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Edição 706

Santiago comemora 400 anos da Capela de Santa Luzia

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A Capela de Santa Luzia volta a ser palco de festividades, passados cerca de meia centena de anos. A paróquia vai assinalar os 400 anos da construção da ermida, com um programa religioso e musical este fim de semana.

A paróquia de Santiago de Bougado vai assinalar os 400 anos da Capela de Santa Luzia e Senhora da Graça. A data 1678 é, segundo dados históricos a que se teve acesso, o ano de construção deste que é o lugar de culto mais pequeno, mas também o mais antigo da paróquia.

As comemorações acontecem a 13 e 14 de dezembro, a coincidir com o fim de semana do domingo da Alegria do Advento. Na sexta-feira, o programa inicia com a celebração de uma missa solene, na ermida, às 19.30 horas, seguindo-se uma noite musical, com Juliana Duarte e Mário Costa a cantar, acompanhados de Miguel Silva e Francisco Lopes, na guitarra e viola.

No sábado, na Igreja Matriz de Santiago de Bougado, há concerto da Orquestra Sinfónica do Ave, às 21.30 horas, e encerramento das festividades com girândola de fogo, às 23 horas.

Na atualidade, as festas em honra de Santa Luzia não se efetuam, tendo perdido impacto social e religioso e, apesar de bastante discreta no eterno reboliço que circula na Nacional 14, a Capela de Santa Luzia resiste aos tempos, depois de ter sido construída, provavelmente devido à elevada reputação que a mártir ganhou na época medieval. Segundo dados do historiador e cronista do NT, José Pedro Reis, Santa Luzia nasceu no ano de 283 e morreu poucos anos depois, devido à perseguição de que os católicos eram vítimas por parte do Imperador Diocleciano.
Somente em 1894 o martírio de Luzia foi reconhecido e confirmado. Mas a devoção a esta jovem mártir vem desde o século V. É advogada dos oftalmologistas e de todos os que têm problemas de visão.

Referem alguns cronistas que era nesta pequenina ermida que até ao ano de 1920 se realizavam as festas do Divino Espírito Santo e a coroação das crianças desta paróquia (Santiago de Bougado) e de toda a região circunvizinha, o que fazia desta capela um grande centro religioso à época, pois, na oitava do Espírito Santo (Pentecostes) “…havia festa dedicada a Santa Luzia, antecipando-se assim as homenagens deste povo à sua protetora, dado que a Igreja Católica reserva a data de 13 de dezembro para homenagear esta virgem italiana”.

José Pedro Reis dá conta ainda de “referências na imprensa” para o estatuto de festas “milagrosas”, o que poderá justificar a importância que, naqueles tempos, as festas tinham para os devotos.

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O historiador encontrou dados sobre uma comemoração em 1920, em que “no dia 20 de maio, às primeiras horas da manhã, iria dar entrada no souto da freguesia, a banda de Paços de Ferreira, seguindo dali para o adro da capela, onde aguardaria a chegada da Banda dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, atuando de forma alternada” pela madrugada, sem esquecer “o fogo de artifício de três fogueteiros”.

“O segundo e último dia de festividades ia ocorrer na segunda-feira, com sermão e missa cantada a ocorrer na capelinha, seguindo-se, durante a tarde, a atuação de bandas de música em dois coretos que eram construídos de forma provisória para aqueles momentos. A procissão iria sair pelas 4 horas da tarde e ao longo do seu caminho previa-se forte afluência de fiéis devotos, com três andores e muitos anjinhos a participarem na mesma”, escreveu ainda o historiador.

De traça arquitetónica seiscentista, a Capela de Santa Luzia tem uma só nave retangular, com frontaria onde se abre uma porta e uma janela, figurando no topo, no vértice triangular do telhado, um nicho encimado por cruz de ferro, onde se encontra um pequeno sino. No seu interior, há um coro alto, púlpito do lado da Epístola e retábulo-mor de talha dourada barroca, com três imagens: ao centro a imagem antiquíssima de Nossa Senhora da Graça, do lado da Epístola a de Santa Luzia e do lado oposto a imagem do Beato Gonçalo de Amarante.

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Fátima assinala centenário de Virgem Peregrina

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Foi para a Capelinha das Aparições em 1920, depois de passar pelas mãos de José Ferreira Thedim, e de Fátima poucas vezes saiu, a não ser para Roma, a pedido de diversos Papas, ou, em ocasiões especiais, para Lisboa.

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, esculpida pelo santeiro de S. Mamede do Coronado, cumpre cem anos em 2020 e a primeira iniciativa para assinalar a efeméride já decorre, com uma exposição inaugurada a 30 de novembro.

“Vestida de Branco” é o nome da mostra patente até outubro de 2020, no Convivium de Santo Agostinho, no Santuário de Fátima, que reúne mais de 150 obras de arte, objetos de culto e vários documentos, pertencentes à Coleção Estúdio Nossa Senhora de Fátima, à Coleção José Ferreira Thedim, à Câmara Municipal da Trofa e a Boaventura Pereira de Matos, mestre santeiro trofense, responsável pela última policromia da imagem.

