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Rui Silva, o último mecenas do futebol português

Rui Silva, o último mecenas do futebol português

Reservado e observador, lutador e ambicioso, são algumas das características atribuídas ao presidente do Trofense, Rui Silva, líder do clube estreante na Liga portuguesa de futebol.

    Aos 40 anos, Rui Silva é um dos últimos mecenas do futebol português, ele que no último Verão, já depois do Trofense ter assegurado a presença no campeonato principal, vendeu ao irmão a sua metade da Rincon, o negócio familiar, para se dedicar em exclusivo ao clube.    O Trofense é hoje uma ilha entre os pequenos clubes da Liga portuguesa. Não tem salários em atraso, continua a ter capacidade para investir e afirmou-se definitivamente no mapa futebolístico ao bater o então invicto Benfica na última jornada. Rui Silva é o máximo denominador comum do sucesso do clube, obtido à custa de uma pequena estrutura profissional e da capacidade económica do presidente.

    O líder do clube, também adepto do Sporting, e que domingo (20:45) defronta, no Dragão, o FC Porto, depois de ter imposto a primeira derrota (2-0) ao Benfica, para o campeonato, é conhecido na Trofa como um “verdadeiro trofense” pronto a “fazer tudo” pelo clube onde até chegou a jogar futebol.

rui_silva    “Lembro-me de o ouvir dizer, em jovem, que gostava de ajudar o Trofense. Ele ainda não sabia como, mas tinha muita vontade de ajudar e projectar o clube”, disse, à Agência Lusa, um dos vice-presidentes do Trofense, Miguel Carvalho, primo de Rui Silva.

    Sobre os tempos do presidente enquanto atleta, o dirigente recorda que o primo fez todo o seu percurso no Trofense, desde os iniciados até à equipa sénior – que militava, então, na III Divisão Nacional – que só abandonou para dar prioridade ao Curso de Gestão de Empresas que iniciou aos 18 anos.

    O convite para integrar uma equipa directiva ao lado de Rui Silva, foi para Miguel Carvalho uma “aposta serena”, disse o dirigente, que descreve o seu presidente como “uma pessoa justa, low profile e sem sede de protagonismo”.

    “Parece uma contradição, mas não é. O Rui sempre passou a mensagem, de que toda a direcção partilha, de que os protagonistas do Trofense têm de ser os jogadores, os treinadores, etc… Aliás, se virmos os presidentes de clubes das grandes ligas europeias, eles têm uma postura igual. Não é por conseguir feitos que esta direcção ou este presidente mudam de atitude”, concluiu o vice-presidente.

    Imagem semelhante tem o ex-presidente do Trofense, José Leitão, que comandou os destinos do clube da Trofa durante dez anos (de 1996 a 2006).

    “Nunca vi o Rui Silva pôr-se em bicos de pés depois de qualquer vitória… Ele tem os pés bem assentes no chão. É uma pessoa muito amiga e pronta a ajudar”, disse José Leitão.

    Sobre essa faceta solidária, o ex-dirigente recorda ainda que foi a Rui Silva que recorreu quando, nas suas mãos, o Trofense passou por momentos difíceis: “Só quem gosta muito de um clube é que pode ser presidente e o Rui gosta muito do Trofense. Ajudou quando era eu presidente e agora faz tudo o que pode. Não existe ninguém na Trofa com capacidade para fazer o que ele fez”.

    Já Miguel Carvalho lembra o investimento que Rui Silva fez nas instalações do Trofense quando assumiu funções e a aposta nas camadas jovens do clube que passaram a ter um complexo desportivo próprio, em Paradela, da freguesia de S. Martinho de Bougado, concelho da Trofa.

    “É público que a família do Rui emprestou dinheiro ao clube e fez um grande investimento nas estruturas que hoje permitem ao Trofense estar no patamar em que está. Isso resulta do amor que tem ao clube”, afirmou o vice-presidente, destacando os patrocínios da Rincon, empresa de vestuário da família de Rui Silva que é, actualmente, o patrocinador oficial do Trofense.

    Também o actual treinador do Gondomar, da Liga de Honra, Daniel Ramos, que esteve no comando técnico do Trofense durante dois anos quando o clube ainda militava na II Divisão Nacional, vê Rui Silva como “um óptimo gestor, muito observador e perspicaz”.

    “Sempre vi este presidente como uma pessoa com um grande coração e muito humano. Isso, aliado ao poderio financeiro que tem e ao facto de gostar e saber trabalhar em equipa, faz com que o Trofense esteja onde está. A consolidação na Liga não me surpreende porque conheço o trabalho dele. Sabe delegar responsabilidades e rodeou-se de uma equipa de sucesso”, comentou, em declarações à Lusa, o técnico gondomarense.

    Rui Silva comanda os destinos do Trofense desde Junho de 2006, altura em que traçou como objectivo para a equipa da Trofa a subida ao escalão máximo do futebol português, um objectivo ambicioso para um clube que, em 75 anos de existência, nunca esteve entre os “grandes”.

    Actualmente o Trofense segue em 13º lugar, estando, pela primeira vez nesta época, fora dos lugares de despromoção.

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