ao contrato de conformidade ambiental, no dia 29 de agosto, que juntou várias entidades entre elas o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva.

O objetivo deste aditamento é acabar com os maus cheiros decorrentes da atividade da Savinor. À empresa detida pelo Grupo Soja de Portugal cabe investir 1,5 milhões de euros para avançar com a desativação das lagoas, apostar num sistema de pré-tratamento de resíduos e ligar a indústria a um intercetor, cuja construção está a cargo dos serviços camarários.

De acordo com João Pedro Azevedo, “no máximo, dentro de 18 meses”, ou seja, até ao início de 2016, a Savinor terá “em pleno funcionamento a ETAR”, sendo que a ligação ao intercetor está prevista efetivar-se “nos próximos três meses”.

O intercetor, que fará os resíduos chegar à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Agra, em Vila Nova de Famalicão, tem cerca de sete quilómetros de extensão a par do ribeiro de Covelas e rio Trofa.

O administrador afirmou que “as lagoas da ETAR” da empresa são “a principal fonte de emissão de odores” identificada, pelo que a solução passará pelo “confinamento do tratamento de águas e redução significativa do impacto ao nível dos odores”.

“Não podemos esquecer que uma atividade significativa do que fazemos na unidade é o tratamento e valorização de subprodutos, dos quais tratamos cerca de 4 mil toneladas por mês. Nós não os escolhemos, tratamos subprodutos que outras indústrias geram, pelo que estamos sempre dependentes”, acrescentou.

Com este investimento será possível, segundo João Pedro Azevedo, apostar noutros projetos – avaliados em “três milhões de euros” – com vista à “valorização dos produtos finais” e que vão “criar novos postos de trabalho”. “

Jorge Moreira da Silva centrou o seu discurso na ideia de que “a economia verde é um fator de crescimento e de emprego e não apenas um objetivo de proteção ambiental”. O governante afirmou que “na Europa”, numa altura de estagnação, “o emprego verde aumentou 20 por cento” e em Portugal “oito por cento”. E como argumento para o papel de uma atitude sustentada para o crescimento económico, usou o exemplo da Savinor: “A Savinor alterou o modelo de desenvolvimento há seis anos, passando de uma fase em que se ocupava de receber e de eliminar os resíduos da indústria alimentar e da produção animal, para um momento em que 90 por cento de todos os subprodutos que entram passaram a ser matéria-prima”.

O problema dos maus cheiros tem cerca de três décadas, estando esta empresa próxima de aglomerados populacionais como na vila do Coronado e Covelas, na Trofa, mas também Silva Escura e Folgosa, no concelho da Maia, acrescentando-se a proximidade à A3.

Para Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, este aditamento culmina com um “problema para a comunidade”, mas também “assegura os postos de trabalho dos colaboradores da empresa” e “preserva o ambiente”.

O aditamento ao contrato contempla ainda um investimento de 500 mil euros por parte da empresa municipal Trofáguas. A Agência Portuguesa do Ambiente e a Águas do Noroeste também assinaram o documento.

Em dezembro de 2013, o presidente da Câmara garantia, depois de uma reunião com todos os intervenientes, que o problema dos maus cheiros terminaria no fim do primeiro trimestre de 2015. No entanto, este aditamento estabelece o prazo para o início de 2016.

Águas residuais geridas pela Águas do Noroeste

A partir de outubro, os sistemas de águas residuais do município da Trofa, mas também de Celorico de Basto, Fafe, Santo Tirso, Amarante, Arouca, Baião e Cinfães, vão ser geridos pela Águas do Noroeste. Foi o presidente do conselho de administração da empresa que fez o anúncio, durante a visita do ministro do Ambiente à ETAR de Agra, logo depois de estar na Savinor.