Esta imagem foi esculpida em madeira de cedro do Brasil, pintada a óleo com folha de ouro de 22 quilates e tem pouco mais de um metro. José Ferreira Thedim recebeu um pedido de encomenda de Gilberto Fernandes dos Santos, um dos primeiros devotos de Fátima, que pagou a imagem e a levou para a Cova da Iria. O santeiro seguiu as indicações dadas através dos relatos feitos aos pastorinhos, mas, no final, a irmã Lúcia terá revelado que a mesma tinha incorreções face à imagem que tinha testemunhado em cima de uma azinheira, revelam os responsáveis pelas investigações históricas do Santuário.

Em 1947, Thedim elaborou uma segunda imagem – a Virgem Peregrina que está colocada na Basílica de Fátima – já de acordo com as indicações da irmã Lúcia, esculpindo um corpo mais esguio sob um manto mais branco. Mais tarde, a propósito de um trabalho de restauro, o santeiro acabou por introduzir as alterações sugeridas pela vidente de Fátima na imagem da Capelinha das Aparições, apagando algumas das estrelas douradas que tinha nas vestes e retirando-lhe as sandálias dos pés.

Enquanto a imagem centenária tem poucas saídas, a que se encontra na Basílica tem a função contrária, tendo já dado 15 voltas ao mundo.

Na Capelinha das Aparições, que está aberta 24 horas por dia durante todo o ano, a imagem é vigiada por 40 pessoas e ainda pode ser vista na internet, através de uma transmissão online em direto.

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Câmara também vai assinalar centenário da Virgem Peregrina

Em nota informativa, a autarquia da Trofa, que esteve representada na inauguração da exposição em Fátima, anunciou que também se prepara para assinalar o centenário da Virgem Peregrina criada por José Ferreira Thedim.
Recorde-se que, para relevar a arte santeira, umbilicalmente ligada a S. Mamede do Coronado, a autarquia lançou, em 2017, o livro “A produção de Arte Sacra do Vale do Coronado”, onde se pode ler que “depois de 1920, a produção de imaginária religiosa iniciou um novo ciclo em Portugal”.

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“Branco Escuro” é o primeiro álbum de Carla Reis Neves

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É de Santiago de Bougado, professora de música há mais de 20 anos e, recentemente, lançou um álbum de música instrumental, que tem acolhido várias críticas positivas.

Carla Reis Neves, residente em Cedões, apaixonou-se pela arte da composição ainda no tempo que estudava no Conservatório de Música do Porto, mas só há cerca de um ano decidiu aventurar-se pela produção de um álbum. “Branco Escuro” dá nome ao trabalho discográfico, que está acessível, gratuitamente, em mais de 20 plataformas online.

Produzido em parceria com Diogo Penha, o álbum caracteriza-se pela “vertente minimalista” e pela influência do estilo clássico, através da sonoridade de instrumentos como o piano, o violoncelo, o violino e o contrabaixo,os três últimos tocados por Diogo Penha, Alexandra Silva e Dércio Fernandes, respetivamente.

“É uma música que fica no ouvido e que dá para diversas predisposições e situações. Por exemplo, é bom para fazer meditação”, afirmou, em entrevista ao NT, Carla Reis Neves, que se diz surpreendida pelo feedback. “Além dos meus familiares, amigos e conhecidos, tenho colegas como o João Pedro Pais e alguns cineastas que se pronunciaram de forma positiva acerca do meu trabalho. Um cineasta, aliás, já encomendou uma das minhas músicas”, anunciou.

Duas músicas foram produzidas em Cedões, na casa da artista, enquanto as restantes viram a luz do dia em Ponte de Lima, em fins de semana de intenso trabalho, que está agora a ser recompensado tal têm sido as interpelações para que o álbum esteja disponível em formato físico. “Preocupei-me em colocá-lo online para que as pessoas pudessem ouvir, mas tenho sido surpreendida, porque já tive vários pedidos para que haja em CD. Em breve, estará disponível”, contou.

As músicas contam todas uma história. “1943” é dedicada ao pai falecido há cerca de dois anos e deverá ser a primeira com videoclip, “aidualk” é inspirada na melhor amiga e “Pico” homenageia a beleza dos Açores, onde fez a ante-estreia do álbum.

A apresentação oficial do álbum ainda não tem data nem local definido, porque, para já, a artista está empenhada em fazer face a encomendas que tem recebido.

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Ao NT, confessou ter mais trabalhos, mas de música com letra em português, que se mantêm na gaveta porque ainda não encontrou “a pessoa certa para lhes dar a voz”.

Carla Reis Neves revelou gosto pela música aos três anos, quando pediu aos pais para estudar a arte. Aos oito anos começou a ter aulas com uma professora, em Mindelo, e aos dez entrou no Conservatório de Música do Porto, onde fez grande parte da sua formação musical.

Além de tocar piano e de compor, é professora de 2.º e 3.º ciclo na Didáxis, em Riba de Ave, concelho de Vila Nova de Famalicão.

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