O Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado recordou os costumes da região durante a quinta edição do seu festival de Folclore.

Os sons alegres e característicos do folclore português encheram o adro da Capela de Nossa Senhora da Livração, em Santiago de Bougado. O calor da noite de sábado ajudou a que centenas de pessoas se juntassem naquele lugar para assistir ao quinto Festival Etno-Folclórico Bougado 2010.

Os anfitriões foram os primeiros a subir ao palco, com cantigas e danças da região. A despedida foi feita com uma música de homenagem à Senhora da Livração. Fernando Monteiro, presidente do Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado, explicou que, ao contrário do que é usual, este grupo prescindiu dos habituais “padrinhos”, que normalmente são outros grupos folclóricos, no momento da sua formação e “entregar-se à Senhora da Livração”. “A nossa madrinha é a Senhora da Livração”, explanou emocionado.

A iniciativa reuniu grupos folclóricos de várias regiões do país: Grupo de Danças e Cantares de S. Pedro de Maceda (Ovar), Rancho da Região de Leiria (Leiria), Grupo Típico de Ançã (Cantanhede), Rancho Típico da Amorosa (Matosinhos) e o Grupo Folclórico Associação Cultural e Recreativa Senhora da Aparecida (Lousada).

O Rancho Etnográfico de Santiago de Bougado nasceu em 2005 e desde essa altura que promove o festival anual no adro da Capela de Nossa Senhora da Livração. Actualmente, o grupo é composto por 45 elementos, com idades entre os 10 e os 68 anos. Não dispondo de sede própria, ensaiam na EB1 de Cedões, no entanto, Fernando Monteiro adiantou ao NT que o grupo “já esteve reunido com a Câmara Municipal para insistir na doação de um terreno para a construção do edifício, onde seja possível guardar o espólio”.

No Festival estiveram também presentes Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa, e Assis Serra Neves, vereador da Cultura da autarquia. A presença dos elementos do executivo camarário “é o mínimo” que podem fazer, garantiu a autarca socialista, que confessou estar “surpreendida” com a dimensão do festival. Sobre a questão do terreno para construção da sede do rancho, Joana Lima sublinhou que “a autarquia está consciente das necessidades das colectividades, mas estas também têm de ter consciência de que não se pode fazer tudo de uma vez”. A presidente da Câmara deixou em aberto a possibilidade de apoiar o rancho na cedência do terreno, assegurando que “com boa vontade tudo se vai conseguir”, mas só depois da autarquia “sair deste sufoco financeiro em que se encontra”.