Gastronomia, cultura e associativismo estiveram juntos no S. Mamede Convida que, este ano, contou com cinco dias de duração.

Nos corredores do Largo do Divino Espírito Santo, em S. Mamede do Coronado, as gerações misturavam-se. Lado a lado, casais de braços entrelaçados cruzavam-se com a irreverência dos jovens, munidos dos bonés da moda e t-shirts estampadas com frases sugestivas. A noite agradável de sábado – vénias ao S. Pedro – atraiu a população à iniciativa S. Mamede ConVida, um projeto com três anos de existência e que esta edição, fruto da “expansão”, contou com mais um dia. De 28 de agosto a 1 de setembro, aquele local encheu-se de visitantes que conheceram o trabalho de vários setores de atividade da freguesia, desde o empresarial, ao artesanato, gastronómico, cultural e associativo.

Nos 25 stands montados, podiam ver-se desenhos animados pintados à mão em almofadas que enchem o imaginário dos mais pequenos e prometem dar-lhes um sono encantado. Ao lado, outra vertente do artesanato, com tapetes e até cestos de piquenique. No que respeita aos sentidos, para além do olhar, também o olfato e o gosto eram postos à prova com os cheiros e sabores dos doces tradicionais, de abóbora e mel, e diversas compotas. Na praça da alimentação, que foi ampliada tal foi a procura das instituições e confeitarias, esteve cheia todas as noites do certame, contribuindo para o impulso económico na freguesia.

O tesouro cultural de S. Mamede do Coronado também teve lugar de destaque. A arte sacra, bem representada por figuras religiosas, como uma portentosa imagem de Nossa Senhora de Fátima, aguçava a curiosidade dos visitantes, que se aproximavam para apreciar a meticulosidade com que os santeiros erigem tais preciosidades.

Por entre a animação cultural, “intrometeram-se” o desporto e os jogos tradicionais, que puseram as pessoas a mexer. Quanto à música, soou através de vários estilos, desde a popular, com Pedro Carvalho e o espetáculo de uma rádio local, que trouxe, entre outros nomes, José Amaro e José Alberto Reis, o fado e o folclore, com o festival do Rancho do Divino Espírito Santo.

José Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de S. Mamede do Coronado, que ergueu esta iniciativa, fez um balanço “francamente positivo” desta terceira edição. “A cada ano que passa, superamos a anterior, é um evento que está praticamente enraizado. Conseguimos conciliar e dar a conhecer a gastronomia, o artesanato, a cultura, o associativismo, agregando-os no mesmo espaço, promovendo a nossa freguesia, que é o nosso objetivo e dar a conhecer à nossa freguesia às pessoas que nos visitam de fora”, sustentou.

Com um orçamento de “cinco mil euros”, a par dos fundos angariados através de atividades realizadas ao longo do ano e do apoio dos patrocinadores, o executivo mamedense conseguiu fazer do evento um dos principais cartazes turísticos da freguesia. Por isso, sublinha, “será uma pena que desapareça” com a união das freguesias do Coronado. “Perdê-lo seria quase criminoso e, certamente, a freguesia não nos iria perdoar deixarmos cair este conceito. A agregação cria uma condição ideal para crescer ainda mais e para melhor”, acrescentou.

Na noite de domingo, a Junta de Freguesia, aproveitando que é a última edição que S. Mamede está “independente”, homenageou várias personalidades, empresas e instituições mamedenses, para “perpetuar no tempo uma gratidão” pelo trabalho e por aquilo que fizeram e deram por S. Mamede”.