A Capela de Santa Luzia volta a ser palco de festividades, passados cerca de meia centena de anos. A paróquia vai assinalar os 400 anos da construção da ermida, com um programa religioso e musical este fim de semana.

A paróquia de Santiago de Bougado vai assinalar os 400 anos da Capela de Santa Luzia e Senhora da Graça. A data 1678 é, segundo dados históricos a que se teve acesso, o ano de construção deste que é o lugar de culto mais pequeno, mas também o mais antigo da paróquia.

As comemorações acontecem a 13 e 14 de dezembro, a coincidir com o fim de semana do domingo da Alegria do Advento. Na sexta-feira, o programa inicia com a celebração de uma missa solene, na ermida, às 19.30 horas, seguindo-se uma noite musical, com Juliana Duarte e Mário Costa a cantar, acompanhados de Miguel Silva e Francisco Lopes, na guitarra e viola.

No sábado, na Igreja Matriz de Santiago de Bougado, há concerto da Orquestra Sinfónica do Ave, às 21.30 horas, e encerramento das festividades com girândola de fogo, às 23 horas.

Na atualidade, as festas em honra de Santa Luzia não se efetuam, tendo perdido impacto social e religioso e, apesar de bastante discreta no eterno reboliço que circula na Nacional 14, a Capela de Santa Luzia resiste aos tempos, depois de ter sido construída, provavelmente devido à elevada reputação que a mártir ganhou na época medieval. Segundo dados do historiador e cronista do NT, José Pedro Reis, Santa Luzia nasceu no ano de 283 e morreu poucos anos depois, devido à perseguição de que os católicos eram vítimas por parte do Imperador Diocleciano.
Somente em 1894 o martírio de Luzia foi reconhecido e confirmado. Mas a devoção a esta jovem mártir vem desde o século V. É advogada dos oftalmologistas e de todos os que têm problemas de visão.

Referem alguns cronistas que era nesta pequenina ermida que até ao ano de 1920 se realizavam as festas do Divino Espírito Santo e a coroação das crianças desta paróquia (Santiago de Bougado) e de toda a região circunvizinha, o que fazia desta capela um grande centro religioso à época, pois, na oitava do Espírito Santo (Pentecostes) “…havia festa dedicada a Santa Luzia, antecipando-se assim as homenagens deste povo à sua protetora, dado que a Igreja Católica reserva a data de 13 de dezembro para homenagear esta virgem italiana”.

José Pedro Reis dá conta ainda de “referências na imprensa” para o estatuto de festas “milagrosas”, o que poderá justificar a importância que, naqueles tempos, as festas tinham para os devotos.

O historiador encontrou dados sobre uma comemoração em 1920, em que “no dia 20 de maio, às primeiras horas da manhã, iria dar entrada no souto da freguesia, a banda de Paços de Ferreira, seguindo dali para o adro da capela, onde aguardaria a chegada da Banda dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, atuando de forma alternada” pela madrugada, sem esquecer “o fogo de artifício de três fogueteiros”.

“O segundo e último dia de festividades ia ocorrer na segunda-feira, com sermão e missa cantada a ocorrer na capelinha, seguindo-se, durante a tarde, a atuação de bandas de música em dois coretos que eram construídos de forma provisória para aqueles momentos. A procissão iria sair pelas 4 horas da tarde e ao longo do seu caminho previa-se forte afluência de fiéis devotos, com três andores e muitos anjinhos a participarem na mesma”, escreveu ainda o historiador.

De traça arquitetónica seiscentista, a Capela de Santa Luzia tem uma só nave retangular, com frontaria onde se abre uma porta e uma janela, figurando no topo, no vértice triangular do telhado, um nicho encimado por cruz de ferro, onde se encontra um pequeno sino. No seu interior, há um coro alto, púlpito do lado da Epístola e retábulo-mor de talha dourada barroca, com três imagens: ao centro a imagem antiquíssima de Nossa Senhora da Graça, do lado da Epístola a de Santa Luzia e do lado oposto a imagem do Beato Gonçalo de Amarante.