As obras na Rua da Gabriela, a alteração do nome do Ribeiro que nasce em Covelas e o crescimento do aterro sanitário do Baixo Ave, foram alguns dos problemas assembleia-covelas-(4).jpgdiscutidos pelos covelenses. A Assembleia de Freguesia decorreu na passada quinta-feira, com o assunto da Rua da Gabriela a dominar a reunião.

Em Covelas, a Rua da Gabriela “está e não está”. As obras, a cargo da Junta de Freguesia, nesta rua que já se encontra em mau estado há mais de um ano começaram e foram colocados tubos, feitas as sarjetas e colocada a vedação “até ao terreno do Sr. Maia, como ficou combinado”, afirmou Fernando Moreira, presidente da Junta de Freguesia que não deixou de levantar a questão: “Queriam que eu fizesse um muro desde a casa do Senhor Maia até à estrada da Trofa. Mas lá nunca existiu muro, por alma de quem é que eu o vou fazer?”.

Na origem deste problema está, segundo Fernando Moreira, o facto de “o Sr. Maia exigir a construção de um muro que nunca existiu”. O caso está em tribunal, numa acção que opõe a Junta de Freguesia e o Sr. Maia, proprietário de terrenos adjacentes à referida rua e pai do membro do Partido Socialista na Assembleia de Freguesia, Paulo Maia, no qual a Junta acusa o ” de apropriação de caminhos públicos. Caminhos estes que são utilizados para a passagem de máquinas agrícolas, para cultivo dos campos que pertencem à família Maia, e segundo o processo apresentado pela Junta de freguesia também para a circulação de pessoas e veículos motorizados, não sendo por isso de uso exclusivo desta família”.

Com os ânimos exaltados, Fernando Moreira acusou Paulo Maia de querer “embrulhar” a Junta em benefício próprio, ou seja, construir o muro que separa os terrenos da família, da Rua da Gabriela. Para Paulo Maia e também Domingos Faria, membros do PS na Assembleia de Freguesia, estas acusações “carecem de fundamento”, acrescentando que “o presidente da Junta fez passar a mensagem na freguesia de que o Sr. Maia era um criminoso”. “Por estes e outros motivos”, para os membros socialistas, Fernando Moreira “não merece credibilidade nenhuma”, concluíram.

A reunião ficou marcada por este tema, discutido várias vezes ao longo da noite, mas outros foram referidos.

O aterro sanitário do Baixo Ave, que “está a aumentar”, é também motivo de preocupação por parte dos membros do partido socialista, que consideraram “gravíssimos os exageros que se estão a cometer”, frisando já a probabilidade de “infiltrações nos lençóis freáticos”. Este aterro foi construído há vários anos, na fronteira de Santo Tirso com a Trofa, para servir os concelhos que fazem parte da AMAVE – Associação de Municípios do Vale do Ave, um deles é a Trofa.

Quanto a este assunto Fernando Moreira foi peremptório: “Não posso interferir nos assuntos de outra freguesia e de outro concelho que é Santo Tirso”. Reconhecendo que o problema da instalação do aterro afecta os covelenses, o presidente da Junta garantiu que não concorda “com a altura do aterro” e que já fez “queixa ao vereador do Ambiente da Câmara”.

Domingos Faria e Paulo Maia apresentaram ainda outro requerimento onde pediram “uma tomada de posição” da Junta de Freguesia quanto à “alteração do nome do Rio Trofa para Rio de Covelas”. Os membros da Assembleia acreditam que o “verdadeiro nome” sempre foi Rio de Covelas e por isso pediram a colocação de uma placa na ponte da Autoestrada 3 de Rio de Covelas. Argumentaram ainda que até 1997 no registo feito na IGAL – Inspecção Geral da Administração Local constava o nome Ribeira de Covelas. Relativamente a esta definição Fernando Moreira adiantou que “conseguia mudar o nome para Ribeira de Covelas e não para Rio de Covelas”, no entanto, este processo torna-se “complicado enquanto os limites territoriais não estiverem definidos”.

A situação da construção da sede da Junta de Freguesia também foi mencionada: “O projecto está a ser feito e penso mandar tudo para concurso este ano”, afirmou o edil, garantindo que assim que estiver concluído, “o projecto vai ser apresentado em Assembleia”. Fernando Moreira adiantou ainda que a Junta de Freguesia vai “contratar um funcionário a meio tempo, para secretariar a Junta”. O concurso para a ocupação do lugar “será apresentado entretanto”.

Terminados os assuntos que constavam da ordem do dia, foi aberto o período de intervenção do público, onde Cipriano Pereira da Silva questionou o presidente da Junta quanto à posse do terreno onde está a Igreja. Conhecendo a situação, Fernando Moreira desconhece o proprietário: “O terreno onde está a igreja chama-se Bouça da Freguesia, mas não consta um número nas Finanças”, daí deduzir-se que é baldio. No entanto Fernando Moreira concorda com a doação do terreno à Comissão de Fábrica da Igreja, ou então “fica em nome da freguesia, do Bispo é que não, que ele já é muito rico”, afirmou, acrescentando que a “situação” terá de ser investigada junto da Comissão de Baldios da freguesia.

Isabel Moreira Pereira