“Estamos preparados para competir ao nível mais elevado”

 

O presidente do Clube Desportivo Trofense não quis cometer os mesmos erros da época passada e por isso colocou “mãos à obra” para formar uma equipa competitiva na Segunda Liga. Rui Silva afirmou que Vítor Oliveira foi “a primeira e única escolha” e que todas as contratações e dispensas foram ponderadas em conjunto com Porfírio Amorim e o novo técnico.

 

O Notícias da Trofa: Presidente, o clube já recuperou do choque da descida de divisão?

Rui Silva: A descida foi um tremendo choque para todos, treinadores, jogadores, dirigentes e adeptos. Foi duro, mas quem dirige tem a responsabilidade e obrigação de saber reagir e de criar as condições necessárias para que o clube consiga seguir em frente com determinação e ambição. Foi isso que fizemos, colocando em prática o plano de preparação da próxima temporada, dentro da realidade da Segunda Liga, com um orçamento realista e rigoroso. Iniciámos o processo de substituição do treinador e a composição do novo plantel, evitando cometer os mesmos erros do início da época passada, que reconheço hoje terem sido uma das causas da nossa descida.

 

NT: Significa isso que a motivação e ambição do CD Trofense mantêm-se intactas?

RS: A prova do bom trabalho que estamos a fazer, está no facto do plantel estar praticamente constituído e o planeamento da temporada estar a ser executado com o máximo de eficácia. Lembro que não passaram 30 dias do final da época passada. O facto de actualmente ter mais tempo para dedicar ao clube, também possibilita um maior apoio à qualidade da gestão do clube. Estamos a trabalhar para defender a excelente imagem e reputação que o Trofense tem actualmente a nível nacional e internacional. Lembro que conseguimos pôr todo o país a querer que não descêssemos de divisão. Sentimos no último jogo que nem os adeptos do Paços Ferreira queriam que descêssemos. Isso tem um significado muito importante e é uma grande vitória. Temos um projecto desportivo e nada nos afastará do caminho do sucesso. Somos um clube muito respeitado e seguramente não iremos voltar cometer muitos dos erros do início da época passada. Foram fatais.

 

NT: O Manuel Tulipa saiu e entrou o Vítor Oliveira, uma enorme surpresa?

RS: É muito importante sublinhar que o Manuel Tulipa não saiu pela causa única de termos descido, mas sobretudo pela forma pouco competitiva como a equipa esteve nos últimos e decisivos jogos do campeonato. Não caímos de pé, logo não havia condições para mantermos a relação. Desde que pensamos na substituição do treinador, pensamos em Vítor Oliveira. Foi a primeira e única escolha e estamos muito contentes pela forma profissional e competente como todo o processo foi concretizado. Escolhemos um treinador que está acima de qualquer dúvida ou reserva. É uma referência dentro da classe dos treinadores.

 

NT: É evidente que o Plantel da próxima época vai ser muito diferente?

RS: O plantel vai ser o resultado da conjugação de vários factores, qualidade dos jogadores, limites do nosso orçamento, sugestões do treinador, prospecção do clube, nível competitivo da equipa, as especificidades da Segunda Liga, etc. Apesar da contenção orçamental, estamos fazer um plantel de qualidade com custos equilibrados dentro do orçamento previsto para esta época. Estamos a ser muito rigorosos, pois queremos continuar a cumprir com as nossas obrigações com o máximo de pontualidade. Tudo tem sido feito de forma muito profissional e competente numa sintonia perfeita com os interesses do clube e com as ideias do treinador. Temos ideias muito claras sobre o que queremos. Todas as contratações e todas as dispensas foram devidamente ponderadas por mim, Porfírio Amorim e Vítor Oliveira.

 

NT: Sabemos que já tiveram uma reunião com o Departamento de Formação.

RS: Um dos pilares do nosso projecto desportivo é a formação. Temos vindo a melhorar gradualmente e os resultados estão a começar a aparecer. O êxito dos juniores é apenas uma expressão dessa melhoria. Não iremos parar de apostar na formação e de melhorar cada vez mais a sua organização dirigente, quadro de técnicos e condições de trabalho. Tenho ideias muito claras sobre esta área tão importante. Por isso uma das primeiras reuniões de trabalho do nosso treinador foi com os responsáveis da Formação. É importante que se perceba que o trabalho deve ser dirigido para integrar e valorizar o quadro de jogadores da equipa sénior. O ideal seria promover pelo menos um júnior em cada temporada. Temos igualmente que melhorar a prospecção e detecção de jovens talentos para o nosso clube. A aquisição do Tiago é também um incentivo vivo para todos os que trabalham e jogam no futebol formação do clube. Têm ali de carne e osso um exemplo concreto. A Câmara Municipal e o seu presidente têm sido muito importantes no apoio constante ao futebol jovem do nosso clube.

 

NT: Houve algum arrefecimento dos adeptos e das empresas no apoio ao Trofense?

RS: É natural que no período pós-descida alguns adeptos e algumas empresas tivessem ficado um pouco distantes do clube. Acontece em todos os clubes. É também verdade que existiram adeptos e empresários que me garantiram imediatamente o seu apoio, pois é nos maus momentos que temos que nos unir mais. Mas devo dizer que com o passar do tempo estou convencido que o apoio total de todos os trofenses voltará a ser visível. Aliás, se existe um ponto em que o Trofense mostrou ao país que merecia ficar na Primeira Liga foi no apoio que os seus adeptos exibiram em casa e nos jogos fora. Neste momento a equipa também terá que ser o motor desse entusiasmo.

Devo igualmente dizer também que o senhor presidente da Câmara Municipal solidarizou-se imediatamente comigo e com o Trofense, garantido que o seu importante apoio se manteria e estaria sempre ao nosso lado. Foi importante ouvir a sua palavra de incentivo numa hora tão difícil.

 

NT: Qual a mensagem que pretende deixar a todos os trofenses?

RS: Que tenham muito orgulho no clube. Hoje o Trofense é um clube referência no futebol português. Todo o país nos elogia e nos considera um exemplo a seguir. Conseguimos pôr o país inteiro, a querer que ficássemos na I Liga. Não podemos desperdiçar esse capital conquistado por todos os trofenses. Desde um estádio com dignidade e conforto, até a uma estrutura de gestão profissional e qualificada, estamos preparados para competir ao nível mais elevado. Confiem em nós e todos juntos, adeptos, empresas, autarquia e demais instituições, conseguiremos voltar à I Liga. Basta estarmos unidos e cheios de entusiasmo em volta do clube.